Um menininho danado, curioso, ativo, inteligente, feliz. Cabelos cacheados, “dentinhos” marcantes, cara de quem esteve aprontando alguma, gargalhadas descontroladas. Aquele que, havendo silêncio na casa, suscitava uma investigação conjunta sobre o seu paradeiro (provavelmente estaria brincando com fogo ou eletricidade, fazendo “experiências” mirabolantes). Também aquele que adorava desmontar os brinquedos para ver como funcionavam e nunca conseguia fazê-los inteiros novamente, vivia a fazer “artes” nas bonecas da irmã mais velha e bagunçava todo o quarto que os dois compartilhavam. Protagonistas de brigas “homéricas”, puxões de cabelo, mordidas, beliscões, tapas e pontapés. Mas também companheiros de brincadeiras e viagens ao mundo do faz-de-conta, defensores um do outro contra o perverso e enorme mundo lá-de-fora (a gente até podia brigar, mas coitado de quem se atrevesse a machucar de qualquer forma que fosse um de nós: ia ter que se ver com o outro!).
O tempo vai passando, as brigas e discussões passam a girar em torno de outros motivos (o computador que o diga, né?), a cumplicidade vai aumentando, os papéis se afirmando (consigo agora ser irmã mais velha em vez de mãe?)… O menininho danado que eu costumava fazer de boneco quando era bebê (pobrezinha da minha mãe que tinha uma paciência do tamanho do mundo para cuidar de um e enrolar a outra que queria dar banho, alimentar e colocar o irmãozinho pra dormir) , o mesmo de quem eu costumava segurar a mão para atravessar a rua (isso se ele já não tivesse escapulido e corrido na frente porque já era “grande”), cresceu. E não só na idade não. Agora é ele quem é maior do que eu!
Não faz muito tempo, estava começando na faculdade. Agora, já está trabalhando e construindo os próprios planos. E completa hoje 21 anos. Não sei se avançará ainda mais nos seus quase 1,90m de altura, mas tenho certeza, conhecendo o sangue que corre em suas veias, que muitas lutas e muitas conquistas ainda serão alcançadas (inclusive mais “juízo”! Irmão, eu não podia perder o costume, né? Tinha que honrar o papel de irmã mais velha sim!). Menos de um mês, atrás ele mesmo me disse: “Vou virar gente! Agora sou universitário, não s
ou mais ‘faculitário’”! Isso porque foi aprovado no vestibular de uma das Universidades públicas de Salvador e saiu da faculdade particular em que ele tinha começado o curso. Eu sabia, irmão, que você passaria. Você só está começando! ;-)
Incrível o que a distância pode fazer com as pessoas, às vezes. No nosso caso, tornou possível nos aproximarmos (mesmo virtualmente) e percebermos o quanto somos importantes um para o outro. Muita coisa aconteceu desde o dia em que soube que ia ganhar um irmãozinho. Apesar de todas as confusões, não seríamos o que somos hoje se não existíssemos um para o outro. Juntos aprendemos a dividir, compartilhar, argumentar e também brigar pelo nosso espaço. Juntos crescemos e guardamos recordações de uma infância simples e feliz. Hoje estamos longe, mas não separados. Pois, mesmo com todas as mudanças ao longo desses 21 anos, sempre haverá algo muito forte que nos une: o amor que sentimos um pelo outro.
Você pode ser mais alto do que eu, pode completar cem anos, mas, pra mim, você será sempre o meu irmãozinho, com cara “safada”, risada escandalosa, coração puro e ingênuo. É assim que te vejo e para sempre verei. Te amo, irmão, feliz aniversário!