sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Se, Quando, Enquanto...

Estive pensando esses últimos dias… Será que está na hora de mudar o nome do blog? Afinal, dois anos atrás, quando escrevi o primeiro post, não parecia existir nome mais apropriado do que Route de l’inconnu (Rota do Desconhecido). Mas, e agora? Será que ainda faz sentido?
Bom, se tem uma coisa para a qual tenho tido tempo ultimamente é de pensar. Se vivi a fase do “Se”, do “Quando”, agora vivo a fase do “Enquanto”. Enquanto me readapto, enquanto me reoriento, enquanto vejo e revejo as pessoas, enquanto busco novas formas de vida, enquanto reconheço os lugares, enquanto…
Enquanto, conjunção subordinativa temporal, significa “durante o tempo em que”, “ao mesmo tempo que”. E, enquanto a mudança é elaborada (porque já dizia nosso amigo Heráclito, essa é mesmo uma das únicas constantes em nossa vida), o mundo continua a girar, a vida continua a acontecer. Isso porque não se pode mais perder tempo pensando no “Quando” ou no “Se”. Independente de como as coisas aconteçam, inesperadas ou não, desejadas ou não, planejadas ou não, é no famoso “aqui e agora” que precisamos estar presentes.
Mais do que imaginar como será a vida daqui a um mês, três meses, ou um ano, onde vou estar ou com quem vou estar, tenho tentado vivê-la a cada dia, aproveitar os que estão perto (pessoal ou virtualmente), e assumir a responsabilidade pelas minhas escolhas. E, por mais cliché que possa parecer, é mesmo quando assumimos as consequências de tudo o que decidimos (ou mesmo daquilo que optamos por não decidir) que passamos a lidar melhor com o mundo à nossa volta. Aliás, esse tem sido um tema recorrente em conversas inicialmente descomprometidas e despretensiosas, mas que, surpreendentemente, se tornaram parte essencial dos meus últimos dias.
Como costumo dizer de uns tempos para cá, e por experiência própria, a vida pode ter várias cores, pode ter uma só, ser cinzenta ou em preto e branco, tudo depende do nosso ponto de vista. E da forma como decidimos enxergá-la. Como boa psicóloga que sou (e, mais uma vez, por experiência própria), é claro que reconheço que nem sempre é fácil enxergar o mundo colorido, ou ver oportunidades onde a maioria das pessoas tende a ver problemas. Muitas vezes precisamos de uma “ajudinha”. Por vezes, através de um acontecimento, uma situação qualquer, de um amigo(a), um companheiro(a), um colega de trabalho, ou mesmo de um profissional. Mas, a verdade é que ela pode surgir de onde a gente menos espera (basta estarmos abertos para sabermos aproveitá-la).
E, no momento em que conseguimos ver a realidade de maneira mais leve, conseguimos também transformá-la. Só não podemos ficar à espera de algo ou alguém para que isso aconteça. Vivemos e (re)descobrimos as cores da vida enquanto transformamos a nossa realidade e construímos a nossa experiência enquanto vivemos.
Passada (ou iniciada) a divagação filosófica, voltemos ao motivo deste tópico. Chegamos a uma grande interrogação nesse momento (é claro que enquanto isso, vou resolvendo uma série de outras coisas)… Será que o nome do blog ainda corresponde à realidade?
De certo modo, posso dizer que sim. Por mais que conheçamos o destino da nossa viagem, a estrada sempre nos apresentará algo inesperado, com o qual nunca lidamos antes, enfim, o desconhecido. E, por mais que voltemos ao “ponto de partida”, já não somos os mesmos. Já conhecemos outras cores, já vemos o mundo de outra forma. Hoje, procuro escolher as cores com que quero ver o mundo (embora, como tudo na vida, elas vão mudando e se acrescentando à medida que conheço novas), tendo sempre em mente que dessa escolha dependerá o resto do meu dia. Se vou lidar com problemas, oportunidades e/ou soluções, é mesmo uma escolha minha e só minha.
Por outro lado, se já não sou a mesma, o blog provavelmente também não é, nem voltará a ser. Possivelmente, as temáticas também mudarão (se já não mudaram), os personagens e companheiros de estrada vão se alterando, a trilha sonora evoluindo. Já não somos os mesmos (o blog e eu), mas isso não significa que deixemos de ser quem somos. Um instrumento de “partilha”, uma “menina” crescida, um espaço de “catarse”, uma mulher em “desenvolvimento”. Assim, se ainda sou eu, mesmo diferente, também ele será ele, mas igualmente diferente.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

De volta à São Salvador da Bahia...

Parece que se passaram semanas, mas faz apenas 2 dias que cheguei. Na verdade, antes mesmo de eu chegar, a Bahia foi até mim. Especificamente no dia 11 de julho, quando minha mãe e minha tia desembarcaram no aeroporto de Lisboa. Ali começava uma grande aventura, em inúmeros sentidos, para todas nós. Um misto de sentimentos e emoções: o reencontro depois de quase um ano, a expectativa pela primeira vez na Europa, o sonho de estarmos juntas naqueles lugares lindos.
Mas, antes disso, é preciso voltar um pouco mais no tempo... Primeira semana de julho, em meio aos poucos jogos em que o Brasil participou na Copa do Mundo, uma aula prática e intensiva de jogos em equipe durante 3 dias, a consequente despedida dos amigos de uma vida em dois anos, realização e entrega de trabalhos e relatórios finais, últimas providências burocráticss, arrumação de malas, tudo ao mesmo tempo.
Nunca fui boa mesmo em despedidas e está aí uma coisa que não consigo desenvolver com a experiência. Não pretendo me acostumar com elas. De todo modo, muitas vezes, não podemos evitá-las. E assim foi. Na despedida do grupo, não me lembro de alguem ter chorado mais que eu naquela noite em que até o poema "É tempo de partir", de um ex-estudante de Coimbra, a Filipa resolveu ler pra me fazer derramar ainda mais lágrimas(Francisco e a camisa dele que o digam). Depois, a Sabrina. Vê-la partir no táxi, voltar pra casa e não encontrar ninguém me deixou completamente arrasada (a essa altura, eu tinha dúvidas se ainda teria lágrimas depois disso tudo). Mas, graças a Deus, eu tinha o apoio de pessoas "fofas" em Lisboa! Fomos eu, o Gerardo e a Su assistir a Shrek 3D no cinema, somente porque eu precisava sair de casa e ver uma comédia que fosse.
No fim de semana, ainda fomos para Peniche, e passamos um dia maravilhoso na casa da Pipa, com a sua família, comemos churrasco, bebemos vinho, fomos à praia, conhecemos e reconhecemos a área. E foi no dia seguinte que chegaram minha mãe e minha tia lá em casa. O roteiro já estava pronto e era mais do que intenso. Mas, antes de começarmos a pô-lo em prática, ainda havia pessoas que elas precisavam conhecer. No primeiro almoço em Portugal, portanto, contaram com a presença da ala masculina do mestrado (Léo, Paco, Edu e Pedro), mais o Gerardo, nosso amigo de Lisboa. Em seguida, ainda encontramos a Tânia pra um café e um pastel de belém, para equilibrar um pouquinho ;-) Mais duas despedidas das mais difíceis se seguiriam: a do Paco e a do Léo. A essa altura eu percebi que ainda tinha bastantes lágrimas. Felizmente, eu estava acompanhada em casa e o Paco teve a oportunidade de conhecer a D. Carmem Lúcia da Bahia (como ele também já foi ao Parthenon na Grécia, só faltam agora as Pirâmides do Egito, né Paco?)! O Paco a essa altura já está instalado e se readaptando em Bogotá/Colômbia, do mesmo modo que o Léo e a Sá em São Paulo.
A partir daí, seguimos nossa viagem, começando por Coimbra (onde ainda encontramos a Pipa), Fátima e Porto (onde encontramos a Cat), em Portugal; Paris; Veneza, Verona e Roma, na Itália; e Londres (onde a Ju nos aguardava). Essa foi outra despedida que me deixou arrasada, mas com a sensação de que não duraria muito. Afinal, irmãs não conseguem ficar longe uma da outra por muito tempo, né, Ju?
De volta à Lisboa, mais uma vez, encontramos uma criatura mais do que fofinha para nos acompanhar pela cidade, nos levar pra passear, e nos equilibrar após 20 dias compartilhados 24 horas. Foi assim que em 3 dias o Gerardo (ou Geraldo, ou Gerardi, como minha mamys sempre se atrapalhava) marcou ainda mais a sua "alcunha" (e o seu espaço entre nós, só pra dificultar ainda mais a minha despedida)... Com direito à boa comida portuguesa, fado e a um show gratuito de Lauryn Hill na Praça do Comércio, despedimo-nos de Lisboa. No dia seguinte, ainda fomos à Sintra, enfrentando a neblina e o vento gelado em pleno verão e as reclamações das baianas cheias de roupa sobre o tempo esquisito para a suposta época do ano. Último dia na cidade, entretanto, era destinado a arrumação de malas. E disso realmente a gente não escaparia, porque agora era mesmo de vez. Não tinha como deixar algo pra levar depois. E assim, tínhamos ao fim do dia seis malas grandes e três bagagens de mão prontas para serem embarcadas para Salvador. Ainda passeamos um pouquinho pela cidade, e ainda arranjei um tempinho pra encontrar mais uma vez, antes de partir rumo a Salvador, o o grupo mais fantástico de Lisboa, ainda que cada dia mais desfalcado: "Gerardo e suas fofinhas", representado pelo próprio, a Su e a Lídia (além de mim, é claro).
Foram uns três dias de ansiedade "inexplicável", crises de tensão baixa, dor de barriga, insônia, taquicardia, perda de apetite, falta de ar... Tudo isso pelo luto de estar deixando Lisboa. Apesar da saudade inquestionável das pessoas, não somente a cidade iria fazer falta, mas toda a vida e da independência que eu havia construído por lá e cada uma das pessoas que, a seu modo especial me conquistaram e também se tornaram partes essenciais da minha vida. Era uma medo esquisito de voltar. E daquilo que eu iria encontrar. Mas temos que seguir sempre em frente, prosseguir sem desanimar, e assim tenho feito.
Parecem mesmo semanas, mas faz só dois dias que cheguei no lugar onde tem minha terra, meu céu, meu sol, meu mar (mesmo que não tenha visto nenhum deles propriamente ainda). Faz mesmo dois dias que tenho tentado colocar ordem em tudo, ter a sensação de que já estou num espaço meu e organizado. Estou quase acabando, mas tenho certeza de que essa fase ainda vai durar um tempinho. O estranhamento não é pouco, as incertezas também não. Assim como a saudade (agora de lá e das pessoas que ficaram e que eu ainda sinto por perto). Mas ainda alimento a esperança de que tudo não passará de uma fase, de que brevemente terei meus planos em andamento, de que voltarei logo logo a ver algumas dessas pessoas que se tornaram parte de mim. Agora é tempo de descanso, de férias, de viver um dia de cada vez. De descobrir e redescobrir as delícias de ser baiana, soteropolitana, de rever as pessoas e os lugares, de conhecer novos, e, assim, de se preparar para um novo e total RECOMEÇO.