Demorei, mas voltei! Não menti quando disse que ia ficar mais difícil escrever, as minhas previsões estavam corretas. Realmente, a vida está uma loucura, apesar de estarmos dando conta de alguma forma. Aulas, textos, resumos, trabalhos, escolha de orientador, começo da tese, definição das universidade para as quais todos os estudantes vão no segundo semestre. Passamos mesmo por uns dias de bastante ansiedade, individual e coletiva. Primeiro, descubro que a Ju, que iria comigo pra Paris, vai mesmo pra Barcelona (nem ela sabia disso). Aí bate o desespero: como vou conseguir me virar sozinha em Paris, falando um mínimo de francês, tendo que procurar onde morar e aprender a andar em uma cidade tão enorme??? Calma, Cary, o Francisco também vai! E ele conhece muito bem Paris e ele fala muito bem francês, vai poder te ajudar! Muito bem, mas até chegar a esse nível de raciocínio (tão simples) e voltar a me sentir tranquila e empolgada de morar na França por um tempo, precisei de uns dias… A vida em Coimbra é tão tranquila, aqui me sinto segura, todos entendem o que eu falo e vice-versa, já aprendi onde fica a maioria dos lugares…
Depois, o estresse se voltou para a escolha dos orientadores e temas de teses, que aqui ocorre de maneira diferente: nós precisamos escolher um tema com o qual nos identifiquemos, só que dentro dos já existem e que já esteja com pesquisa em andamento. Ou seja, não há tanta liberdade assim, para criarmos algo e partirmos do zero. De qualquer modo, só havia uma vaga para cada professor e mais de um de nós havia se interessado pelo mesmo tema. Mas tínhamos que tomar uma decisão em conjunto e apresentar apenas uma lista final com o resultado (os profs não se envolveriam nisso). Tivemos duas semanas para isso e todas as reuniões que marcávamos, apesar de muito úteis para esclarecermos quem queria o quê, não representava nenhuma decisão efetiva. Tratava-se nitidamente de uma fuga coletiva do momento de confronto, afinal, um grupo tão amigo, tão unido, não queria que nenhum dos membros saísse chateado, insatisfeito… E assim, a ansiedade só aumentava… Até que não teve mais jeito: faltavam menos de 24 horas para entregarmos a lista com a decisão final. E foi um tal de ver e rever primeira, segunda e terceira opção de cada um, organizar simulações, pensar em quem seria impactado a partir de cada escolha… No fim das contas, notícia feliz: fiquei com o tema e com o orientador que eu queria!!!
Apesar de todo o desgaste, em vários sentidos, esse processo, assim como muitos outros, trouxe-me mais um grande aprendizado. Acima de tudo, pude perceber mais uma vez o quanto esse grupo é maravilhoso. Não teríamos adiado tanto a decisão e até somatizado nossa ansiedade e estresse (falta de ar, dor de cabeça, dor no pescoço, choro) se não nos importássemos mesmo uns com os outros… Acredito que, apesar das dificuldades e surpresas, a maioria ficou realmente satisfeita com suas opções. E o grupo conseguiu manter o bom relacionamento de sempre. Tenho muita sorte de ter vindo parar nessa turma! Não falo isso só porque fiquei particularmente satisfeita com o resultado, mas porque o processo inteiro foi muito importante pra todos nós, em termos de apoio mútuo. Além disso, percebi o quanto é importante refletir, pesquisar, conversar, antes de chegar à qualquer ação ou decisão, e que nem sempre estamos certos de qual é o nosso melhor caminho, mas que precisamos acreditar que podemos traçá-lo e levar adiante aquilo que acreditamos que nos fará verdadeiramente felizes.
E o que, dentre todas as opções disponibilizadas, chamou mais a minha atenção foi mesmo um tema que, para mim, considerando a minha realidade e experiência, é mesmo muito mobilizador: A Diversidade! Todos que me conhecem sabem que o meu lema e exercício diário é não julgar, respeitar e valorizar as pessoas pelo que elas são. Ninguém seja hipócrita de dizer que nunca pré-estabelece nenhum conceito acerca de qualquer que seja o tema, pois isso é típico do ser humano, ver o mundo a partir da sua própria perspectiva e somente. Mas no momento em que acordamos e percebemos que a vida e o mundo é muito mais do que aquilo em que acreditamos, podemos ser capazes de mudar. Qual o problema se cada um gosta de um tipo diferente de feijoada? Se nasceu no norte ou no sul? Se tem um sotaque diferente? Se anda a pé ou de carro? Se vê o mundo através dos sons ou se ouve a vida através das imagens? Se a cor da pele é vermelha, amarela, preta ou colorida? Se o cabelo é liso ou trançado? Podia continuar essa lista até amanhã… Realmente, tendo nascido em um país tão plural e ao mesmo tempo tão desigual, não consigo fechar os olhos pra isso. Enfim, vou estudar a diversidade no contexto organizacional, mas já deu pra ver que é um tema que me mobiliza, né? Afinal, onde estão as mulheres, os negros, as pessoas portadoras de deficiência, dentre muitas outras “minorias”, nos papéis de liderança?
Quanto à minha tese de mestrado, vamos ver o que acontece. Pelo menos uma coisa é certa: não há nada melhor do que gostar do que faz. E disso não tenho dúvidas: adoro estudar esse tema!
Só pra não parecer que nossas vidas gira somente em torno da faculdade (não deixa de ser um pouquinho de verdade ;-), acreditem, mas consegui me matricular na dança do ventre (descobri que já vamos dançar na festa de Natal do Instituto onde temos aulas!) e na academia (da delicadeza da dança para as aulas de body combat, adoro!). Houve aqui em Coimbra também um Festival de Cinema Francês, e eu não pude deixar de ir, já que não consigo estudar francês e daqui a poucos meses estarei em Paris! Assisti a três filmes muito bons! É claro que saímos com a malta (leia-se “galera”) portuguesa, vamos ao teatro, a barzinhos, a jantares regados com vinho e carne de porco (pra variar um pouquinho), comemos tosta (leia-se sanduíche), experimentamos caipirinha de vodka preta (uma delícia, mas poderíamos traduzir por roska, né?), tomamos chocolate quente, falamos sobre nossas mudanças rumo à França, Espanha, Itália, já que cada um vai pra um lugar no próximo ano…
Essa semana começou a “Latada” ou “A Festa das Latas”, que, pelo que entendi, é a preparação para a “Queima da Fitas” que acontece em maio, para os estudantes que concluem o curso. São ambas festas tradicionais de Coimbra, que gira em torno da vida acadêmica. A latada dura uma semana, começando pela “Serenata”. Esta ocorre à meia-noite, numa quarta-feira, ao ar livre, com a maioria dos estudantes vestidos com o traje tradicional de Coimbra e alguns que fazem parte das Tunas (bandas tradicionais da faculdade também) a cantar músicas portuguesas (ah, detalhe importante: por mais bonito que a gente ache, é somente para admirar, sentir, se emocionar, etc. A única coisa que não se pode fazer é aplaudir, ok?). Nos outros dias, há shows com bandas e cantores portugueses, aqui pertinho da minha casa, em uma das margens do Rio Mondego. E ontem, no sábado, fomos eu, a Ju, a minha amiga baiana Isa, que veio diretamente de Setúbal (a primeira visita da nossa casa!) e a Sá. Lá encontramos o Pedro e a Ana Teresa, da malta portuguesa. Foi muito bom mesmo! Conheci uma banda de hip-hop portuguesa (Da Weasel) e o cantor Sérgio Godinho, e recomendo!
Hoje, como acordamos bem tarde, acabei não estudando muita coisa… Mas ganhei um presente!!! Isa preparou moqueca de peixe (contando com a ajuda do Filipe, namorado dela, e a minha, é claro)!!! Quem diria que apenas dois meses longe de casa e eu já estaria comendo comida baiana, hein? Acho até que aprendi a fazer. Milagrosamente, após dias de muito frio (chegou a marcar 9⁰C), fomos presenteados com um domingo lindo de sol, a tal ponto que saímos pra tomar um sorvete!
Preparo-me para mais uma semana, para mais um começo, para mais desafios. Quero ver e sentir o mundo de todas as cores, com todos os sabores, todos os sons, “toda a gente”, todas as crenças, opiniões e descrenças! Afinal, como digo no começo, vivamos a diferença!
P.S.: As fotos lá em cima são da Serenata, do dia em que o Léo fez bolo de cenoura e levou pra aula, da Latada e do almoço baiano!
2 comentários:
Querida Carine:
Que bom que você está tão integrada e, pelo visto, enfrentando os desafios tranquilamente. Boa sorte em tudo e um grande abraço.Eulina
Viu que eu disse? No fim das contas nós é que perdemos muita coisa que acontece por aí!
Boa sorte no que se aproxima. E somatizem menos, hein? Hehehehe! Com certeza, no fim das contas, tudo dá certo!
Postar um comentário