terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Realizemos 2009!!!

Essa última semana passou voando. Realmente uma pena (o que é bom dura tão pouco…)! O meu primeiro Natal à beira da lareira, graças à Filipa e à sua família, foi mesmo maravilhoso. Com direito a muita comida gostosa, doces, árvore de Natal, prendas (presentes), e casa cheia, principalmente, de muito amor! Eu e o Francisco não podíamos ter sido melhor acolhidos… Atenção, carinho, cuidado, enfim, a família da Pipa e eu nos “adotamos”! Digo agora que tenho uma família portuguesa, com certeza! Muito bom passar uns dias com comidinha feita por mãe, sendo chamada para almoçar antes que o almoço “arrefeça”, ver filme até mais tarde com as “irmãs” no sofá, passear no fim da tarde… Fez-me lembrar dos meus fins-de-semana no Brasil e ajudou a matar um pouquinho das saudades. Mas, a realidade é dura, precisei voltar para Coimbra a fim de adiantar os estudos (daqui a uma semana começa uma maratona de provas e vários trabalhos para entregar), pois ninguém merece passar o Ano Novo estudando. Não estarei sozinha, encontrarei alguns amigos da faculdade, jantaremos todos juntos e depois assistiremos à queima de fogos perto do Rio Mondego. Por este ano está bom. No próximo, penso em algo mais elaborado, e espero não ter tanto o que fazer!

Este é certamente o meu último post do ano. Reconheço que 2008 foi mesmo um ano muito importante e cheio de conquistas na minha vida, então este podia ser um momento de retrospectivas… Mas não me apetece nada fazer isso, deixemos que cada um faça suas próprias reflexões sobre o que passou, o que aprendeu, o que pretende e o que vai fazer daqui para a frente. Um ano novo vem aí e cabe a nós fazermos dele o melhor. Somos nós os responsáveis por tornar os sonhos realidade, por transformar as pessoas e o mundo nos pequenos actos, por enfrentar dificuldades e medos, por experimentar vitórias.

Hoje eu gostaria de dedicar esse post a uma pessoa mais do que especial para mim, a quem eu amo muito e que completa, além de mais um ano, um ciclo importante na sua vida. Alguém que se confunde com a minha própria mãe (não só por serem irmãs e fisicamente parecidas) e que me adotou também como filha (e não só por sermos também parecidas).

A ela, agradeço pela presença, pela confiança, pela compreensão e pelo amor verdadeiro. Em tantos e únicos momentos da minha vida… Momentos em que, mesmo com todas as incertezas, ela era uma das pessoas que eu sempre contava que estaria lá.

A ela, a minha admiração. Pela força e coragem para enfrentar os percalços da vida (quando nem ela se sabia capaz de tamanha façanha). Mas és forte, assim como o seu próprio nome (Iraís: variação espanhola de Erhais, nome grego da deusa Juno, que significa “filha/ descendente de Hera; na mitologia romana, Juno é a deusa das mulheres, da feminilidade, do matrimônio e seu símbolo era um pavão).

A ela, desejo que o mundo se abra à sua frente! Um mundo de possibilidades, descobertas, cores, sons, imagens, paisagens, cidades, países, sabores, pessoas, culturas, amizades, amores… Um mundo de harmonia, leveza, sinceridade, confiança, saúde, fé.

Pouco antes da minha viagem, realmente poucas horas antes, ela me entregou um livrinho para que me acompanhasse nessa jornada. Há uma mensagem para cada dia e, por isso, resolvi ler o que dizia para o dia do seu aniversário. Muitas pessoas podem e devem se identificar com essa mensagem, mas o que está em questão, na verdade, é o significado que ela assume para cada um, no momento particular em que se encontra:

“Olhe para você. Talvez você se admire com o tanto de benefícios que obtém quando olha para si. Olhando-se, a saúde que você reconhece ter, aumenta; a paz que procura, aparece; o sonho do futuro que vê com clareza toma corpo; a vida que encara com alegria surge leve; e a felicidade que pensa estar longe aproxima-se. Ademais, qual o valor dos seus olhos, ouvidos, pé, mãos? E de sua alma, sentimentos, pensamentos? Não há dinheiro que os pague. Ver-se forte, saudável, com qualidades, é atrair o melhor que existe para si.”

(Lourival Lopes – Sabedoria todo dia)

Mesmo à distância, consigo sentir o quanto ela faz sentido nesse momento da sua vida. O meu desejo é que olhe. Olhe para si mesma, olhe à sua volta, olhe para as pessoas, olhe para o mundo. Mas, acima de tudo, veja. Veja tudo aquilo que os seus olhos também não lhe mostram, ou mesmo aquilo que tentam disfarçar. Pense no melhor. Mas, acima de tudo, permaneça fazendo o melhor. Feliz aniversário, tia!

Desejo a você e a todos que, em 2009, vivenciemos muitas alegrias, levantemos a cada tropeço, aprendamos com nossos enganos, respeitemo-nos mais uns aos outros, amemo-nos como se fôssemos os últimos, alcancemos muitas realizações mas, acima de tudo, transformemos diariamente toda a nossa realidade!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal em todos os SENTIDOS!

Cá estou eu, às vésperas do Natal, a festa que mais amo no ano inteiro! Pela primeira vez, longe da minha família, dos meus amigos de longas datas, da minha cidade, do meu país… Mas nem por isso deixarei de estar em casa. Prometi a mim mesma que vou aproveitar todos os momentos dessa minha jornada e este é um deles. Passarei os próximos dias na casa de uma pessoa muito especial, com pessoas igualmente especiais. Eu e o Paco(Francisco,o colombiano) vamos pra casa da Pipa (a Filipa), em Peniche, que fica a três horas de "autocarro", daqui de Coimbra. Tudo porque ela não queria nos deixar sozinhos na noite e no dia de Natal!
Sendo o Natal uma época para se estar em família e, mesmo longe da minha, permiti-me construir uma por aqui. Só assim eu conseguiria amenizar um pouquinho a dor da saudade… E neste último dia 17, fizemos a nossa festinha de Natal, com direito ao tradicional amigo secreto. Todos extremamente atarefados e cansados, ao mesmo tempo felizes e “tristes” porque havia sido efetivamente o nosso último dia de aula juntos, pelo menos até Setembro de 2009. Como ninguém teve tempo nem pra pensar no que seria, foi tudo no improviso mesmo. E, no fim das contas, teve comida até demais!
Foi uma noite maravilhosa, surpreendente, emocionante, marcante… Nas palavras do Francisco, todos fizeram o que queriam fazer: uns cantaram, outros comeram, uns dormiram, depois acordaram, outros tentaram dançar, uns fotografaram, outros cozinharam, uns choraram, todos falaram. Uma noite relativamente tranquila, como merecíamos após toda a correria do semestre (que ainda não acabou oficialmente, pois as entregas dos trabalhos e as provas serão realizadas durante o mês de Janeiro), regada a queijos, vinhos, petiscos, pizza, bolo de chocolate, crepes da Pipa e o que mais tivesse!
As emoções começaram com a apresentação tão esperada de Francisco e Tânia em voz e violão (isso foi registrado em vídeo, hein?!), com direito a músicas em português de Portugal e do Brasil, bem como em espanhol. A seguir, passamos à troca de presentes. E dessa vez realmente o amigo era secretíssimo! Não havia nenhuma pista de quem tinha tirado quem. Tentamos, assim, ir adivinhando até o final, quando já não era preciso. Havia sobrado eu, Pedro e Juliana. Como Pedro já tinha recebido seu presente e eu já tinha oferecido o meu, já estava tudo às claras: Pedro tirou Juliana, que me tirou. As duas morando na mesma casa e nenhuma suspeita sequer!
Não sei se ela sabe, mas me deu o melhor presente de amigo secreto que já ganhei na vida, literalmente, em todos os SENTIDOS! Não há nada mais forte do que descobrir por palavras do outro que você é capaz de transformar a vida de alguém. Nunca tinha parado pra pensar nisso. Talvez nos pequenos atos do dia-a-dia, ou mesmo nos momentos de dificuldade, não sei. O fato é que ela me desmontou ao dizer isso. “Você deu sentido à minha vida em Coimbra”. Sei que vivemos situações limite aqui, longe das pessoas que amamos, mas por isso mesmo o impacto do que ela disse ressoa até hoje dentro de mim. Passamos de colegas de mestrado para amigas-do-quarto-ao-lado e até irmãs (todos na rua, mesmo os desconhecidos, nos perguntam se somos irmãs, até as nossas mães nos acharam parecidas), não somente pelas palavras ditas (que foram de extrema importância para chegarmos onde chegamos), mas também pelas não ditas, ao longo desses meses, compartilhando o mesmo teto, inventando arte na cozinha, sofrendo com os trabalhos da faculdade, chorando com saudade de casa. Dia-a-dia, desde que a conheci, tenho aprendido a lidar mais com as minhas próprias emoções e com a do outro, tentando equilibrá-las com o meu lado "racional" e "objetivo". E, assim, ela providenciou, da forma mais criativa que eu já vi, um presente para cada um dos cinco órgãos dos SENTIDOS, para sua amiga secreta aqui: lembranças dos lugares que passamos, daquilo que comemos, do frio e cheiro que sentimos, dos filmes que vimos e livros que não lemos. Lembranças que vão ficar para sempre, independente do nosso destino a seguir.
Antes de terminarmos a noite, os onze Erasmus Mundus que percorrem esse caminho se olharam pela primeira vez de dentro pra fora, apesar do ambiente estar iluminado apenas pela luz de onze velas. Foi um momento de dizer o que esse encontro de caminhos tinha representado para nós… A noite continuou, assim como a música, a comida, o vinho… Com todos ainda mais felizes. Em 2009 vamos seguir caminhos distintos, rumo a países diferentes, mas com a certeza de que vamos nos reencontrar em breve e que, mesmo à distância, a luz daquelas velas nunca se apagará.
É Natal! Embora eu esteja longe de pessoas indispensáveis e insubstituíveis na minha vida, a quem amo incondicionalmente, Deus colocou no meu caminho pessoas que assumiram uma grande importância pra mim aqui, por compartilharem momentos, dificuldades, alegrias, preocupações... Gostaria de poder abraçar minha mãe, meu pai, meu irmão, minhas tias, primos e amigos, mas enquanto isso não é possível, vou vivendo e me esforçando ao máximo para aproveitar todos os momentos.
Desejo a TODOS que o Natal tenha tantos SENTIDOS quanto o meu: para além da visão, do olfato, audição, tato e paladar, que ele tenha SOLIDARIEDADE, CONFIANÇA, APOIO, ENTUSIASMO, DIFERENÇAS, RESPEITO, FÉ, ESPERANÇA, AMOR,AMIZADE e muitas ESTRELAS!
Feliz Natal!

sábado, 22 de novembro de 2008

Um símbolo do meu caminho...


Um resumo rápido dos últimos dias: consegui sair quatro dias de Coimbra, voltei ao ritmo da realidade, encontrei os amigos do mestrado em um jantar no dia em que o Brasil marcou 6x2 contra Portugal no futebol, comi crepe feito pela Filipa e mostrei a amigas portuguesas o que é o brigadeiro.

No fim de semana passado, como tive dois dias sem aulas, resolvi que ia relaxar. Assim, passei quatro dias tentando nem pensar nos estudos (embora o computador estivesse comigo e de vez em quando eu tentasse atualizar alguma coisa). Fui visitar minha amiga Isa (a mesma que fez a moqueca de peixe aqui em casa, algumas semanas atrás), que mora em Setúbal. Além da sua cidade, conheci Lisboa, Tróia, Cascais… Correria total! Comi pastel de Belém e torta de Azeitão, direto da fonte (nas pastelarias originais, de mais de cem anos atrás), fui ao cinema, ao festival de chocolate, comi porco preto (e não é que é bom?), peixe na brasa (feito pela vó Alice, originalmente do Filipe, namorado da Isa, mas adotada por todas nós). Tudo uma delícia! Foi pouco tempo pra tanta coisa, mas o suficiente pra deixar um gostinho de quero mais! E com certeza, ainda voltarei em cada um desses lugares! De repente, no verão, porque as praias são lindas e, com o frio que já está fazendo agora no Outono, não pude aproveitar tanto assim.

O dia do jantar do mestrado, em que reunimos alunos e professores da área da psicologia organizacional, do trabalho e dos recursos humanos, foi um show à parte! Como se não bastasse a animação da “malta”, ainda tinha jogo Brasil x Portugal. Quem me conhece sabe o quanto fico enlouquecida assistindo aos jogos da seleção, mas prometi me controlar, afinal, era a primeira vez que assistia no território “adversário”. Mas o clima foi muito bom o tempo inteiro! Talvez porque as pessoas não fossem fanáticas por futebol, ou porque não foram os brasileiros que perderam, ou porque estávamos todos entre amigos… Era troca de camisas entre brasileiro e português, brasileira ensinando samba a portugueses, a malta toda dançando e fazendo trenzinho no restaurante (praticamente fechamos o “recinto” só com a nossa turma).

Como aqui a vida tem sido de comilanças (não é à toa que entrei correndo na academia e na dança, pra ver se engordo menos), reunimo-nos novamente na casa da Sá e do Léo para fazermos crepes! Quer dizer, a Filipa fez, nós tentamos aprender. Mas pelo menos colocávamos os recheios! Como eu não podia ficar parada, saciei o desejo das meninas desde que cheguei aqui: experimentar brigadeiro! Alguém consegue imaginar pessoas que nunca comeram brigadeiro? Muito menos da panela? Eu não podia deixar que isso continuasse assim. Era uma questão de honra! E é claro que todos gostaram! ;-)

Mas agora quero voltar ao começo. Mais especificamente ao dia das minhas andanças na praia da Península de Tróia, situada em frente a Setúbal, para onde temos de atravessar de ferry-boat. Era mesmo um dia lindo, como vocês podem ver na foto, mas bastante frio também. Caminhávamos pela areia sem coragem nem pra tirar os sapatos… E ao mesmo tempo eu pensava… Pensava em todos, sentia a brisa gelada que vinha do mar, os raios de sol que tentavam esquentar. Novembro é um mês movimentado na minha família. Mais um dia especial se aproxima… E naquele momento era nisso que eu pensava: o que fazer para estar de alguma forma presente no aniversário do meu pai? Avistei uma concha. Abaixei, peguei, limpei e Isa me disse: “é uma vieira”. “Como?” “Essa concha é uma vieira” “Mesmo? Engraçado, o sobrenome do meu pai é Vieira!” Guardei a concha e fiquei pensando. Não que seja incomum encontrar esse tipo de concha por aqui, muito pelo contrário. A questão foi somente a “coincidência” de, mesmo não sendo entendedora desses assuntos, tê-la encontrado, tão bonitinha, justamente quando pensava no que fazer. Ali, então, eu já sabia como me faria presente, pai. Trouxe-a de volta pra Coimbra comigo. E olha que ela passeou por todos os lugares em que estive naquele fim de semana (tendo vindo de Tróia, foi comigo necessariamente pra Setúbal e, como só voltei pra casa depois de ir a Cascais e à Lisboa, ela me acompanhou durante todo o percurso). Aqui, descobri o grande simbolismo em torno dessa concha: trata-se de um símbolo do peregrino, que apanhavam a vieira no litoral da Galiza e levavam como prova e recordação da peregrinação. Inúmeras histórias são contadas sobre como à vieira foi atribuído tal significado.

Uma delas diz que, quando o barco com o corpo do apóstolo Tiago chegou à Galiza vindo da Palestina, o mar encontrava-se revolto e tempestuoso, ameaçando arremessá-lo contra os rochedos da costa. Um homem que cavalgava junto ao mar, ao perceber a situação, avançou com seu cavalo tentando salvar os navegantes. Entretnato, o mar violento acabou derrubando-o e, vendo-se perdido, o homem evocou os céus para sua salvação. Baixou, então, a calmaria sobre o mar da Galiza, a embarcação e o cavalo foram empurrados pelo mar para a praia, sendo todos salvos. Observaram que o cavalo vinha coberto de um tipo de conchas conhecidas por “vieiras”.

Uma outra versão remonta ao ano 1532, em que um príncipe vinha cavalgando de terras distantes com o objectivo de conhecer e orar frente à tumba do Apostolo Santiago quando teria sofrido um ataque de uma serpente. O seu cavalo pôs-se a galope em direção ao mar. O príncipe, então, prestes a se afogar, entregou sua alma a Santiago. Minutos depois, seu corpo teria emergido das águas totalmente coberto de conchas de vieira.

A origem mais lógica parece derivar-se do fato de que os peregrinos que regressavam de terras distantes deveriam mostrar aos seus familiares e amigos alguma prova ou símbolo que testemunhasse terem cumprido com êxito a sua peregrinação até Compostela. Como o mar era um grande desconhecido dos europeus que habitavam a parte central e o Santo Sepulcro de Santiago estava perto da costa, os peregrinos levavam, então, uma concha como recordação e testemunho da sua peregrinação.

Assim, as conchas da vieira foram se tornando um símbolo característico daqueles que percorrem as caminhadas das peregrinações a Santiago de Compostela. Hoje é possível vê-las penduradas nas mochilas dos peregrinos que vão à pé ou de bicicleta, nas roupas, capas, chapéus… É como se ela representasse proteção e busca de conhecimento. Diz-se, inclusive, que devemos devolvê-la ao mar depois de termos feito o caminho, como forma de agradecermos a proteção e representar que o conhecimento adquirido não é só nosso mas de todos.

O Caminho de Santiago ainda não fiz, embora pretenda em breve. Mas a minha rota rumo ao desconhecido já começou. A minha “primeira vieira”, que em breve chegará às suas mãos, eu ofereço a você, pai, pelo seu aniversário, (25/11) como agradecimento pelo seu amor e proteção, como forma de compartilhar o que estou conhecendo e aprendendo, como prova de que aqui estou e de que aí sempre estarei. Te amo muito!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O dia 08 de Novembro na História…


1763 - Nascimento de José Bonifácio, o patriarca da independência.
1793 - É aberto ao público o museu do Louvre, em Paris.
1799 - Nascimento de Evaristo Pereira da Veiga e Barros, autor da letra do Hino da Independência do Brasil.
1799 - Executados quatro líderes da "conjuração baiana" que pregavam o fim do absolutismo no País.
1817 - O Brasil devolve a Guiana à França.
1822 - Batalha de Pirajá: primeira vitória brasileira contra portugueses.
1883 - Inicia o mandato presidencial do general Luis Bográn em Honduras.
1895 - É descoberto acidentalmente que raios X servem como ferramenta vital no diagnóstico e tratamento de doenças.
1905 - Soldados da Fortaleza de Santa Cruz, no Rio, se rebelam contra os maus-tratos e matam um major, um tenente e um sargento.
1923 - Hitler dirige a intentona conhecida como putsch de Munique.
1926 - Um tufão devasta a ilha filipina de Luzón e causa a morte de 175 pessoas.
1933 - O rei do Afeganistão, Nadir Sha é assassinado no Palácio de Cabul.
1933 - É reprimido em Cuba um movimento revolucionário para restabelecer o governo de Carlos Manuel de Céspedes.
1933 - Nasce Alain Delon, ator francês de cinema.
1934 - Morre no Rio de Janeiro o cientista Carlos Chagas, médico e sanitarista que descobriu o protozoário causador da Doença de Chagas.
1939 - Adolf Hitler sobrevive a um atentado em Munique.
1949 - Camboja obtém a sua independência.
1960 - John F. Kennedy vence por mínima diferença de votos o seu rival Richard Nixon, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.
1965 - Nasce Matthew Biondi, nadador norte-americano vencedor de sete medalhas olímpicas.
1966 - O Papa Paulo VI autoriza uma publicação católica-protestante da Bíblia.
1969 - É implantado o Sistema de Discagem Direta à Distância (DDD) entre Porto Alegre e São Paulo.
1984 - O Congresso Nacional aprova o Estatuto da Microempresa, que beneficia em todo país estabelecimentos com até 10 empregados.
1986 - Na América do Sul, o primeiro transplante cardíaco feito em uma criança é realizado no Brasil: Karina Dal Rovere é operada aos sete anos.
1988 - O republicano George Bush é eleito presidente dos Estados Unidos.
1988 - Nas eleições presidenciais em Porto Rico triunfam o governo do partido Popular Democrático e seu candidato a reeleição, o governador Rafael Hernández.
1994 - É instalado em Haia, na Holanda, um tribunal internacional para julgar crimes de guerra ocorridos na antiga Iugoslávia.
1996 - Cerca de mil pessoas morrem na Índia por causa da passagem de um ciclone, com ventos de 200 quilômetros por hora.

Mesmo não constando na lista dos acontecimentos mais importantes para a História do Brasil e do Mundo, há um 08 de Novembro que deixou a sua marca na história de alguns mundos… Em 1953 nascia alguém especial, que transformou vidas, experiências e papéis. Filha, irmã, amiga, mulher, trabalhadora, tia, madrinha, esposa, mãe, enfim, Ela.
Aquela que me ensinou a ser “grande”, que me obrigou a aprender coisas que eu achava “insignificantes” e que hoje eu vejo o quanto são importantes, que me incentivou a seguir em frente mesmo com o coração partido. O espelho, o exemplo, o abraço seguro, o sorriso confiante, o olhar expressivo e tranquilizador, a palavra de conforto.
No seu aniversário, tudo o que eu mais desejava era, como nos 24 anos anteriores, estar ao seu lado. Mas você sabe que a distância não impede que eu dê um jeitinho de estar presente… Muitos anos virão, muita História ainda será construída, muita vida será compartilhada! E o nosso amor, sempre maior que a saudade, permanecerá eterno, assim como a felicidade que eu te desejo neste dia. Te amo, mãe!

domingo, 26 de outubro de 2008

Vivre la Differénce!!!


Demorei, mas voltei! Não menti quando disse que ia ficar mais difícil escrever, as minhas previsões estavam corretas. Realmente, a vida está uma loucura, apesar de estarmos dando conta de alguma forma. Aulas, textos, resumos, trabalhos, escolha de orientador, começo da tese, definição das universidade para as quais todos os estudantes vão no segundo semestre. Passamos mesmo por uns dias de bastante ansiedade, individual e coletiva. Primeiro, descubro que a Ju, que iria comigo pra Paris, vai mesmo pra Barcelona (nem ela sabia disso). Aí bate o desespero: como vou conseguir me virar sozinha em Paris, falando um mínimo de francês, tendo que procurar onde morar e aprender a andar em uma cidade tão enorme??? Calma, Cary, o Francisco também vai! E ele conhece muito bem Paris e ele fala muito bem francês, vai poder te ajudar! Muito bem, mas até chegar a esse nível de raciocínio (tão simples) e voltar a me sentir tranquila e empolgada de morar na França por um tempo, precisei de uns dias… A vida em Coimbra é tão tranquila, aqui me sinto segura, todos entendem o que eu falo e vice-versa, já aprendi onde fica a maioria dos lugares…

Depois, o estresse se voltou para a escolha dos orientadores e temas de teses, que aqui ocorre de maneira diferente: nós precisamos escolher um tema com o qual nos identifiquemos, só que dentro dos já existem e que já esteja com pesquisa em andamento. Ou seja, não há tanta liberdade assim, para criarmos algo e partirmos do zero. De qualquer modo, só havia uma vaga para cada professor e mais de um de nós havia se interessado pelo mesmo tema. Mas tínhamos que tomar uma decisão em conjunto e apresentar apenas uma lista final com o resultado (os profs não se envolveriam nisso). Tivemos duas semanas para isso e todas as reuniões que marcávamos, apesar de muito úteis para esclarecermos quem queria o quê, não representava nenhuma decisão efetiva. Tratava-se nitidamente de uma fuga coletiva do momento de confronto, afinal, um grupo tão amigo, tão unido, não queria que nenhum dos membros saísse chateado, insatisfeito… E assim, a ansiedade só aumentava… Até que não teve mais jeito: faltavam menos de 24 horas para entregarmos a lista com a decisão final. E foi um tal de ver e rever primeira, segunda e terceira opção de cada um, organizar simulações, pensar em quem seria impactado a partir de cada escolha… No fim das contas, notícia feliz: fiquei com o tema e com o orientador que eu queria!!!

Apesar de todo o desgaste, em vários sentidos, esse processo, assim como muitos outros, trouxe-me mais um grande aprendizado. Acima de tudo, pude perceber mais uma vez o quanto esse grupo é maravilhoso. Não teríamos adiado tanto a decisão e até somatizado nossa ansiedade e estresse (falta de ar, dor de cabeça, dor no pescoço, choro) se não nos importássemos mesmo uns com os outros… Acredito que, apesar das dificuldades e surpresas, a maioria ficou realmente satisfeita com suas opções. E o grupo conseguiu manter o bom relacionamento de sempre. Tenho muita sorte de ter vindo parar nessa turma! Não falo isso só porque fiquei particularmente satisfeita com o resultado, mas porque o processo inteiro foi muito importante pra todos nós, em termos de apoio mútuo. Além disso, percebi o quanto é importante refletir, pesquisar, conversar, antes de chegar à qualquer ação ou decisão, e que nem sempre estamos certos de qual é o nosso melhor caminho, mas que precisamos acreditar que podemos traçá-lo e levar adiante aquilo que acreditamos que nos fará verdadeiramente felizes.

E o que, dentre todas as opções disponibilizadas, chamou mais a minha atenção foi mesmo um tema que, para mim, considerando a minha realidade e experiência, é mesmo muito mobilizador: A Diversidade! Todos que me conhecem sabem que o meu lema e exercício diário é não julgar, respeitar e valorizar as pessoas pelo que elas são. Ninguém seja hipócrita de dizer que nunca pré-estabelece nenhum conceito acerca de qualquer que seja o tema, pois isso é típico do ser humano, ver o mundo a partir da sua própria perspectiva e somente. Mas no momento em que acordamos e percebemos que a vida e o mundo é muito mais do que aquilo em que acreditamos, podemos ser capazes de mudar. Qual o problema se cada um gosta de um tipo diferente de feijoada? Se nasceu no norte ou no sul? Se tem um sotaque diferente? Se anda a pé ou de carro? Se vê o mundo através dos sons ou se ouve a vida através das imagens? Se a cor da pele é vermelha, amarela, preta ou colorida? Se o cabelo é liso ou trançado? Podia continuar essa lista até amanhã… Realmente, tendo nascido em um país tão plural e ao mesmo tempo tão desigual, não consigo fechar os olhos pra isso. Enfim, vou estudar a diversidade no contexto organizacional, mas já deu pra ver que é um tema que me mobiliza, né? Afinal, onde estão as mulheres, os negros, as pessoas portadoras de deficiência, dentre muitas outras “minorias”, nos papéis de liderança?

Quanto à minha tese de mestrado, vamos ver o que acontece. Pelo menos uma coisa é certa: não há nada melhor do que gostar do que faz. E disso não tenho dúvidas: adoro estudar esse tema!

Só pra não parecer que nossas vidas gira somente em torno da faculdade (não deixa de ser um pouquinho de verdade ;-), acreditem, mas consegui me matricular na dança do ventre (descobri que já vamos dançar na festa de Natal do Instituto onde temos aulas!) e na academia (da delicadeza da dança para as aulas de body combat, adoro!). Houve aqui em Coimbra também um Festival de Cinema Francês, e eu não pude deixar de ir, já que não consigo estudar francês e daqui a poucos meses estarei em Paris! Assisti a três filmes muito bons! É claro que saímos com a malta (leia-se “galera”) portuguesa, vamos ao teatro, a barzinhos, a jantares regados com vinho e carne de porco (pra variar um pouquinho), comemos tosta (leia-se sanduíche), experimentamos caipirinha de vodka preta (uma delícia, mas poderíamos traduzir por roska, né?), tomamos chocolate quente, falamos sobre nossas mudanças rumo à França, Espanha, Itália, já que cada um vai pra um lugar no próximo ano…

Essa semana começou a “Latada” ou “A Festa das Latas”, que, pelo que entendi, é a preparação para a “Queima da Fitas” que acontece em maio, para os estudantes que concluem o curso. São ambas festas tradicionais de Coimbra, que gira em torno da vida acadêmica. A latada dura uma semana, começando pela “Serenata”. Esta ocorre à meia-noite, numa quarta-feira, ao ar livre, com a maioria dos estudantes vestidos com o traje tradicional de Coimbra e alguns que fazem parte das Tunas (bandas tradicionais da faculdade também) a cantar músicas portuguesas (ah, detalhe importante: por mais bonito que a gente ache, é somente para admirar, sentir, se emocionar, etc. A única coisa que não se pode fazer é aplaudir, ok?). Nos outros dias, há shows com bandas e cantores portugueses, aqui pertinho da minha casa, em uma das margens do Rio Mondego. E ontem, no sábado, fomos eu, a Ju, a minha amiga baiana Isa, que veio diretamente de Setúbal (a primeira visita da nossa casa!) e a Sá. Lá encontramos o Pedro e a Ana Teresa, da malta portuguesa. Foi muito bom mesmo! Conheci uma banda de hip-hop portuguesa (Da Weasel) e o cantor Sérgio Godinho, e recomendo!

Hoje, como acordamos bem tarde, acabei não estudando muita coisa… Mas ganhei um presente!!! Isa preparou moqueca de peixe (contando com a ajuda do Filipe, namorado dela, e a minha, é claro)!!! Quem diria que apenas dois meses longe de casa e eu já estaria comendo comida baiana, hein? Acho até que aprendi a fazer. Milagrosamente, após dias de muito frio (chegou a marcar 9⁰C), fomos presenteados com um domingo lindo de sol, a tal ponto que saímos pra tomar um sorvete!

Preparo-me para mais uma semana, para mais um começo, para mais desafios. Quero ver e sentir o mundo de todas as cores, com todos os sabores, todos os sons, “toda a gente”, todas as crenças, opiniões e descrenças! Afinal, como digo no começo, vivamos a diferença!

P.S.: As fotos lá em cima são da Serenata, do dia em que o Léo fez bolo de cenoura e levou pra aula, da Latada e do almoço baiano!