quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
2010: O ano em que tive duas primaveras…
sábado, 2 de outubro de 2010
Metamorfose?
O personagem de Kafka pode ter sido criado há cerca de 100 anos, sem a mínima intenção de se tornar público, mas que continua atual, muitos de nós podem dizer. Numa época em que as exigências são cada vez maiores, sobretudo aquelas auto-direcionadas, e a importância das pessoas restringe-se ao que elas têm ou são capazes de realizar, sem dúvida de que Gregor poderia ser qualquer um de nós...
Ganhei um exemplar em francês de "A Metamorfose", de Franz Kafka, de uma grande amiga, na nossa primeira semana em Lisboa, como lembrança da sua visita à casa do autor em Praga, na República Tcheca. Confesso que a intenção de me fazer treinar o francês foi excelente, até porque o livro não é nada longo (e eu recomendo vivamente, seja lá em que idioma for), mas é claro que precisei intuir alguns trechos e pesquisar depois o seu significado. De todo modo, acredito que não haja quem não se transforme ou quem não se dê conta da sua metamorfose diária lendo um livro como esse.
Mas, provavelmente, esse não é o alvo preferido das pessoas, em tempos de "Comer, Rezar, Amar". Atenção: não pretendo aqui analisar ou criticar o livro, longe disso, até porque AINDA não o li (vi o filme e, mesmo concordando que se tratava de uma espécie de "comédia romântica auto-ajuda", que não necessariamente corresponde ao livro, eu não posso de nenhum modo dizer que não gostei). Por mais "nada a ver" que uma coisa pareça ter com a outra, o fato de eu ter assistido ao filme tendo acabado de ler "A Metamorfose", me fez pensar em por quê temáticas como essas atraem tanta gente. A constatação da metamorfose física e moral que sofremos dia após dia em nossa sociedadede, de que a vida que se tem não é exatamente aquilo de que se gostaria, ou que tudo o que se faz é apenas mais por acomodação à uma realidade confortável, ou para agradar ou corresponder às expectativas do outro, do que efetivamente por um desejo verdadeiro. Esse "apego" pode ser a qualquer coisa, a qualquer pessoa, a questão é que, de uma forma ou de outra, ele existe.
Muitas vezes, sentimo-nos incapazes de reverter a situação, é bem verdade. Mas, quando finalmente nos damos conta, ou nos tornamos coadjuvantes na nossa própria vida e mesmo na dos outros, deixamos de nos enxergar em nós mesmos, nos sentimos como insetos insignificantes, e vivemos um dia após o outro, à espera de que algo miraculoso aconteça; ou procuramos nos desfazer das nossas amarras, nos libertamos das nossas carapaças, enfrentamos os outros insetos, partimos em busca de nós mesmos e daquilo que acreditamos, pelo menos naquele momento, que nos trará a tão almejada felicidade.
Falar (ou, no caso, escrever) é mesmo muito mais fácil do que colocar em prática. Mas, não se trata de uma receita culinária ou uma bula de remédio, cada um encontra o seu próprio caminho. Gregor acabou "morrendo" na sua acomodação e pelo descaso dos outros diante da sua metamorfose "ao contrário", de ser humano a inseto. Liz Gilbert abandonou a vida estável e confortável para conhecer lugares que sempre sonhou. Outros começam uma terapia, um curso, engajam-se num trabalho voluntário, aproximam-se de uma religião, plantam uma árvore, encontram um amor, escrevem um livro...
As possibilidades são infinitas. O importante é, pelo menos, ter consciência de que elas existem, e que, mesmo envolvendo sempre um outro, no fim das contas, a escolha é nossa.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Renovando...
A rota é de mim, mas todos (ou quase todos) são bem-vindos. Os que me acompanham, os que gostariam e não podem, e até os que não têm a menor vontade. E quando me refiro a “mim”, quero dizer tudo o que isso implica (embora esse “tudo” ainda esteja bem “em aberto”), daí horas divagarmos sobre a vida, sobre o tudo e o nada, sobre as pessoas, sobre os sentimentos, sobre o trabalho, sobre os estudos, sobre a família, sobre os amigos, enfim, sobre qualquer coisa, e assim por diante (aliás, agradeço aos meus companheiros de viagem, que, com certeza, têm uma participação especial nesse “re-batismo”).
Nada melhor mesmo que uma renovação básica de vez em quando. Comecei pelo espaço físico em que vivo, agora quero renovar a mim mesma (vamos ver até que ponto vai essa coragem). De todo modo, é justo repaginar o blog também. Afinal, esse é o milagre da vida: renascer, renovar, reviver, sem deixar de ser.
Talvez o clima que tenho vivido ultimamente por aqui tenha impulsionado um pouco mais essa mudança. A vida nova que chega entre nós, que se renova em cada um de nós, que nos torna novamente crianças quando nos vemos definitivamente adultos. O recomeço de um ciclo, a oportunidade de conhecer gente nova, de enfrentar desafios diferentes, de reencontrar partes de nós mesmos, em lugares antes improváveis.
Por onde vou me levar, não sei ao certo. Mas sei pelo menos aonde quero ir, e quem quero levar comigo. Melhor assim. Se todos os passos fossem conhecidos, o caminho não seria tão interessante, e a rota não seria tão envolvente.
Aos que quiserem seguir junto, basta dar o primeiro passo, as mãos já estão estendidas.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Se, Quando, Enquanto...
Bom, se tem uma coisa para a qual tenho tido tempo ultimamente é de pensar. Se vivi a fase do “Se”, do “Quando”, agora vivo a fase do “Enquanto”. Enquanto me readapto, enquanto me reoriento, enquanto vejo e revejo as pessoas, enquanto busco novas formas de vida, enquanto reconheço os lugares, enquanto…
Enquanto, conjunção subordinativa temporal, significa “durante o tempo em que”, “ao mesmo tempo que”. E, enquanto a mudança é elaborada (porque já dizia nosso amigo Heráclito, essa é mesmo uma das únicas constantes em nossa vida), o mundo continua a girar, a vida continua a acontecer. Isso porque não se pode mais perder tempo pensando no “Quando” ou no “Se”. Independente de como as coisas aconteçam, inesperadas ou não, desejadas ou não, planejadas ou não, é no famoso “aqui e agora” que precisamos estar presentes.
Mais do que imaginar como será a vida daqui a um mês, três meses, ou um ano, onde vou estar ou com quem vou estar, tenho tentado vivê-la a cada dia, aproveitar os que estão perto (pessoal ou virtualmente), e assumir a responsabilidade pelas minhas escolhas. E, por mais cliché que possa parecer, é mesmo quando assumimos as consequências de tudo o que decidimos (ou mesmo daquilo que optamos por não decidir) que passamos a lidar melhor com o mundo à nossa volta. Aliás, esse tem sido um tema recorrente em conversas inicialmente descomprometidas e despretensiosas, mas que, surpreendentemente, se tornaram parte essencial dos meus últimos dias.
Como costumo dizer de uns tempos para cá, e por experiência própria, a vida pode ter várias cores, pode ter uma só, ser cinzenta ou em preto e branco, tudo depende do nosso ponto de vista. E da forma como decidimos enxergá-la. Como boa psicóloga que sou (e, mais uma vez, por experiência própria), é claro que reconheço que nem sempre é fácil enxergar o mundo colorido, ou ver oportunidades onde a maioria das pessoas tende a ver problemas. Muitas vezes precisamos de uma “ajudinha”. Por vezes, através de um acontecimento, uma situação qualquer, de um amigo(a), um companheiro(a), um colega de trabalho, ou mesmo de um profissional. Mas, a verdade é que ela pode surgir de onde a gente menos espera (basta estarmos abertos para sabermos aproveitá-la).
E, no momento em que conseguimos ver a realidade de maneira mais leve, conseguimos também transformá-la. Só não podemos ficar à espera de algo ou alguém para que isso aconteça. Vivemos e (re)descobrimos as cores da vida enquanto transformamos a nossa realidade e construímos a nossa experiência enquanto vivemos.
Passada (ou iniciada) a divagação filosófica, voltemos ao motivo deste tópico. Chegamos a uma grande interrogação nesse momento (é claro que enquanto isso, vou resolvendo uma série de outras coisas)… Será que o nome do blog ainda corresponde à realidade?
De certo modo, posso dizer que sim. Por mais que conheçamos o destino da nossa viagem, a estrada sempre nos apresentará algo inesperado, com o qual nunca lidamos antes, enfim, o desconhecido. E, por mais que voltemos ao “ponto de partida”, já não somos os mesmos. Já conhecemos outras cores, já vemos o mundo de outra forma. Hoje, procuro escolher as cores com que quero ver o mundo (embora, como tudo na vida, elas vão mudando e se acrescentando à medida que conheço novas), tendo sempre em mente que dessa escolha dependerá o resto do meu dia. Se vou lidar com problemas, oportunidades e/ou soluções, é mesmo uma escolha minha e só minha.
Por outro lado, se já não sou a mesma, o blog provavelmente também não é, nem voltará a ser. Possivelmente, as temáticas também mudarão (se já não mudaram), os personagens e companheiros de estrada vão se alterando, a trilha sonora evoluindo. Já não somos os mesmos (o blog e eu), mas isso não significa que deixemos de ser quem somos. Um instrumento de “partilha”, uma “menina” crescida, um espaço de “catarse”, uma mulher em “desenvolvimento”. Assim, se ainda sou eu, mesmo diferente, também ele será ele, mas igualmente diferente.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
De volta à São Salvador da Bahia...
Mas, antes disso, é preciso voltar um pouco mais no tempo... Primeira semana de julho, em meio aos poucos jogos em que o Brasil participou na Copa do Mundo, uma aula prática e intensiva de jogos em equipe durante 3 dias, a consequente despedida dos amigos de uma vida em dois anos, realização e entrega de trabalhos e relatórios finais, últimas providências burocráticss, arrumação de malas, tudo ao mesmo tempo.
Nunca fui boa mesmo em despedidas e está aí uma coisa que não consigo desenvolver com a experiência. Não pretendo me acostumar com elas. De todo modo, muitas vezes, não podemos evitá-las. E assim foi. Na despedida do grupo, não me lembro de alguem ter chorado mais que eu naquela noite em que até o poema "É tempo de partir", de um ex-estudante de Coimbra, a Filipa resolveu ler pra me fazer derramar ainda mais lágrimas(Francisco e a camisa dele que o digam). Depois, a Sabrina. Vê-la partir no táxi, voltar pra casa e não encontrar ninguém me deixou completamente arrasada (a essa altura, eu tinha dúvidas se ainda teria lágrimas depois disso tudo). Mas, graças a Deus, eu tinha o apoio de pessoas "fofas" em Lisboa! Fomos eu, o Gerardo e a Su assistir a Shrek 3D no cinema, somente porque eu precisava sair de casa e ver uma comédia que fosse.
No fim de semana, ainda fomos para Peniche, e passamos um dia maravilhoso na casa da Pipa, com a sua família, comemos churrasco, bebemos vinho, fomos à praia, conhecemos e reconhecemos a área. E foi no dia seguinte que chegaram minha mãe e minha tia lá em casa. O roteiro já estava pronto e era mais do que intenso. Mas, antes de começarmos a pô-lo em prática, ainda havia pessoas que elas precisavam conhecer. No primeiro almoço em Portugal, portanto, contaram com a presença da ala masculina do mestrado (Léo, Paco, Edu e Pedro), mais o Gerardo, nosso amigo de Lisboa. Em seguida, ainda encontramos a Tânia pra um café e um pastel de belém, para equilibrar um pouquinho ;-) Mais duas despedidas das mais difíceis se seguiriam: a do Paco e a do Léo. A essa altura eu percebi que ainda tinha bastantes lágrimas. Felizmente, eu estava acompanhada em casa e o Paco teve a oportunidade de conhecer a D. Carmem Lúcia da Bahia (como ele também já foi ao Parthenon na Grécia, só faltam agora as Pirâmides do Egito, né Paco?)! O Paco a essa altura já está instalado e se readaptando em Bogotá/Colômbia, do mesmo modo que o Léo e a Sá em São Paulo.
A partir daí, seguimos nossa viagem, começando por Coimbra (onde ainda encontramos a Pipa), Fátima e Porto (onde encontramos a Cat), em Portugal; Paris; Veneza, Verona e Roma, na Itália; e Londres (onde a Ju nos aguardava). Essa foi outra despedida que me deixou arrasada, mas com a sensação de que não duraria muito. Afinal, irmãs não conseguem ficar longe uma da outra por muito tempo, né, Ju?
De volta à Lisboa, mais uma vez, encontramos uma criatura mais do que fofinha para nos acompanhar pela cidade, nos levar pra passear, e nos equilibrar após 20 dias compartilhados 24 horas. Foi assim que em 3 dias o Gerardo (ou Geraldo, ou Gerardi, como minha mamys sempre se atrapalhava) marcou ainda mais a sua "alcunha" (e o seu espaço entre nós, só pra dificultar ainda mais a minha despedida)... Com direito à boa comida portuguesa, fado e a um show gratuito de Lauryn Hill na Praça do Comércio, despedimo-nos de Lisboa. No dia seguinte, ainda fomos à Sintra, enfrentando a neblina e o vento gelado em pleno verão e as reclamações das baianas cheias de roupa sobre o tempo esquisito para a suposta época do ano. Último dia na cidade, entretanto, era destinado a arrumação de malas. E disso realmente a gente não escaparia, porque agora era mesmo de vez. Não tinha como deixar algo pra levar depois. E assim, tínhamos ao fim do dia seis malas grandes e três bagagens de mão prontas para serem embarcadas para Salvador. Ainda passeamos um pouquinho pela cidade, e ainda arranjei um tempinho pra encontrar mais uma vez, antes de partir rumo a Salvador, o o grupo mais fantástico de Lisboa, ainda que cada dia mais desfalcado: "Gerardo e suas fofinhas", representado pelo próprio, a Su e a Lídia (além de mim, é claro).
Foram uns três dias de ansiedade "inexplicável", crises de tensão baixa, dor de barriga, insônia, taquicardia, perda de apetite, falta de ar... Tudo isso pelo luto de estar deixando Lisboa. Apesar da saudade inquestionável das pessoas, não somente a cidade iria fazer falta, mas toda a vida e da independência que eu havia construído por lá e cada uma das pessoas que, a seu modo especial me conquistaram e também se tornaram partes essenciais da minha vida. Era uma medo esquisito de voltar. E daquilo que eu iria encontrar. Mas temos que seguir sempre em frente, prosseguir sem desanimar, e assim tenho feito.
Parecem mesmo semanas, mas faz só dois dias que cheguei no lugar onde tem minha terra, meu céu, meu sol, meu mar (mesmo que não tenha visto nenhum deles propriamente ainda). Faz mesmo dois dias que tenho tentado colocar ordem em tudo, ter a sensação de que já estou num espaço meu e organizado. Estou quase acabando, mas tenho certeza de que essa fase ainda vai durar um tempinho. O estranhamento não é pouco, as incertezas também não. Assim como a saudade (agora de lá e das pessoas que ficaram e que eu ainda sinto por perto). Mas ainda alimento a esperança de que tudo não passará de uma fase, de que brevemente terei meus planos em andamento, de que voltarei logo logo a ver algumas dessas pessoas que se tornaram parte de mim. Agora é tempo de descanso, de férias, de viver um dia de cada vez. De descobrir e redescobrir as delícias de ser baiana, soteropolitana, de rever as pessoas e os lugares, de conhecer novos, e, assim, de se preparar para um novo e total RECOMEÇO.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Agradecimentos
Como temos brincado entre os Woppers de Coimbra por esses últimos dias, agora já somos mestres! "Sra Dra Mestre Carine França???" Não, basta Cary mesmo! São tantos significados, tantos sentimentos misturados, mas o mais marcante deles é reconhecimento da importância que algumas pessoas tiveram nesse processo.
Foi no dia 24 de junho de 2010 (sim, em pleno São João!) a minha defesa do mestrado. A última dos onze Woppers, mas acompanhada dos outros quatro sobreviventes do dia (Filipa, Léo, Tânia, e Ana Catarina), além, é claro, do meu querido e inigualável orientador (Prof. Paulo Renato Lourenço). Mais ainda: até mamys e papys conseguiram estar “presentes” (salvem as novas tecnologias!).
Momentos de ansiedade intercalados com expectativa e felicidade pela sensação do dever cumprido e pelo reconhecimento tão positivo do nosso trabalho. Mas, como eu ia dizendo, nada disso teria sido possível sem a presença, das mais variadas formas, de algumas pessoas na minha vida. Aproveito, agora, este espaço, que já não é só meu, para compartilhar com vocês o meu mais sincero agradecimento a cada um e a todos que fizeram parte da realização desse sonho. Deixo-vos, então, com um excerto bastante importante da minha dissertação de mestrado.
P.S.: Não estranhem, mas vocês vão observar a tentativa de escrita em Português de Portugal mesmo (a gente tem que se adaptar de algum jeito, né?). Ainda não está em vigor o acordo ortográfico por aqui... E mesmo que estivesse, eu tenho ainda que reestudar tudo!
P.S.2: Àqueles que por acaso não virem seus nomes aqui e que saibam da importância devida que têm pra mim (porque eu costumo dizer ou demonstrar mesmo), peço mil perdões... Afinal, eu realmente escrevi mais do que o comum por aqui nos agradecimentos e não conseguia resumir de jeito nenhum... Prometo me redimir na primeira oportunidade! ;-)
AGRADECIMENTOS
“Sonho que se sonha só, é só um sonho; sonho que se sonha junto, é realidade”, já dizia o famoso cantor baiano Raul Seixas. E se há algo com que eu sonhei foi com esse momento. Mas ele só se tornou realidade porque muitas pessoas sonharam junto comigo. E não só sonharam, como, muitas vezes vencendo barreiras físicas e temporais, trilharam todo o caminho ao meu lado. A essas pessoas, o meu mais sincero e profundo reconhecimento por, cada um a seu modo especial, tornarem possível a concretização desse tão sonhado objectivo.
Ao Professor Doutor Paulo Renato Lourenço, por ter me mostrado a forma mais verdadeira de Mestre que eu poderia conhecer: aquele que se importa com o real desenvolvimento, que estimula, desafia, encoraja e reconhece o seu “pupilo”. Por todo o apoio incomparável, insubstituível e único, ao longo de todo esse percurso. Pela confiança desde o primeiro momento, ainda na entrevista de selecção para o mestrado. Pelo rigor científico e pela riqueza de detalhes, que tanto me inspiraram.
À toda a equipa de professores do Núcleo de Psicologia das Organizações da Universidade de Coimbra (NEFOG), por todo o aprendizado construído e compartilhado, pela excelência com que exercem o seu papel e por nos levarem sempre a pensar e a alcançar mais além do que imaginamos conseguir.
À Alice Oliveira, pela sua infinita disposição em tornar as nossas vidas mais fáceis, em fazer-nos sentir em casa, acolhidos e apoiados, tantas vezes ultrapassando as obrigações formais do seu papel. Obrigada por sua eterna disponibilidade e por ter sempre uma palavra amiga, acompanhada de um sorriso carinhoso.
Ao Professor Doutor Vincent Rogard, da Université Paris-Descartes, por mostrar-se sempre disponível, e por todo o seu empenho ao gerir o grupo Erasmus Mundus WOP-P 2008-2010, durante a mobilidade em Paris, diante de todos os desafios e obstáculos.
À todos os meus colegas, amigos e “irmãos Woppers”, por cada momento experienciado, pelo apoio incondicional e em todos os sentidos, pela presença constante, pelos sorrisos, lágrimas e abraços. Por todos os conhecimentos, culturas, idiomas e aprendizados compartilhados.
Por todos os sonhos construídos, reconstruídos, planejados e realizados. Por todas as lembranças que levarei para o resto da vida, e pelas amizades e “famílias” multiculturais que construímos durante a nossa jornada. À Juliana Seidl e Sabrina Romero, por terem sido minhas companheiras de todos os momentos, por terem me ensinado a ser uma pessoa melhor, pela confiança em seu olhar, por sempre me apoiarem nos momentos difíceis, pela declaração de amor e amizade no momento mais oportuno, e por me darem a oportunidade de viver com as irmãs que nunca tive. Ao Francisco Páez, pela compreensão, cumplicidade e amizade compartilhada, pelas palavras ditas e não ditas, e por todas as idas e vindas ao longo desses dois anos. À Filipa Rodrigues, Tânia Fachada e Ana Catarina Sá, pela atenção, cuidado, e carinho com que sempre me acolheram, como parte das suas próprias famílias. À Adriana Sandrigo, José Martínez e Leonardo Santos, por também terem sido parte da minha família nesse período, nunca me deixando desanimar e sempre comemorando cada avanço que fizemos juntos, por serem parte do meu crescimento e das minhas memórias, pelas conversas pessoais, virtuais ou telefónicas, pelos sorrisos e partilhas. À Ana Teresa Fernandes, Eduardo Vital e Pedro Monteiro, por tudo o que aprendemos juntos. Mais do que um prazer, foi uma honra poder conhecê-los a todos e tê-los dia após dia ao meu lado.
A todas as empresas, em Portugal e no Brasil, que se disponibilizaram para participar dos nossos estudos, porque sem a sua cooperação este trabalho não poderia ter sido concretizado.
Às minhas antigas companheiras do departamento de Recursos Humanos, Nora, Pati e Lívia, por, além de permanecerem ao meu lado desde que decidi enfrentar esse desafio, participarem e acompanharem activamente todo o processo, ao longo dos últimos dois anos. Obrigada por realizarem comigo uma importante parte desse sonho.
Aos meus amigos do Brasil que, mesmo à distância, sonharam junto comigo, viveram meus momentos de alegria e de saudade, torceram pelo meu sucesso, contribuíram e exultaram com a minha realização. Especialmente a Priscila Ferreira, Pedro Araújo Júnior, Giselle Rocha, Tâmara Santana, André Yoichi, Reginaldo Santos e Michele Gonçalves, que estiveram, cada um a seu modo e a seu momento, presentes mesmo de longe, que me ajudaram a não desanimar diante dos obstáculos, e que me transmitiram o amor e a confiança de quem acredita no que há de melhor no outro, o meu mais sincero agradecimento.
À toda a minha família, não só pelo apoio, mas pela fé que sempre depositaram em mim. Por terem me ajudado a chegar onde hoje estou.
Por participarem da minha vida e sempre me fazerem sentir abençoada por tê-los ao meu lado, independente da distância. Em especial à minha tia Iraís, pela presença incontestável, pelo cuidado e amor maternal que me dedica, por sonhar junto comigo e me ajudar a realizar, por ser efectivamente uma verdadeira mãe e, sem dúvida, o meu “porto seguro”. E à minha prima Márcia e ao meu padrinho Gilson, pela confiança, vibração e orgulho que sempre compartilhamos.
Ao meu irmão Cleidson, por ter me permitido, mesmo do outro lado do oceano, exercer sempre o meu papel de irmã mais velha. Por ter permanecido comigo todos os dias, mesmo que virtualmente, compartilhando dúvidas, incertezas, decisões, dificuldades e conquistas. Por ter me ajudado a construir a pessoa que sou, por acreditar plenamente em mim e por fazer com que eu queira a cada dia ser melhor e mais presente em sua vida. Agradeço, especialmente, pela sua cooperação e paciência na viabilização de todo o processo de recolha electrónica dos dados no Brasil. Irmão querido, sem você, não teria sido possível!
Aos grandes responsáveis pela minha existência nesse mundo, Carmem Lúcia e Cosme, por estarem incondicionalmente comigo, onde quer que eu esteja. Aos meus pais amados, agradeço especialmente o que de mais valioso me transmitiram, seus ensinamentos, seu carinho, amor e respeito, sua confiança plena e inquestionável, seus valores sólidos, gestos e palavras de incentivo. A vocês, que mais sofreram com a nossa distância física, o meu profundo reconhecimento por todos os sonhos que realizei, por todas as conquistas que alcancei, por todos os momentos que vivi e por todos os outros que ainda virão. Obrigada por serem parte de mim, por viverem em mim, por sonharem junto comigo e por compartilharem a vitória. Mais ainda, obrigada por me ajudarem a, mesmo estando longe de casa, fortalecer, reconhecer e ter cada vez mais orgulho das minhas raízes e da minha identidade. Dedico-lhes todo o meu amor, porque sem vocês, nada teria sentido.
À memória da minha “dindinha” Avany, pelo seu olhar carinhoso, eternamente nas minhas lembranças.
Aos meus pais e ao meu irmão, por fazerem de mim a pessoa que sou, por darem significado aos meus sonhos e por viverem em mim com tanta intensidade.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Sobre o tempo...
Por mais que tentemos nos habituar, parece mesmo que o mundo tem girado cada vez mais rápido... E cá estou eu, fazendo coisas mais ou menos parecidas com as que eu fazia a essa mesma época em 2008. Começando a me organizar, comprando coisinhas, encerrando contratos, encontrando pessoas, fechando ciclos, mas dessa vez para fazer o caminho inverso...
Talvez agora fique melhor explicada a razão do meu "sumiço". Não é falta de vontade, mas é falta de tempo mesmo! Ainda que esteja se tornando cada vez mais subjetivo pra mim. Nesses últimos dois meses, trabalhei muuuuito com a Sabrina, viajamos por mais de dez cidades portuguesas pra colocar nosso projeto em prática, encontramos e conhecemos centenas de pessoas, enfrentamos uma série de desafios, e vencemos uma grande e importante (pelo menos para nós) etapa do nosso mestrado: o estágio. Ao mesmo tempo, finalizamos nossas teses, enviamos pros nossos arguentes, esperamos feedback, recebemos resposta e agora estamos na fase de aprimoramentos e preparação para o grande momento: a defesa! É claro também que aproveitamos cada folguinha para curtir os novos e velhos amigos, as pessoas especiais que encontrávamos e reencontrávamos, as cidades em que passávamos, em que vivíamos e que nos encantavam.
Fomos à praia em Lisboa e no Algarve, à Queima das Fitas e ao show de Daniela Mercury em Coimbra, ao Rock in Rio Lisboa 2010 (alguém me belisca pra eu acreditar que faz exatamente 10 anos que eu estive no Rock in Rio, lá mesmo na cidade que lhe dá o nome???), passeamos no Cabo da Roca (ponto mais ocidental da Europa), em Sintra, organizamos nossas férias antes da volta, com direito a reserva de passagens e hotéis em todos os lugares, completamos cada dia nossa listinha do que ainda falta comprar e do que ainda falta fazer.
É claro que nesses próximos dois meses muita coisa pode, deve e vai acontecer. Até julho, ainda temos uma disciplina por fazer, uns três ou quatro relatórios para entregar na Universidade, conta bancária para encerrar, certificado de conclusão do mestrado para providenciar (sim, porque o diploma, esse só daqui a uns dois anos ao que parece), lugares e pessoas para nos despedirmos e para reencontrarmos. E no meio disso tudo ainda tem a Copa do Mundo!!! Minha Nossa Senhora da Conceição da Praia! Imaginem Carine assistindo à Copa do Mundo pela primeira vez fora do Brasil????? E mais, imaginem estar num país que está no mesmo grupo que o seu? Ok, don't worry, vou me vestir completamente à brasileira, como sempre faço, mas tomarei o cuidado de ir assistir aos jogos na casa do Brasil, tá bem? O do dia 25.06, Brasil x Portugal será provavelmente "em família", assim espero não ter maiores problemas (desde que o Brasil ganhe, é claro!) ;-)
Muito bem, mas antes disso, ainda há o principal! Anotem aí: 24 de junho de 2010 (eu ainda lembro que aí é São João e feriado no nordeste, viu?), defesa de tese de mestrado, às 14h45 horário de Lisboa, na Universidade de Coimbra, Portugal. Pois é, parece mesmo que foi ontem... E a ansiedade vai aumentando só de pensar. Bom, esta é mesmo um tanto inevitável, mas a convicção de ter estado no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas, deixam-me muito mais segura do que nervosa. Estou certa de que passaremos todos por esse momento de maneira brilhante e farei questão de estar presente sempre que puder para prestigiar os meus colegas e as minhas amigas queridas.
Como se não bastasse, falta exatamente um mês para eu receber um dos abraços mais esperados desse último ano. A realização de mais um sonho coletivo. O desembarque de duas pessoas que amo de maneira incondicional no aeroporto de Lisboa: mamãe e titia. Provavelmente essa sim será uma noite em que não irei conseguir dormir. Na verdade, acredito que nenhuma de nós realizou muito bem a dimensão do que será estarmos juntas do outro lado do oceano (bom, pra elas, vencer o desafio de atravessá-lo já será um grande feito!) e, mais ainda, de vermos a mim como guia em algumas das cidades que eu mais amei por aqui.
Muito bem, Cary, concentração. Por hora é proibido pensar em despedidas, em lágrimas e em mudanças. A regra agora é viver cada minuto, cada segundo, cada abraço, cada sorriso, cada momento. E torná-los eternos... E mágicos... Não posso dizer quando será o próximo post. Se ainda do lado de cá, ou já do nosso lado daí. Mas uma coisa é certa, ele terá muito pra contar.
domingo, 18 de abril de 2010
Mais uma Primavera, em Lisboa!
Dessa vez, comemoro literalmente mais uma Primavera. Mesmo não tão ensolarada ainda, ela já chega bastante colorida, perfumada e trazendo muita esperança. Sorrisos, abraços, brilho nos olhos, palavras, novidades, movimento. Começo o mês de abril em cidade nova, casa nova, com companheiros novos, estágio novo, ritmo novo, caminhos novos, projeto novo, academia nova, amigos novos. Mais do que nunca, um ANO novo!
Por mais resistência que uma pessoa possa ter em sair dos 25 (a dúvida até o último momento era se eu comemorava 26 ou 25.2 anos...), no fim das contas, a gente sempre sabe que cada ano de vida é uma benção, um presente de Deus que deve ser agradecido e festejado com aqueles que amamos. Mesmo longe de casa, eu tive essa sorte. Pessoas queridas, amigos únicos, uma família construída pelos laços da amizade e apoio mútuo, que tornaram o meu dia ainda mais especial do que eu sempre achei que fosse (sim, porque quem me conhece sabe que eu não escondo nem um poquinho o quanto eu adoooooro o meu aniversário!).
Não sei quando a mobilização começou, mas a Jú teve a singela e sublime ideia de recolher mensagens de algumas pessoas do Brasil, para
À exata meia-noite do dia 15 de abril (horário de Lisboa), recebo um telefonema. Era a Jú, desejando o mais feliz dos aniversários. Um minuto depois, entra a Sá no meu quarto, com um biscoito dietético de chocolate e uma vela por cima, duas taças de vinho, cantando parabéns. Coloco o telefone no viva-voz e começamos juntas uma comemoração particular das três. Amigas. Sempre. Bebemos eu e a Sá o vinho, comemos o biscoitinho, e eu vou dormir feliz, porque sei que o dia só está começando.
Quando acordo, já vejo na mesa da cozinha o meu grande "cartãozinho" de aniversário! Claaaaro que eu tinha que chorar... E a Sá ali do meu lado, já com um lencin
Seguimos o dia trabalhando, em meio aos meus telefonemas mais esperados do ano, daqui e sobretudo daí. Mamãe, papai, irmãozinho, tia Irá, tia Adinet, a dinda Márcia, e os amigos de Coimbra que estão agora espalhados pelo país (a maior parte aqui mesmo em Lisboa, em função do estágio)... A comemoração da noite foi num restaurante japonês, escolhido em dupla com a Sá e com a preciosa ajuda de uma lista completíssima de todos os r
Hoje acordamos bem tarde, preparamos o café da manhã e dissemos até logo à Jú, que volta pra Leiria, e à Pipa, que volta pra Coimbra. Amanhã é dia de retomarmos o nosso ritmo, de voltarmos ao trabalho, mas com a sensação boa do reencontro, e as boas memórias que guardaremos pra sempre desses momentos. É difícil evitar o saudosimo antecipado e o sentimento ambíguo de querer e, ao mesmo tempo, não querer o término do mestrado. Por mais que evitemos colocar em palavras quando nos reunimos, o que os nossos olhares expressam é o quanto é bom estarmos juntos, com pessoas que tão fortemente marcaram as nossas vidas nesses últimos dois anos, e o quão difícil será ter que nos separarmos a partir de julho, mesmo sabendo que o que nos espera é um outro e insubstituível reencontro do outro lado do oceano.
Sabemos que os próximos meses serão intensos e faremos de tudo para vivê-los do mesmo modo. Daqui a um mês, entrega da dissertação, daqui a dois meses, a defesa. Enquanto isso, vamos desenvolvendo nossas atividades no estágio, plantando nossas sementes no coração das pessoas por aqui, adubando as daí, e replantando as do mundo profissional, esperando colher tanto a curto quanto a longo prazo todos os frutos de tudo o que vivemos e aprendemos.
Tudo isso nos serviu para vivenciarmos o que é de mais puro e verdadeiro nas nossas vidas: o AQUI e o AGORA. Mas, sem
Mas a vida é assim: uma "caixinha de surpresas". 25 primaveras comemoradas em Paris; 26 festejadas em Lisboa... Vamos ver onde e com quem será a 27ª! Família do Brasil, aguarde-me!!! De todo modo, a única certeza de que tenho é que, onde quer que eu esteja, estarei rodeada de pessoas amadas, queridas e especiais na minha vida!
quarta-feira, 10 de março de 2010
Pra quem nunca viu Coimbra movimentada....
Nem preciso dizer a loucura que foram essas duas semanas. Começando pelo próprio tempo. De repente, o inverno chegou chegando em Coimbra, com muito frio, vento e chuva, pra dificultar nossa vida (como se isso fosse algum impedimento pra gente). Só não teve neve :-( Já na primeira semana, reconhecimento da área e dos nossos colegas dos grupos virtuais, reencontro entre amigos que se viram durante o período de mobilidade (como o meu foi em Paris, vocês todos sabem, reencontrei Adri, José, Ilaria, Davi, Jenny, todos que estavam lá comigo e que também haviam voltado pras suas universidades de origem), apresentações de trabalho, aulas, almoços coletivos nas cantinas, coffee-breaks intermináveis e super-calóricos (claro, estamos em Portugal, minha gente!), noitadas de trabalho no saguão do hotel onde os alunos e professores de fora estavam hospedados, e, como não podia deixar de ser, festinhas e passeios pelas redondezas.
Bom, até que gostaríamos de ter feito mais, mas o cansaço era tamanho que a festinha só rolou mesmo na sexta-feira, e boa parte não aguentou ficar até mais do que a 01h da manhã. No domingo, apesar da previsão meteorológica não ser muito animadora, resolvemos acompanhar o grupo de estrangeiros (nessa eu nem me incluo, porque já sou da casa) até o Porto, pois eles não iriam se conformar em ir embora sem conhecer a cidade e experimentar o tradicional vinho da região. E lá fomos nós, todos equipados com casacos e guarda-chuvas. Nem nos enxergávamos direito na estação de trem, mesmo sendo 20, no total (os outros 20 não tiveram a mesma coragem, ou melhor, foram mais sábios). Já chegamos lá completamente molhados, é claro. Tentávamos andar pela cidade, lutando contra o vento, rezando pra encontrar logo um restaurante bem quentinho pra almoçarmos, "esperando a chuva passar".
Nessa espera, passamos umas duas horas e ainda tivemos a oportunidade de ouvir no noticiário o Alerta Vermelho para o tempo no Porto. O Rio Douro já estava muito cheio e havia possibilidade de enchentes, inclusive nas caves (onde são armazenados os vinhos). Detalhe: estávamos a poucos metros do rio, quando ouvimos as notícias. Ponderamos sobre atravessarmos a ponte (calma, a ponte era resistente!!) com as pessoas e arriscarmos fazer a degustação de algum vinho. Demoramos uma meia hora quase só pra decidir, mas no final fomos. Saímos de lá diretinho pra Estação de trem (nunca quis tanto voltar pra Coimbra!), enfrentando o frio e a chuva mais uma vez. Claro que paramos pra tomar um café antes disso ;-) Viemos num trem tão cheio, que até respirar era complicado (claro, todos os estudantes já se preparavam pra voltar pra cidade, já que teriam aulas na segunda-feira).
No dia seguinte, de volta ao trabalho. Afinal, era pra isso que estávamos reunidos, não é? ;-) E haaaaja trabalho! Mas, mesmo aprecendo zumbis, não perdiamos nunca a animação! Nesse meio tempo, comemoramos uns quatro aniversários (isso foi durante o dia mesmo, nos intervalos, porque as noites estavam reservadas para trabalhar!). Com aulas das 09h às 19h, não nos sobravam muitas opções, a não ser comermos qualquer coisa e seguir noite adentro. Na terceira noite, até resolvi levar uma mudinha de roupa pra tomar banho no quarto das meninas no hotel, só pra acordar um pouquinho e recomeçar. A verdade é que o meu grupo não era muito "noturno", então raramente eu ia dormir depois 00:30h. E quando eu saía pra vir pra casa, sempre deixava o saguão do hotel lotado com os outros grupos trabalhando enlouquecidamente.
Apenas no penúltimo dia, véspera de entrega do trabalho final (detalhe que era uma competição pelo melhor projeto apresentado), segui até às 04h da manhã, embora muitos amigos dos outros grupos tenham seguido até o amanhecer, decidindo apenas tomar um banho, comer algo e ir direto pra faculdade. A parte "engraçada" era ver a cara dos funcionários do hotel, assustados com tantos estudantes trabalhando que nem desvairados noite adentro, espalhados pelo chão, pelos sofás, onde fosse possível e desse pra ligar os computadores. E ainda por cima, vendo os professores chegarem dos seus jantares, circularem admirados entre nós, sorrirem e subirem para as suas caminhas quentinhas. Acho que o que mais esses funcionários se perguntavam devia ser: "Meu Deus, o que será que esses professores fazem com esses alunos pra que eles fiquem até essa hora trabalhando, e depois vão dormir tranquilos???" No caso da minha turma, o projeto era desenvolver um sistema de avaliação de desempenho, de maneira criativa, em menos de duas semanas, a ser aplicado às enfermeiras de um hospital. Fora isso, "otras cositas más".
O último dia passamos todinho assistindo às apresentações dos projetos desenvolvidos pelos oito grupos (quatro que deveriam reorganizar a estrutura de trabalho das enfermeiras e quatro que deveriam propor o sistema de avaliação de desempenho). Mais um pequeno detalhe: o meu grupo era o último. Mas o último meeeeeesmo, lá pras 18h!!! Bom, teríamos que colocar energia nessa apresentação, do contrário, todos aqueles zumbis que passaram a noite em claro, não iam resistir. E fazer isso em inglês é ainda "melhor" ;-)
Mas, realmente, aqueles coffee-breaks faziam milagres. As pessoas estavam mesmo bem acordadas a essa altura! Depois disso, seguimos esperando a decisão final dos nossos avaliadores acerca dos grupos vencedores (um de cada turma). E, diante de tantos trabalhos de alta qualidade (aé porque em cada um dos grupos havia amigos meus cujo trabalho eu conheço bem e pessoalmente), eis que o do meu grupo foi o escolhido com o melhor projeto de avaliação de desempenho, representante da turma de Recursos Humanos!!! Isso vindo dos "gurus" da Psicologia Organizacional e do Trabalho européia não deve ser "pouca coisa", né? ;-)
Seguimos a noite de encerramentos e premiações com a entrega do "Woppy Awards 2010". Categorias: Mr ou Miss Zen, Sleepy (dorminhoco/a), "Cookie-Monster" (comilão/comilona), Flighty ("viajante"), Hilarious (engraçado/a), Brainstorming (criativo/a), Connections (o "relações públicas"), Shop-aholic (viciados em compras), Work-aholic (tem no trabalho uma religião). Começo por dizer que dentre todas as categorias, 4 ganhadores eram de Coimbra. Alguém arrisca adivinhar em qual foi a que eu ganhei? Até concordo em certo ponto, mas juro que não fui a que fiquei mais tempo trabalhando durante essas duas semanas ;-) Sorry, guys!
Anyway, "Miss Work-aholic" ou não, acredito que consegui um bom equilíbrio entre trabalho, festas, passeios, comprinhas no shopping e boas noites de sono, durante todos esses dias! ;-) E estou bem feliz com o resultado!
O mais importante de todos os aprendizados, entretanto, não esteve somente relacionado ao conteúdo de todas as disciplinas interessantes e de todos os professores renomados que tivemos a oportunidade de encontrar, conversar e aprender com (Robert A. Roe, Neil Anderson, Erik Andriessen, David Guest, Dirk Steiner, além dos coordenadores do mestrado de cada universidade, Peiró, Duarte Gomes, Zapallá, Rogard), mas também com a convivência diária com pessoas dos mais diversos lugares do mundo.
Confesso que passei um tempo contando de quantos países nós éramos. Perdi as contas algumas vezes, mas cheguei sempre perto dos 20 países, da Europa, da África, da América Latina, da América do Norte, do Oriente Médio, da Ásia. Quem me conhece bem sabe o quanto eu sou adepta à diversidade (não é à toa que a minha tese de mestrado é sobre isso ;-) e o quanto me fascinam as diferenças. Não tinha coisa mais divertida pra mim do que ouvir de um lado um grupo conversando em português, do outro lado outro grupo conversando em francês, outro em espanhol, outro ainda em italiano e, claro em inglês, que era supostamente o idioma oficial do mestrado.
O exercício de respeito e tolerância era contínuo entre todos nós. Mas não me pareceu nenhum sacrifício (bom, considerando o caos em que estão algumas regiões do mundo atualmente, talvez sejamos mesmo exceções). Argumentar, negociar, ceder, reivindicar, em outro idioma que não o nosso pode se mostrar realmente complicado em alguns momentos. Mas foi também um desafio e um aprendizado únicos que ficarão para sempre em nossas vidas. Terminamos a noite dançando muito, para liberar todo o stress acumulado e comemorar o fato de estarmos todos juntos. As primeiras despedidas não foram fáceis, lágrimas inevitáveis haveriam de rolar...
Mas pra mim, as mais difíceis ainda estariam por vir. Afinal, o fim de semana só estava começando e nesse último domingo, dia 07 de março, ainda teríamos (alguns de Coimbra e os amigos dela de Valência) o casamento da Lorena (mexicana) com o Francisco (não o colombiano Paco, mas o português que não é do mestrado!). E nos fez realmente bem, pelo menos às meninas, depois de toda aquela loucura, passarmos umas horinhas cuidando de nós e ficando lindas para uma festa tão bonita! E quem me conhece, também sabe que eu adoro essa movimentação de salão de beleza, unhas, cabelo, maquiagem, etc. (bom, por pouco os meus dedos não foram arrancados pela manicure-açougueira que eu encontrei, mas tudo bem).
Passamos um domingo descontraído, nos divertimos muito e tivemos a oportunidade de conhecer mais uma tradição portuguesa (nunca vi taaaaaanta comida num casamento, minha gente! pelamordedeus!!!). É claro também que o momento da despedida foi cruel pra mim. Já têm sido tantas nesses ultimos dois anos, mas não consigo me acostumar com elas. Com o fim do mestrado em julho, é fato que cada um de nós deve seguir o seu caminho. As amizades foram construídas e muitas permanecerão (agora que todos os meus amigos querem ir à Bahia, vocês tratem de se preparar para serem ainda melhores anfitriões do que sempre fomos!). Mas a sensação de que não sabemos quando voltamos a nos encontrar é muito difícil (refiro-me especificamente aos amigos que voltam às suas universidades de origem). Despedir-me da minha companheira de grupo da Winter School e meu equilíbrio nos momentos de stress Níbia (uruguaia), da noiva mais tranquila do mundo no meio daquela loucura Lore (mexicana), do meu querido casalzinho de afilhados que se tornaram meus grandes amigos ainda em Paris, Adri (argentina) e Jose (espanhol), foi especialmente doloroso. Óbvio que voltei pra casa com a maquiagem cuidadosamente elaborada totalmente destruída, de tanto que chorei.
A partir de agora, a sensação começa a ficar esquisita: ao mesmo tempo em que se aproxima o momento de voltar pra casa, também se aproxima o momento de me separar da família que construí aqui. Amanhã temos finalmente nossa primeira reunião para decidir onde serão os estágios e, possivelmente, não ficaremos todos na mesma cidade (só espero não ir pra nenhum lugar isolado!). Ainda essa semana recomeçamos as aulas, até o fim do mês pretendemos finalizar nossas teses, e ainda procurar onde morar e fazer a mudança (para aqueles que não ficarem em empresas de Coimbra). Assim, o mês de março promete realmente ser bastante movimentado também!
Enquanto isso, nós vamos aproveitando todo e cada segundo, como tenho feito (ou tentado fazer) desde que cheguei aqui. Hoje é níver da Sabrina (sim, Sá e Jú voltaram finalmente pra Coimbra!! Tenho minhas amigas brasileirinhas de volta, perto de mim!!) e vamos todos daqui a pouco sambar na casa dela! ;-) Amanhã é outro dia... "Logo se vê", como dizem os portugueses.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Uma "escapadinha" de Coimbra
Como o mundo não pára (e eu também não aguento ficar parada muito tempo), cheguei à Coimbra para uma parada estratégica pra rearrumar a minha malinha e, no dia seguinte, lá estava eu novamente, de partida. Às 06:15h da manhã, ônibus para Lisboa; às 10:40h, vôo para Dublin-Irlanda. Fui visitar o meu amigo Neville, ainda da época da escola, e reencontrar o meu amigo Jonas, da faculdade (o mesmo que eu encontrei em Frankfurt), que se casou no dia 30.01 com a Anna! Detalhe: fui mesmo "escondida", já que aqui não gostam nada quando os bolsistas saem da cidade, muito menos quando saem do país, durante a semana...
Logo que cheguei no aeroporto, a ansiedade era: o que é que esse povo da imigração vai me perguntar??? Vesti minha cara de paisagem, com um sorriso inocente, e avancei (como se eu realmente tivesse algo a temer ;-)... Mas nunca se sabe, depois de todas as histórias que ouvimos com os brasileiros... Bom, o rapaz qu
Rapidamente, reencontrei o meu amigo do outro lado, me esperando. Sim, reencontro, praticamente 8 anos depois, desde a época em que saímos da escola... Mantivemos contato pela internet por um tempo, retomamos recentemente, mas o que essa vida de expatriado não faz, nada mais faz. De repente, todos os nossos conhecidos, novos ou antigos, tornam-se amigos de anos e ajudam a nos reconhecermos e identificarmos como do mesmo lugar... E passamos os três dias seguintes passeando pela cidade, indo aos pontos principais (bom, realmente não há nada tãããão turístico, mas a cidade é bonita e, acima de tudo, com movimento!!). Estava frio, mas nada tão insuportável como eu tinha imaginado (na dúvida, fui logo vestida com minhas botinhas de neve, três calças e três blusas, mais o casaco ;-). No domingo mesmo, encontramos o Jonas, a esposa Anna e a mãe d
Bom, perguntei ao meu "guia" particular o que eu precisava experimentar típico da Irlanda. A resposta: se eu estava num pub, mesmo a festa sendo brasileira, eu tinha que experimentar a cerveja Guinness, claro! Ok, lá fui eu pegar uma Guinness. Um copo enoooorme de meio litro! A sede era tanta que até comecei a beber. Quem me conhece sabe como eu "gosto" de cerveja... Mas bebi assim mesmo, e quando vi, tinha bebido toda! Muito bem, pelo menos não estava sozinha...
Mas, se arrependimento matasse... Cheguei em casa super bem, mas já meio lerdinha, só queria dormir. E fui. No meio da madrugada, acordei com um enjôo insuportável, fui beber água e demorei mais uma hora pra conseguir pegar no sono de novo. De manhã, ainda passei o dia meio enjoada e sem nem querer ouvir falar o nome daquela cerveja! Tudo bem, nunca fui boa bebedora mesmo...
O tempo em Dublin é meio esquisito, chove, faz sol, neva, tudo em questão de minutos. E eu presenciei tudo isso, mudanças surpreendentes e repentinas... Fomos às avenidas principais, à Christ Church (catedral construída abaixo do nível do solo, para ser apreciada a partir do rio Liffey), ao Writters Museum, ao National Museum (museu de história e arqueologia, onde havia artefatos celtas, vikings, etc), à região do Temple Bar (de 1656), ao Phoenix Park (o segundo maior parque urbano do mundo), à Trinnity College... Não necessa
Da cidade fundada pelos vikings, originalmente chamada "Dubh Linn", ou Lagoa Negra (embora haja controvérsias quanto a essa tradução), o último reduto do mundo celta na Europa, vou guardar a aura mágica, esperando que o trevo de três folhas (sim, aqui são mesmo três e não quatro folhas o que dá sorte, e foi escolhido por St. Patrick como símbolo da Santíssima Trindade), o Leprechaun dos contos medievais (o duende que esconde um pote de ouro), e todas as fadas que eu possa ter visto ou não por lá, estejam sempre guardando boas surpresas e muita sorte para todos ;-)
Aliás, acho que a partir de agora, vou mesmo precisar! Daqui a pouco mais de uma semana, começa o Winter School e, portanto, devo "sumir" até meados de março (quando começa a corrida pelos estágios). Depois, acredito que o tempo vai voar (e eu, até o momento, vôo pro Brasil dia 03 de agosto!). Não sei, nem sei se quero saber o que me espera pela frente, mas aproveitar ao máximo é o que nos resta!