sábado, 22 de novembro de 2008

Um símbolo do meu caminho...


Um resumo rápido dos últimos dias: consegui sair quatro dias de Coimbra, voltei ao ritmo da realidade, encontrei os amigos do mestrado em um jantar no dia em que o Brasil marcou 6x2 contra Portugal no futebol, comi crepe feito pela Filipa e mostrei a amigas portuguesas o que é o brigadeiro.

No fim de semana passado, como tive dois dias sem aulas, resolvi que ia relaxar. Assim, passei quatro dias tentando nem pensar nos estudos (embora o computador estivesse comigo e de vez em quando eu tentasse atualizar alguma coisa). Fui visitar minha amiga Isa (a mesma que fez a moqueca de peixe aqui em casa, algumas semanas atrás), que mora em Setúbal. Além da sua cidade, conheci Lisboa, Tróia, Cascais… Correria total! Comi pastel de Belém e torta de Azeitão, direto da fonte (nas pastelarias originais, de mais de cem anos atrás), fui ao cinema, ao festival de chocolate, comi porco preto (e não é que é bom?), peixe na brasa (feito pela vó Alice, originalmente do Filipe, namorado da Isa, mas adotada por todas nós). Tudo uma delícia! Foi pouco tempo pra tanta coisa, mas o suficiente pra deixar um gostinho de quero mais! E com certeza, ainda voltarei em cada um desses lugares! De repente, no verão, porque as praias são lindas e, com o frio que já está fazendo agora no Outono, não pude aproveitar tanto assim.

O dia do jantar do mestrado, em que reunimos alunos e professores da área da psicologia organizacional, do trabalho e dos recursos humanos, foi um show à parte! Como se não bastasse a animação da “malta”, ainda tinha jogo Brasil x Portugal. Quem me conhece sabe o quanto fico enlouquecida assistindo aos jogos da seleção, mas prometi me controlar, afinal, era a primeira vez que assistia no território “adversário”. Mas o clima foi muito bom o tempo inteiro! Talvez porque as pessoas não fossem fanáticas por futebol, ou porque não foram os brasileiros que perderam, ou porque estávamos todos entre amigos… Era troca de camisas entre brasileiro e português, brasileira ensinando samba a portugueses, a malta toda dançando e fazendo trenzinho no restaurante (praticamente fechamos o “recinto” só com a nossa turma).

Como aqui a vida tem sido de comilanças (não é à toa que entrei correndo na academia e na dança, pra ver se engordo menos), reunimo-nos novamente na casa da Sá e do Léo para fazermos crepes! Quer dizer, a Filipa fez, nós tentamos aprender. Mas pelo menos colocávamos os recheios! Como eu não podia ficar parada, saciei o desejo das meninas desde que cheguei aqui: experimentar brigadeiro! Alguém consegue imaginar pessoas que nunca comeram brigadeiro? Muito menos da panela? Eu não podia deixar que isso continuasse assim. Era uma questão de honra! E é claro que todos gostaram! ;-)

Mas agora quero voltar ao começo. Mais especificamente ao dia das minhas andanças na praia da Península de Tróia, situada em frente a Setúbal, para onde temos de atravessar de ferry-boat. Era mesmo um dia lindo, como vocês podem ver na foto, mas bastante frio também. Caminhávamos pela areia sem coragem nem pra tirar os sapatos… E ao mesmo tempo eu pensava… Pensava em todos, sentia a brisa gelada que vinha do mar, os raios de sol que tentavam esquentar. Novembro é um mês movimentado na minha família. Mais um dia especial se aproxima… E naquele momento era nisso que eu pensava: o que fazer para estar de alguma forma presente no aniversário do meu pai? Avistei uma concha. Abaixei, peguei, limpei e Isa me disse: “é uma vieira”. “Como?” “Essa concha é uma vieira” “Mesmo? Engraçado, o sobrenome do meu pai é Vieira!” Guardei a concha e fiquei pensando. Não que seja incomum encontrar esse tipo de concha por aqui, muito pelo contrário. A questão foi somente a “coincidência” de, mesmo não sendo entendedora desses assuntos, tê-la encontrado, tão bonitinha, justamente quando pensava no que fazer. Ali, então, eu já sabia como me faria presente, pai. Trouxe-a de volta pra Coimbra comigo. E olha que ela passeou por todos os lugares em que estive naquele fim de semana (tendo vindo de Tróia, foi comigo necessariamente pra Setúbal e, como só voltei pra casa depois de ir a Cascais e à Lisboa, ela me acompanhou durante todo o percurso). Aqui, descobri o grande simbolismo em torno dessa concha: trata-se de um símbolo do peregrino, que apanhavam a vieira no litoral da Galiza e levavam como prova e recordação da peregrinação. Inúmeras histórias são contadas sobre como à vieira foi atribuído tal significado.

Uma delas diz que, quando o barco com o corpo do apóstolo Tiago chegou à Galiza vindo da Palestina, o mar encontrava-se revolto e tempestuoso, ameaçando arremessá-lo contra os rochedos da costa. Um homem que cavalgava junto ao mar, ao perceber a situação, avançou com seu cavalo tentando salvar os navegantes. Entretnato, o mar violento acabou derrubando-o e, vendo-se perdido, o homem evocou os céus para sua salvação. Baixou, então, a calmaria sobre o mar da Galiza, a embarcação e o cavalo foram empurrados pelo mar para a praia, sendo todos salvos. Observaram que o cavalo vinha coberto de um tipo de conchas conhecidas por “vieiras”.

Uma outra versão remonta ao ano 1532, em que um príncipe vinha cavalgando de terras distantes com o objectivo de conhecer e orar frente à tumba do Apostolo Santiago quando teria sofrido um ataque de uma serpente. O seu cavalo pôs-se a galope em direção ao mar. O príncipe, então, prestes a se afogar, entregou sua alma a Santiago. Minutos depois, seu corpo teria emergido das águas totalmente coberto de conchas de vieira.

A origem mais lógica parece derivar-se do fato de que os peregrinos que regressavam de terras distantes deveriam mostrar aos seus familiares e amigos alguma prova ou símbolo que testemunhasse terem cumprido com êxito a sua peregrinação até Compostela. Como o mar era um grande desconhecido dos europeus que habitavam a parte central e o Santo Sepulcro de Santiago estava perto da costa, os peregrinos levavam, então, uma concha como recordação e testemunho da sua peregrinação.

Assim, as conchas da vieira foram se tornando um símbolo característico daqueles que percorrem as caminhadas das peregrinações a Santiago de Compostela. Hoje é possível vê-las penduradas nas mochilas dos peregrinos que vão à pé ou de bicicleta, nas roupas, capas, chapéus… É como se ela representasse proteção e busca de conhecimento. Diz-se, inclusive, que devemos devolvê-la ao mar depois de termos feito o caminho, como forma de agradecermos a proteção e representar que o conhecimento adquirido não é só nosso mas de todos.

O Caminho de Santiago ainda não fiz, embora pretenda em breve. Mas a minha rota rumo ao desconhecido já começou. A minha “primeira vieira”, que em breve chegará às suas mãos, eu ofereço a você, pai, pelo seu aniversário, (25/11) como agradecimento pelo seu amor e proteção, como forma de compartilhar o que estou conhecendo e aprendendo, como prova de que aqui estou e de que aí sempre estarei. Te amo muito!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O dia 08 de Novembro na História…


1763 - Nascimento de José Bonifácio, o patriarca da independência.
1793 - É aberto ao público o museu do Louvre, em Paris.
1799 - Nascimento de Evaristo Pereira da Veiga e Barros, autor da letra do Hino da Independência do Brasil.
1799 - Executados quatro líderes da "conjuração baiana" que pregavam o fim do absolutismo no País.
1817 - O Brasil devolve a Guiana à França.
1822 - Batalha de Pirajá: primeira vitória brasileira contra portugueses.
1883 - Inicia o mandato presidencial do general Luis Bográn em Honduras.
1895 - É descoberto acidentalmente que raios X servem como ferramenta vital no diagnóstico e tratamento de doenças.
1905 - Soldados da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio, se rebelam contra os maus-tratos e matam um major, um tenente e um sargento.
1923 - Hitler dirige a intentona conhecida como putsch de Munique.
1926 - Um tufão devasta a ilha filipina de Luzón e causa a morte de 175 pessoas.
1933 - O rei do Afeganistão, Nadir Sha é assassinado no Palácio de Cabul.
1933 - É reprimido em Cuba um movimento revolucionário para restabelecer o governo de Carlos Manuel de Céspedes.
1933 - Nasce Alain Delon, ator francês de cinema.
1934 - Morre no Rio de Janeiro o cientista Carlos Chagas, médico e sanitarista que descobriu o protozoário causador da Doença de Chagas.
1939 - Adolf Hitler sobrevive a um atentado em Munique.
1949 - Camboja obtém a sua independência.
1960 - John F. Kennedy vence por mínima diferença de votos o seu rival Richard Nixon, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.
1965 - Nasce Matthew Biondi, nadador norte-americano vencedor de sete medalhas olímpicas.
1966 - O Papa Paulo VI autoriza uma publicação católica-protestante da Bíblia.
1969 - É implantado o Sistema de Discagem Direta à Distância (DDD) entre Porto Alegre e São Paulo.
1984 - O Congresso Nacional aprova o Estatuto da Microempresa, que beneficia em todo país estabelecimentos com até 10 empregados.
1986 - Na América do Sul, o primeiro transplante cardíaco feito em uma criança é realizado no Brasil: Karina Dal Rovere é operada aos sete anos.
1988 - O republicano George Bush é eleito presidente dos Estados Unidos.
1988 - Nas eleições presidenciais em Porto Rico triunfam o governo do partido Popular Democrático e seu candidato a reeleição, o governador Rafael Hernández.
1994 - É instalado em Haia, na Holanda, um tribunal internacional para julgar crimes de guerra ocorridos na antiga Iugoslávia.
1996 - Cerca de mil pessoas morrem na Índia por causa da passagem de um ciclone, com ventos de 200 quilômetros por hora.

Mesmo não constando na lista dos acontecimentos mais importantes para a História do Brasil e do Mundo, há um 08 de Novembro que deixou a sua marca na história de alguns mundos… Em 1953 nascia alguém especial, que transformou vidas, experiências e papéis. Filha, irmã, amiga, mulher, trabalhadora, tia, madrinha, esposa, mãe, enfim, Ela.
Aquela que me ensinou a ser “grande”, que me obrigou a aprender coisas que eu achava “insignificantes” e que hoje eu vejo o quanto são importantes, que me incentivou a seguir em frente mesmo com o coração partido. O espelho, o exemplo, o abraço seguro, o sorriso confiante, o olhar expressivo e tranquilizador, a palavra de conforto.
No seu aniversário, tudo o que eu mais desejava era, como nos 24 anos anteriores, estar ao seu lado. Mas você sabe que a distância não impede que eu dê um jeitinho de estar presente… Muitos anos virão, muita História ainda será construída, muita vida será compartilhada! E o nosso amor, sempre maior que a saudade, permanecerá eterno, assim como a felicidade que eu te desejo neste dia. Te amo, mãe!