sexta-feira, 22 de maio de 2009

É assim que eu te vejo...


Um menininho danado, curioso, ativo, inteligente, feliz. Cabelos cacheados, “dentinhos” marcantes, cara de quem esteve aprontando alguma, gargalhadas descontroladas. Aquele que, havendo silêncio na casa, suscitava uma investigação conjunta sobre o seu paradeiro (provavelmente estaria brincando com fogo ou eletricidade, fazendo “experiências” mirabolantes). Também aquele que adorava desmontar os brinquedos para ver como funcionavam e nunca conseguia fazê-los inteiros novamente, vivia a fazer “artes” nas bonecas da irmã mais velha e bagunçava todo o quarto que os dois compartilhavam. Protagonistas de brigas “homéricas”, puxões de cabelo, mordidas, beliscões, tapas e pontapés. Mas também companheiros de brincadeiras e viagens ao mundo do faz-de-conta, defensores um do outro contra o perverso e enorme mundo lá-de-fora (a gente até podia brigar, mas coitado de quem se atrevesse a machucar de qualquer forma que fosse um de nós: ia ter que se ver com o outro!).

O tempo vai passando, as brigas e discussões passam a girar em torno de outros motivos (o computador que o diga, né?), a cumplicidade vai aumentando, os papéis se afirmando (consigo agora ser irmã mais velha em vez de mãe?)… O menininho danado que eu costumava fazer de boneco quando era bebê (pobrezinha da minha mãe que tinha uma paciência do tamanho do mundo para cuidar de um e enrolar a outra que queria dar banho, alimentar e colocar o irmãozinho pra dormir) , o mesmo de quem eu costumava segurar a mão para atravessar a rua (isso se ele já não tivesse escapulido e corrido na frente porque já era “grande”), cresceu. E não só na idade não. Agora é ele quem é maior do que eu!

Não faz muito tempo, estava começando na faculdade. Agora, já está trabalhando e construindo os próprios planos. E completa hoje 21 anos. Não sei se avançará ainda mais nos seus quase 1,90m de altura, mas tenho certeza, conhecendo o sangue que corre em suas veias, que muitas lutas e muitas conquistas ainda serão alcançadas (inclusive mais “juízo”! Irmão, eu não podia perder o costume, né? Tinha que honrar o papel de irmã mais velha sim!). Menos de um mês, atrás ele mesmo me disse: “Vou virar gente! Agora sou universitário, não sou mais ‘faculitário’”! Isso porque foi aprovado no vestibular de uma das Universidades públicas de Salvador e saiu da faculdade particular em que ele tinha começado o curso. Eu sabia, irmão, que você passaria. Você só está começando! ;-)

Incrível o que a distância pode fazer com as pessoas, às vezes. No nosso caso, tornou possível nos aproximarmos (mesmo virtualmente) e percebermos o quanto somos importantes um para o outro. Muita coisa aconteceu desde o dia em que soube que ia ganhar um irmãozinho. Apesar de todas as confusões, não seríamos o que somos hoje se não existíssemos um para o outro. Juntos aprendemos a dividir, compartilhar, argumentar e também brigar pelo nosso espaço. Juntos crescemos e guardamos recordações de uma infância simples e feliz. Hoje estamos longe, mas não separados. Pois, mesmo com todas as mudanças ao longo desses 21 anos, sempre haverá algo muito forte que nos une: o amor que sentimos um pelo outro.

Você pode ser mais alto do que eu, pode completar cem anos, mas, pra mim, você será sempre o meu irmãozinho, com cara “safada”, risada escandalosa, coração puro e ingênuo. É assim que te vejo e para sempre verei. Te amo, irmão, feliz aniversário!

sábado, 9 de maio de 2009

Je t'aime, Maman!

Instinto materno é mito?

Fabiana Mascarenhas, do A TARDE

09/05/2009

Há quem diga que não existe relação mais fiel, forte e duradoura como é a ligação entre mãe e filho. Prova disso é que, em muitos casos, basta um olhar, uma observação dos gestos para que elas possam intuir que há algo de errado acontecendo com a prole. Não à toa, a frase “intuição de mãe não falha” é comum. Mas, embora alguns defendam que o amor entre mãe e filho é um instinto, uma tendência feminina nata; outros acreditam que depende, em grande parte, de um comportamento social, variável de acordo com a época, os valores individuais e os costumes. Por isso, neste Dia das Mães, o Ciência&Vida questiona: O instinto materno é um sentimento inerente à conduta de mulher ou algo que se desenvolve com o tempo? A feminista francesa Elisabeth Badinter, autora do livro Um Amor Conquistado: O Mito do Amor Materno, questiona a idéia de que o amor das mães seja inato. Longe de ser avessa a crianças – teve três filhos – para Badinter, dois fatores estão ligados à formação desse possível mito: a necessidade de assegurar a sobrevivência dos descendentes e a idealização da figura da mãe, a fim de que certa completude se fizesse sentir entre a mãe e a criança. Não se trataria, segundo ela, de instinto, pois o afeto se formaria da convivência e seria algo conquistado.

(...)

Vínculo – A sexóloga e coordenadora geral do ProSex, Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Carmita Abdo, explica que esse vínculo é fisiológico. “Quando a mulher dá a luz, ela libera na corrente sanguínea uma substância chamada ocitocina, um hormônio que potencializa as contrações uterinas. Esse hormônio é responsável por esse vínculo, é fundamental no desenvolvimento do afeto, daí a necessidade de proteger e acolher os filhos“, explica Carmita. A ocitocina é produzida por uma glândula encontrada em uma região do cérebro chamada hipotálamo – a mesma que regula as emoções. O simples toque da mãozinha ou da cabeça do bebê sobre a mama da mulher, durante a amamentação, estimula a liberação desse hormônio. Daí a explicação para a sensação de calma, satisfação e alegria que a mãe experimenta enquanto nutre seu filho.Estas reações não ocorrem nos homens, segundo os pesquisadores, porque a testosterona, que eles produzem em altas quantidades, tende a neutralizar os efeitos da ocitocina, enquanto os estrogênios femininos aumentam sua produção.

(*Reportagem na Íntegra: http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1142916)

Pois é... Biológico ou aprendido, a verdade é que é esse amor inato ou conquistado que nos constrói, fortalece e torna essas as mulheres mais importantes das nossas vidas.
A todas aquelas que vivem essa missão de gerar, amar, criar e educar um ser humano, a minha admiração. Àquelas que, mesmo não sabendo o que fazer, uma vez agindo, conseguem ser as melhores. E insubstituíveis. Que sejam todas cada dia mais abençoadas e tenham a oportunidade de ver seus filhos crescerem, voarem, voltarem e serem felizes. Que tenham sempre mais coragem para enfrentar os pequenos desafios, questionamentos e dúvidas do dia-a-dia. E que sejam muito felizes, não somente por hoje, mas por toda a vida!
À minha mãe, o amor e a saudade. O aconchego num dia de frio, o telefonema no meio da tarde, o brigadeiro da panela, a presença nos pequenos e grandes atos ao longo das nossas vidas, o cuidado em momentos difíceis, as tardes de domingo assistindo filmes "água com açúcar", o olhar, as palavras, os gestos de confiança e o reconhecimento do amor mais verdadeiro... A promessa do abraço apertado, do beijo estalado, do amor eterno, do sorriso sincero, do até logo mais breve.
Je t'aime par toute l'eternité, maman!







sábado, 2 de maio de 2009

O Abril mais movimentado em 25 anos!

Férias de Primavera entre 09 e 28 de abril. Seu grande amigo BBF vem passar as férias com você. Você vai poder apresentar-lhe Paris e ainda vão juntos, com a nova amiga argentina, para a Itália. Seu aniversário de 25 anos é bem no meio disso tudo. O que mais se pode pedir?
Primeiro, Paco me leva pra almoçar em um restaurante japonês maravilhoso, já que não estaria comigo no dia do meu aniversário. No dia seguinte, a emoção e a alegria do reencontro com Pedro (O Araújo). Como eu tinha dito, amigo, recebê-lo aqui foi um grande presente! Mas, antes de falar de aniversário, vivemos uns dias bem intensos pra cumprir nosso roteiro intitulado "Paris em 3 dias"! Bercy, Bastille, Les Marais, Quartier Latin, Tour Eiffel, Montparnasse, Parc du Louxembourg, Pantheon, Sorbonne, Notre Dame, Tour de Saint-Jacques, Champs Elysees, Arc du Triomph, Sacré Coeur, Montmartre, Moulin Rouge, Chateau de Versailles, Musée d'Orsay, Sait-Germain des Près, Saint Sulpice, Musée du Louvre. Cansou? Tá reclamando de quê, criatura? Quem foi que veio pra Paris pra dormir? Deixa pra descansar depois que voltar pra casa!!! Tudo bem, Les Invalides, Musée Rodin e o passeio no Bateaux Mouche ficam pra depois que voltarmos da Itália.
Como se não bastasse toda essa "correria", à meia-noite do dia 15 de abril, sou arrastada de pijama, cabelos molhados e despenteados pelos corredores da College Franco-Britannique, pela minha companheira argentina Adriana, seguida de perto pelo meu amigo brasileiríssimo Pedro. Festinha surpresa na cozinha! Com direito a bolo e morangoroska feitos por Adri, Francesca e Jose! Uns fofos! Passaram a tarde e a noite inteiras preparando tudo e não é que acertaram no ponto da roska? Uma delícia! Essas fotos ainda não tenho, mas prometo que divulgo depois (afinal, foi a primeira festinha de aniversário da minha vida que passei dessarumada, sem ter ido ao salão de beleza, vestindo pijama e calçando pantufas!).
Mas não pensem que acabou: à 01:30h da manhã, recebo "encomendas" de todos os tipos do Brasil, trazidas pelo próprio Pedro: presentes, doces, fotos, cartas. Mas um era especial (vocês tiveram uma amostrinha no post anterior, já que meu irmão fez o favor de "invadir" meu blog pra colocar a cartinha que eles enviaram pra mim). Além dessa cartinha, um videozinho com fotos minhas desde criança. Imaginem o quanto eu chorei. Pronto, a essa altura já eram 3h da manhã e eu iria pegar o trem das 07:30 com Pedro pra ir ao Chateau de Versailles (não podia ter feito melhor escolha, já que tinha o sonho de me ver naquele salão dos lustres de cristal... quer melhor data do que o proprio aniversario? óbvio que nos atrasamos uma meia hora, mas dormimos um pouquinho no trem ;-). E, mesmo que eu quisesse, não poderia dormir muito, pois minha familia ficou esperando até 1h da manhã no horário do Brasil para me ligar (o que significava acordar às 06:30h pra falar com eles). Mas tudo pelo abril mais movimentado desses 25 anos!!!
Ao verificar a caixinha do correio, logo cedo, mais uma surpresa: presentinho de Barcelona!!! Adorei, Ju! À noite, apesar das promessas de badalação até o amanhecer do dia seguinte, o cansaço falou mais alto: comemorei com meu travesseiro mesmo. Mas acordei a tempo de jantar com meus companheiros de viagem e receber os telefonemas dos meus queridos Léo, Sá e Matheus, de Barcelona.
Dia 16 à noite, finalmente, embarcamos eu, o Pedro e a Adri para a Itália. Três aventureiros de primeira viagem nesse país em que, segundo meu outro amigo Pedro (o Monteiro), há tantas maravilhas e os museus estão mesmo nas ruas. Destinos: Milão, Veneza, Cesena (ok, todos arregalam os olhos quando digo que fomos à Cesena, mas é que tínhamos um motivo especial pra isso!), Florença, Roma e Pisa. De cada uma, levo uma recordação e uma imagem importante, não necessariamente culturalmente falando, mas também em relação aos nossos momentos mais divertidos juntos (embora muitas mais surjam de vez em quando).
Em Milão, as "fotos valorizadas" na Galeria Vitorio Emanuelle, em frente às griffes famosas. Em Veneza, o sol que nos presenteou com um dia lindo e quente, as voltas que demos para nos encontrarmos (inclusive à noite, quando já era dificil enxergar as letrinhas pequenas no mapa), as máscaras que acabei não comprando, mas que me fascinaram! Em Cesena, o reencontro com meus amigos queridos de Coimbra: Tânia, Cat e Pedro. Não podíamos ter tido melhor recepção e acolhimento, com direito a jantar exclusivo e tudo! De Florença, levo a sensação de respirar História e Arte, o deslumbramento diante do David de Michelangelo, o respeito por um lugar onde viveram seres tão geniais (Dante, Galileu, Michelangelo, Donatelo, Da Vinci, etc etc). De Roma, é difícil escolher um só momento... A imagem do Coliseu despontando ao longe e se aproximando dos meus olhos (diurna ou noturna, é linda do mesmo jeito), a vista da Piazza Michelangelo, A Capela Sistina e a tumba do Papa João Paulo II, no Vaticano. Em Pisa, a surpresa de ter adorado a cidade. Apesar de pequena, tem movimento por ser turistica, é perto da praia e de Florença (lembro-me de dizer que moraria lá sem dificuldades). A Torre, menor e menos imponente do que eu imaginava, dá vontade de carregar e levar pra casa. Após comermos uma pizza, claro, voltamos à Paris. Afinal, nossas férias não durariam para sempre.
Ainda teria meu amigo por perto por mais uns cinco dias, mas ainda assim teria que ir à faculdade. Acredito que nos dois dias em que o "deixei" sozinho por Paris, com um mapa na mão e todas as orientações, consegui torná-lo um pouco mais íntimo dessa cidade que também fez seus olhos brilharem. Andou o tempo inteiro de metrô, passeou, fez compras, foi ao museu e ainda nos encontrou na faculdade para almoçar com os oito Erasmus Mundus daqui de Paris. Amigo, sei que seus dias por aqui estarão gravados em sua memória, assim como na minha. Não faz muito tempo, sonhávamos em quando poderíamos fazer uma viagem juntos (pelo Brasil mesmo, lembra?)... Olha só onde viemos parar! Parar não, começar! Agora, ninguém nos segura, não é? Obrigada a todos e a cada um por tudo o que vivi nesse mês tão intenso quanto feliz! Minha tarefa agora é colocar os pés inchados das caminhadas pra cima, voltar ao meu ritmo de trabalho, comer os meus docinhos, "pés-de-moleque" e "nego-bom" que Gisa e mamãe me enviaram (quer me ver gorda mesmo, hein, Carminha?). Na verdade eles fizeram sucesso por aqui, sobretudo com um tal Francisco que come tudo acompanhado por"la leche". Prometo que divido com todo mundo que aparecer antes que eles acabem! ;-)