
"Quando eu seguir na rota do desconhecido
a minha voz ficará cantando na tua memória
e tua alma sentirá a presença
do meu sonho em teu sonho,
do meu riso de perdão à miséria do mundo.
(...)
Eu irei longe... Minha memória errará nas estrelas
e minha alma será o vento que acarinha plantas,
que acarinha flores sonolentas.
Eu irei longe, eu irei tão longe,
que meu coração vencerá distâncias
(...) e minha alma será o céu pontilhado de estrelas
que há de fazer adormecer tua saudade!"
Alphonsus de Guimaraens Filho in Lume de estrelas: poemas, 1940.
Esse é um momento de "quando", mas já houve o momento do "se". Se eu fizer, se eu passar, se eu vir o meu nome, se eu receber a bendita carta, se tudo der certo... Agora, o que mais acontece é: quando eu conseguir o visto, quando eu sair do trabalho, quando eu estiver com tudo organizado, quando eu comprar a passagem, quando eu me despedir das pessoas, quando eu chegar no aeroporto de Lisboa... Quando eu estiver "sozinha" e por mim mesma, quando eu estiver longe de casa e do colo de mamãe e papai, do abraço dos amigos, do aconhego e conforto do lar, dos momentos importantes de cada vida que não pode parar... Quando eu passar a conhecer e conviver com pessoas novas, culturas diferentes, quando eu começar a estudar o mestrado tão idealizado (será complicado, será que eu consigo?), quando eu puder visitar lugares antes somente imaginados, quando começar a falar diferente (português ou francês?), quando eu começar a crescer de verdade... Esse é agora o meu caminho: rumo ao desconhecido. Desconhecido porque não sei onde vai dar (apesar da chegada ter lugar e hora marcada); desconhecido porque não sei o que me espera, nem quem me espera; desconhecido, simplesmente, porque nunca estive lá... Mas é também um caminho rumo à realização. Realização de esforço e luta, individual e coletiva (minha família que o diga); realização de um sonho, alimentado por noites estreladas (e amigos, pra "variar") e outras nem tanto assim; realização de uma vida, que continua a se formar e que não pára de buscar... É um caminho que eu não sei "onde vai dar", mas tenho certeza de que independente da distância que percorrerei, vai me levar a momentos importantes e inesquecíveis, pontilhar minha alma e meu coração de estrelas, fazer brilhar as que já existem. Mesmo com todo o amor, segurança e apoio que estou certa de que receberei daqueles que têm caminhado ao meu lado, muitas vezes de mãos dadas, ou mesmo me carregando perante uma dificuldade, hoje sei que isso só depende de uma pessoa: eu mesma. Porque a trilha quem vai traçar sou eu. E a forma de caminhar só cabe a mim decidir. Aqueles que vão me acompanhar daqui por diante, também serei eu a escolher. E é desse pôr-do-sol que eu vou me lembrar quando pensar no lugar a que pertenço e para onde voará minha memória e minha saudade, pois agora é verdade, não serei mais só daqui, mas também do mundo.
Esse é um momento de "quando", mas já houve o momento do "se". Se eu fizer, se eu passar, se eu vir o meu nome, se eu receber a bendita carta, se tudo der certo... Agora, o que mais acontece é: quando eu conseguir o visto, quando eu sair do trabalho, quando eu estiver com tudo organizado, quando eu comprar a passagem, quando eu me despedir das pessoas, quando eu chegar no aeroporto de Lisboa... Quando eu estiver "sozinha" e por mim mesma, quando eu estiver longe de casa e do colo de mamãe e papai, do abraço dos amigos, do aconhego e conforto do lar, dos momentos importantes de cada vida que não pode parar... Quando eu passar a conhecer e conviver com pessoas novas, culturas diferentes, quando eu começar a estudar o mestrado tão idealizado (será complicado, será que eu consigo?), quando eu puder visitar lugares antes somente imaginados, quando começar a falar diferente (português ou francês?), quando eu começar a crescer de verdade... Esse é agora o meu caminho: rumo ao desconhecido. Desconhecido porque não sei onde vai dar (apesar da chegada ter lugar e hora marcada); desconhecido porque não sei o que me espera, nem quem me espera; desconhecido, simplesmente, porque nunca estive lá... Mas é também um caminho rumo à realização. Realização de esforço e luta, individual e coletiva (minha família que o diga); realização de um sonho, alimentado por noites estreladas (e amigos, pra "variar") e outras nem tanto assim; realização de uma vida, que continua a se formar e que não pára de buscar... É um caminho que eu não sei "onde vai dar", mas tenho certeza de que independente da distância que percorrerei, vai me levar a momentos importantes e inesquecíveis, pontilhar minha alma e meu coração de estrelas, fazer brilhar as que já existem. Mesmo com todo o amor, segurança e apoio que estou certa de que receberei daqueles que têm caminhado ao meu lado, muitas vezes de mãos dadas, ou mesmo me carregando perante uma dificuldade, hoje sei que isso só depende de uma pessoa: eu mesma. Porque a trilha quem vai traçar sou eu. E a forma de caminhar só cabe a mim decidir. Aqueles que vão me acompanhar daqui por diante, também serei eu a escolher. E é desse pôr-do-sol que eu vou me lembrar quando pensar no lugar a que pertenço e para onde voará minha memória e minha saudade, pois agora é verdade, não serei mais só daqui, mas também do mundo.
3 comentários:
Cary,
Entre os tantos "quandos" que eu também me pergunto está o "quando eu vou encontrar minha colega Cary que - eu sinto - se tornará minha grande amiga?"
Não faz idéia de como está sendo bom pra mim poder compartilhar tudo isso, desde o início, com vc!
Ótimo fds e até! ;)
Se não tinha um diário para fazer, ao menos terei um para ler. A partir de hoje será sagrado. Vou acompanhar daqui todos os seus passados minha amiga querida.
E pode somar mais um 'quando': "quando voltar ao Brasil, seja de vez ou apenas para visitar, estaremos te esperando para matar todas as saudades".
Um beijo grande do seu amigo Zeca.
"Somente aqueles que se arriscam ir muito longe têm a possibilidade de descobrir onde podem chegar. Quem quer ir longe não pode ficar no mesmo lugar sempre. Quem quer enfrentar novos desafios não pode se acovardar.
Quem quer sentir diferentes gostos na vida deve procurar novos temperos." (Norberto Odebrecht)
Oi amiga! Fico um pouco triste pela distância, mas bem feliz pela experiência enriquecedora que você está tendo... como já disseram que longe é um lugar que não existe, então, no nosso mundo "aldeia", embora separados por um oceano atlântico, estamos a um click de distância.
A amizade também é feita de links, como os que unem nossos blogs... que eles simbolizem a nossa unidade, apesar das diferenças e reforce a nossa proximidade, apesar da distância. Vamos cuidar da amizade, pois como você bem lembrou no seu blog "você se torna eternamente responsável por aquele a quem cativas.."
Que Deus te abençoe, ilumine e te guarde nesta nova fase. Estou rezando por você.
Por fim, mais um pensamento que acho bem apropriado para você:
"Os barcos estão seguros no porto. Mas eles não foram feitos para isso". (Fernando Pessoa)
Um abraço,
Reginaldo Junior.
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