Agora sim. O semestre letivo acabou e levou junto a loucura em que eu me encontrava. Podem me chamar agora de “ex-senhora-estatística”. Pelo menos por enquanto não quero saber dela. E, finalmente, ou melhor inicialmente, escrevo o primeiro post "digno" do meu blog esse ano!
Há pouco mais que uma semana, o mundo inteiro (inclusive eu, no meio da bagunça de papéis, números, rotações, tabelas e análises estatísticas) voltava-se mais uma vez ("pra variar") para os acontecimentos da "terrinha do Tio Sam". Mas, dessa vez, era diferente. Havia sentimentos de esperança nas pessoas. E tudo em torno de um único homem. As manchetes dos principais jornais referiam-se ao discurso do "homem que vai mudar o mundo", "aquele que vai orientar as ações do planeta", etc. etc. O Nobel português José Saramago, em seu próprio blog, questionou "Donde saiu este homem?"…
Um homem negro no "topo do mundo" representa a vitória de um homem que, em meio ao caos, evoca valores e participação coletiva na transformação da sociedade, materializa a esperança das minorias e a oportunidade de mudança para uma maioria acostumada a comandar o destino de outros.
Mas é ainda um homem.
Concordo com Saramago (e com o próprio Obama). Há mesmo muitos desafios pela frente: acabar com as guerras, ultrapassar a crise, preservar a vida no planeta. "Só" isso e mais "alguns detalhes", pra começar. As expectativas messiânicas que recaem sobre este homem a mim soam exageradas. É verdade que todos esperamos dele o melhor, mas como ser humano, também devemos compreender os seus limites. E quando me refiro a limites não quero dizer que, ao contrário do que o próprio Obama dissera no seu discurso, nos deixemos enganar.
Podemos tolerar falhas e limites de um ser humano, mas não devemos admitir um fracasso encoberto por um discurso enganoso, como disse Saramago. Pois é, Obama, todos os olhos estão sobre você agora, então, cuidado com seus passos…
Esperemos que, mais que um líder carismático, capaz de despertar o respeito, a admiração e mesmo a idolatria daqueles que nele acreditam, este homem seja um líder transformacional, que motive todos os que dizem compartilhar dos seus ideais a direcionar suas atitudes e ações em prol do bem comum (tudo bem, fiz direitinho o trabalho sobre liderança esse semestre, então, os conceitos ainda estão “fresquinhos” na minha cabeça). Tentando manter a fé pelo que diz em seus discursos (e, vindo de um presidente americano, muitas vezes me emociona), a mim parece ser essa última a sua intenção, mas só a prática é que vai realmente nos mostrar (aliás, como acontece com a vida política em todos os lugares).
Será mesmo um único ser humano capaz de governar o destino do mundo? Admito que, enquanto presidente do país “mais poderoso dentre os poderosos”, a influência não é pequena… Porém, mais ainda, acredito que esse papel é de cada um de nós. Independente de nacionalidade, raça, cor ou credo. Essa expectativa sobre Obama representa a necessidade que as pessoas têm de acreditar em seus governantes e de confiar que suas palavras serão mesmo cumpridas. Tendo vivenciado essa experiência pessoalmente, o novo presidente americano tem agora a oportunidade de compartilhar com o mundo uma forma comum de construir a mudança e mostrar que uma nova realidade é possível. Acompanhemos tudo, mas não como meros espectadores. É do Nosso Mundo que estamos falando, então sejamos personagens ativos dessa História!