sábado, 28 de junho de 2008

Você é o que você gosta


"Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir. A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidade que encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.(...)"
(Martha Medeiros)
Quem nunca ficou mudo, ou pelo menos parou para pensar, ao ser perguntado: Quem é você? Será que alguém consegue dizer quem é realmente, sem antes se referir a cada um dos papéis que exerce na sociedade ou aos seus objetivos de vida? Sou filha, irmã, amiga, psicóloga, mulher, busco viver, crescer, ser feliz, enfim... Mas QUEM sou eu? Perguntinha difícil... Foi quando descobri uma maneira simples de pensar quem sou eu, ao ler o texto de Martha Medeiros. Então, eu sou o que eu gosto!!! Posso fazer agora mesmo uma lista enorme, mas a única certeza que tenho é de que ela estará em constante modificação. Ao longo dessa rota do desconhecido, para a qual convido vocês a me acompanhar, é bem possível que descubra novas "eus" e novas de "mim" por aí, mas por enquanto, vamos começar!
Eu sou primavera, perfume de flores, céu azul e cabelos ao vento! Também sou verão, praia e banho de mar. Sou lua cheia, sou estrelas (não é à toa que me conhecem por "LittleStar"!). Sou música, arte, dança! Dança! Sou muita dança, em qualquer lugar! Tenho sido também muita dança do ventre e, portanto, Raushanah... Sou cinema, sou pipoca, sou teatro, sou internet. Sou MPB, sou rock, pop e árabe... Sou livros, muitos livros (romances, policiais, suspenses infanto-juvenis, fictícios ou reais), principalmente num dia de chuva, debaixo do cobertor.
Sou Psicologia, sou trabalho, sou ouvinte, sou gente. Sou bebê, sou criança, sou sorriso e gargalhada (muitas vezes, sem motivo aparente), sou lágrimas de felicidade!

Sou chocolate quente da mamãe, sou brigadeiro, sou chocolate (muuuuito chocolate!), sou pudim... Sou doces, em geral. Sou pizza, sou sushi, sou comida chinesa, sou vatapá, acarajé e caruru, sou moqueca de camarão! Sou morangos, sou pêssego, sou maracujá, sou banana, sou umbú! Sou chiclete o dia inteiro! Sou milk-shake, sou sorvete, especialmente com os amigos, no final da tarde. Sou conversas até meia-noite (ou até de manhã, quem sabe?), comemoração fora de época, maratonas de filmes também.
Sou banho demorado após um dia cansativo, sou barulhinho do ventilador antes de dormir...
Já fui toda azul, agora sou um pouco mais verde. Sou lilás, sou natureza, sou canto dos pássaros, ar puro e tranquilidade. Mas também sou cidade grande, sou correria. Sou cabelos compridos, sou maquiagem. Sou jeans e pé no chão, mas geralmente, sou salto alto. Sou carro, mas na maior parte do tempo sou obrigada a ser ônibus.
Você está fazendo sua lista? Estou esperando.

Sou Salvador, sou Bahia, sou Brasil. Sou vôlei enlouquecidamente (quer dizer, se for a seleção masculina do Brasil!), sou ginástica olímpica, sou seleção brasileira de futebol (ainda mais em tempos de copa do mundo). Sou viagem, sou passeio na orla de Salvador, sou cantar bem alto no carro ao voltar pra casa. Sou almoço em família no domingo, sou abraço apertado, sou diversão e sou responsabilidade. Sou amigos, sou BBF, sou família, sou vida, sou Deus! Sou português, sou francês, sou inglês, sou do mundo! Sou você, sou eles, sou eu mesma.
Agora é sua vez.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Rota do Desconhecido


"Quando eu seguir na rota do desconhecido
a minha voz ficará cantando na tua memória
e tua alma sentirá a presença
do meu sonho em teu sonho,
do meu riso de perdão à miséria do mundo.

(...)
Eu irei longe... Minha memória errará nas estrelas
e minha alma será o vento que acarinha plantas,
que acarinha flores sonolentas.

Eu irei longe, eu irei tão longe,
que meu coração vencerá distâncias
(...) e minha alma será o céu pontilhado de estrelas
que há de fazer adormecer tua saudade!"

Alphonsus de Guimaraens Filho in Lume de estrelas: poemas, 1940.

Esse é um momento de "quando", mas já houve o momento do "se". Se eu fizer, se eu passar, se eu vir o meu nome, se eu receber a bendita carta, se tudo der certo... Agora, o que mais acontece é: quando eu conseguir o visto, quando eu sair do trabalho, quando eu estiver com tudo organizado, quando eu comprar a passagem, quando eu me despedir das pessoas, quando eu chegar no aeroporto de Lisboa... Quando eu estiver "sozinha" e por mim mesma, quando eu estiver longe de casa e do colo de mamãe e papai, do abraço dos amigos, do aconhego e conforto do lar, dos momentos importantes de cada vida que não pode parar... Quando eu passar a conhecer e conviver com pessoas novas, culturas diferentes, quando eu começar a estudar o mestrado tão idealizado (será complicado, será que eu consigo?), quando eu puder visitar lugares antes somente imaginados, quando começar a falar diferente (português ou francês?), quando eu começar a crescer de verdade... Esse é agora o meu caminho: rumo ao desconhecido. Desconhecido porque não sei onde vai dar (apesar da chegada ter lugar e hora marcada); desconhecido porque não sei o que me espera, nem quem me espera; desconhecido, simplesmente, porque nunca estive lá... Mas é também um caminho rumo à realização. Realização de esforço e luta, individual e coletiva (minha família que o diga); realização de um sonho, alimentado por noites estreladas (e amigos, pra "variar") e outras nem tanto assim; realização de uma vida, que continua a se formar e que não pára de buscar... É um caminho que eu não sei "onde vai dar", mas tenho certeza de que independente da distância que percorrerei, vai me levar a momentos importantes e inesquecíveis, pontilhar minha alma e meu coração de estrelas, fazer brilhar as que já existem. Mesmo com todo o amor, segurança e apoio que estou certa de que receberei daqueles que têm caminhado ao meu lado, muitas vezes de mãos dadas, ou mesmo me carregando perante uma dificuldade, hoje sei que isso só depende de uma pessoa: eu mesma. Porque a trilha quem vai traçar sou eu. E a forma de caminhar só cabe a mim decidir. Aqueles que vão me acompanhar daqui por diante, também serei eu a escolher. E é desse pôr-do-sol que eu vou me lembrar quando pensar no lugar a que pertenço e para onde voará minha memória e minha saudade, pois agora é verdade, não serei mais só daqui, mas também do mundo.