"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata."
Engraçado... Sempre utilizo as citações de Clarice (Lispector) ao longo dos meus dias, nas redes sociais de que participo (leia-se "facebook"), mas um dia me perguntaram: "Que livro dela você indicaria para um principiante?". E apesar de adorar a autora, me dei conta de que só tinha lido dois livros (um deles para o vestibular e outro era uma coleção dos seus contos selecionados por pessoas famosas). Que tipo de fã eu sou, hein? Aproveito para registrar, se alguém quiser me dar um presentinho fora de hora: o livro "A decoberta do mundo" é bem-vindo!
É ainda mais engraçado como me identifico (e não sou a única, sem dúvida) com tudo o que sei que veio dela. A cada dia encontro algo que parece cair como uma luva sobre mim. Porque, como a mesma pessoa que me fez essa pergunta identificou (e vejam só, posso dizer que era um homem e de um país que não fala português, apesar de entender bem o idioma), Clarice consegue exprimir tão bem a alma e a condição humana...
E, neste exato momento, percebo que a minha alma está saindo de um estado de hibernação, cheia de curiosidade pelo que pode estar por vir. Curiosidade pela vida, pelo mundo, pelos sentimentos... Não deixa de hesitar (ela sempre teve esses momentos de fraqueza, chega mesmo a ser medrosa em algumas situações), mas se tem uma coisa que não mais permite é se dominar pelo medo. E tornou-se tão teimosa que hoje realmente não deixaria nada a impedir de experimentar algo novo, por mais que doa no princípio, ou no meio, ou no fim. Quer viver, quer aprender, quer conhecer, e SER.
Nunca lidou bem com incertezas, mas tem aprendido a conviver e a lidar com isso em todas as esferas (pessoais, profissionais, sentimentais, etc.); foi criada para o convencional, mas a cada dia tenta se ver e se colocar mais "fora da caixa" e com pessoas na mesma situação; gosta de fazer o que quer e não suporta rotina, mas também aceita a obrigação e as necessidades do dia-a-dia. Aprende em doses homeopáticas (e com a ajuda necessária) a se tornar mais paciente e confiante, a acreditar verdadeiramente no que há de bom nas pessoas e no mundo, e a descobrir o que há de bom em si mesma e que desperta o olhar do "outro".
Esse outro que ainda é um ponto de interrogação, com possibilidades de se tornar uma exclamação, um ponto de continuação, um traço de ligação, tudo ao mesmo tempo, e ainda voltar ao ponto de partida. Ainda não se sabe... Mas pra que saber? Ô alma impaciente essa minha! Ô alma desconfiadinha... Calminha!! Precisa mesmo aprender a se deixar levar, a não planejar tanto, a sonhar com os pés um pouco fora do chão de vez em quando. Até tentou, não teve muita sorte, mas vocês sabem, desistir não é seu lema. É sempre preciso um tempo para se reestruturar (a tal hibernação que comentei no início), mas quando menos se espera, o inverno acaba (pra quem mora nessa cidade, ele nem chegou, mas como num dos posts anteriores, ele não necessariamente segue a ordem cronológica dentro da gente - nossas "almas" que o digam!).
Pois a alma minha segue em busca. Não sabemos ao certo do que, mas sabemos que vai encontrar. Quer dizer, ao que parece, será encontrada. Ou ambas as coisas. Ou já foi, há muito tempo, e nem sabia... O que importa é que, como dizia Clarice, a vida, o amor, têm que ser vividos até a última gota, sem medo. Não mata. Mesmo. Não mata. Pelo contrário, fortalece.