domingo, 19 de junho de 2011

Bruxa, Fada, Anjo, ou o que preferir...

Esse post é um presente. Não exatamente uma promessa, mas vou oferecer à pessoa que o desencadeou. Não exatamente a que o inspirou, mas a que acendeu a primeira fagulha e fez com que eu desse um jeito de acender o fósforo, depois desses meses. É um presente, como retribuição de um outro presente. Um livrinho. Pequeno, simples, despretensioso, e que foi escrito como resultado de uma promessa. No meu caso, como o livro demoraria bem mais de sair, escrevo um post, que por si só, levou exatos três meses para vir à tona. Não que eu tenha demorado todo esse tempo escrevendo, na verdade, só algumas horas, entre vais-e-vens no computador…

Não havia nenhuma novidade naquele livro, com metáforas interessantes e uma atmosfera otimista. Alguns poderiam pensá-lo como uma espécie de "auto-ajuda", mas para mim era apenas uma narrativa, de uma conversa entre duas pessoas. No entanto, nada que não seja bom de “relembrar” de vez em quando. Foi quando terminei de o ler que pensei se estava mesmo colocando em prática tudo aquilo em que eu já acreditava e procurava praticar, e que vi ali escrito (e não só ali, pois de repente, resolvi reler alguns dos posts antigos, desde o primeiro, ainda em 2008, e, me revisitando, reconheci em mim algumas daquelas palavras do livrinho).

Por exemplo, ver todas as coisas com que nos deparamos e que nos acontecem por diferentes perspectivas. Para não entrar em muitos detalhes (íntimos e desnecessários), tomemos somente o fato de eu ter passado tantos meses sem dar as caras por aqui, depois de ter me dado ao trabalho de repaginar e de dar um novo título ao blog. Poderia ser preguiça (mental e/ou física) de escrever, o desejo de dedicar o tempo a outras atividades (físicas, laborais, lazer) ou mesmo ao ócio, um grande aumento na quantidade de afazeres, a maldosa rotina (aquela que usamos como máscara para tudo aquilo que não temos coragem de fazer), a falta ou o excesso de grandes acontecimentos (ou mesmo pequenos, mas marcantes), uma (des)motivação pontual ou generalizada para o que quer que seja, a vontade de tirar do papel (ou, neste caso, das telas do computador) e realizar… Poderíamos continuar infinitamente a enumerar possíveis razões. Não há certo, nem errado, apenas diferentes maneiras de se ver a coisa. O que importa realmente é mantermos essa capacidade de ver sempre “outros lados” da mesma moeda.

Uma das metáforas de que gostei particularmente no livrinho foi a ideia de que deveríamos levar a vida como turistas. E como assumi esse como um papel oficial na minha vida desde que experimentei o gostinho pelas viagens, identifiquei-me prontamente. Afinal, quando viajamos, “fazemos de tudo para a nossa viagem ser agradável, passeamos pelos locais mais bonitos, experimentamos as novidades e carregamos apenas o essencial, porque sabemos que estamos apenas de passagem, que cedo ou tarde iremos embora”. E na nossa vida, será que é mesmo assim que agimos? Confesso, mesmo intuitivamente, até tenho tentado. Mas não sempre. Estamos já acostumados a buscar o “ter”, o acumular, o alcançar mais, o construir melhor. Mas em que sentido? Acho que está mesmo aí o segredo… E ainda nos surpreendemos quando encontramos quem pense diferente. Porém não negamos que muitas dessas raras pessoas, capazes de transformar e de se transformar, tenham um efeito impressionante na gente (exerceríamos nós também essa nossa propriedade?).

Engraçado que no mesmo dia em que terminei de ler o livrinho, havia assistido a um filme (o belíssimo “A Fonte da Vida”, de Darren Aronofsky, de “O Cisne Negro” e “Requiem para um sonho”), que, dentre outras coisas, me fez refletir justamente sobre a capacidade que temos de enxergar sob diferentes pontos de vista, ainda que em situações limite teimemos em permanecer restritos a um deles. Em seguida, aparecem amigas essenciais, com as quais surgem conversas despretensiosas, mas com um poder igualmente transformador.  É claro que precisava registrar. Acredito que as coisas não são por acaso. E, voltando ao livrinho, “demolir nossos castelos mentais permite-nos evoluir, pois quando um é derrubado podemos construir outro melhor com a experiência adquirida”.

Como boa cinéfila que sou, há dois dias assisti também a “Meia-noite em Paris” (Woody Allen), o que pra variar, me fez sair do cinema com um misto de sentimentos e sensações. Saudosismo (de tudo e de todos), encantamento (tanto brilho, tanta luz…), desejo de voltar a estar lá e a viver lá (talvez em outras circunstâncias), o ritmo das caminhadas ao longo do Sena (sempre com conversas amenas e fotografias valorizadas), as cores de Monet no seu próprio jardim e nos museus da cidade (definitivamente, ele é o meu preferido), o gosto do primeiro chocolate quente em Trocadéro e das noites regadas a champanhe (que meus amigos gentilmente misturavam com sorvete de limão ou suco de laranja para que eu os acompanhasse por mais tempo – e não digam que era um crime: a mistura fica muito boa e a champanhe lá é mesmo muito mais barata!)…

Com tudo isso, as pessoas me perguntam por que voltei. E voltemos à questão do princípio, vejamos as coisas por vários pontos de vista. Podia ser por falta de opção, por medo de ficar, porque meus amigos já se iam todos embora, mas também porque precisava viver mais um tempo em Coimbra, reencontrar pessoas, conhecer algumas novas, mudar-me para Lisboa, viver mais algumas experiências, começar a trabalhar onde hoje me encontro, retornar ao Brasil, aprender a reconstruir, me readaptar, conhecer mais gente, etc etc etc. Como disse lá acima, não vou me detalhar muito. Mas tenham certeza, estou feliz por ter voltado (pelo menos, por hora), por uma série de outros motivos que poderia listar, mas que não vêm ao caso neste momento.

Onde e como quer que eu viva, quero fazê-lo por minha própria escolha, com as pessoas que realmente fazem a diferença na minha vida, sendo titular do meu próprio time, e não apenas vendo-o jogar. Novamente, vendo as coisas por diferentes pontos de vista, vencendo ou não, é mesmo mais divertido quando a gente participa, realmente joga (e se joga), faz aquilo que tem vontade, consegue motivar toda a equipe a jogar (e, sobretudo, a se divertir) junto.

É por isso que agradeço pelo presentinho atrasado de aniversário. Por mais simples e despretensioso que fosse, retrata pessoas inesperadas que surgem em nossas vidas, coisas inesperadas que podemos (e devemos) fazer de vez em quando para temperá-las, e momentos especiais que podemos viver se estivermos com todos os sentidos bem “abertos”.

P.S.: O “livrinho” mencionado, como tenho carinhosamente chamado, é “O Livro da Bruxa” (Roberto Lopes), que se encontra esgotado para vendas, mas é facilmente encontrado na internet. A sua proposta, realmente, não parecia ser tornar-se um best-seller, afinal seu autor não se pretendia um escritor. Trata-se mesmo de um presente para aquela que ele chamou carinhosamente de "bruxa", que sob diferentes pontos de vista, poderia ser uma fada, um anjo, “simplesmente” uma pessoa especial. Eu dedico esse post à(s) minha(s) que, com certeza, sabem quem são.