Ao chegar à faculdade, descobrimos que todos os nossos seis colegas (somos 11 ao todo) são portugueses. E conhecemos alguns dos professores com quem vamos conviver ao longo do semestre. Era o Acolhimento, a Recepção dos alunos, portanto, foi feita a apresentação do Programa de Mestrado, dos professores e de cada um dos alunos, tiraram-nos algumas dúvidas e registramos o momento em fotos (esperamos ver o antes e o depois!). E de dez frases que ouvíamos, onze eram para nos alertar da quantidade de trabalho que teríamos nesse primeiro semestre. Afinal, são oito disciplinas, um número elevado para a graduação, ainda mais para o mestrado. Mas não tínhamos escolha, é determinação do programa o número de disciplinas que temos que pegar. Tudo bem, não tenho medo de trabalho e tenho certeza de que já passei por coisas piores na Ufba! Era o que eu me repetia a todo momento tentando me convencer. E até agora tem dado certo!
Bom, para ser sincera, fiquei ainda mais feliz quando as aulas efetivamente começaram. Os professores são muito bons e os nossos colegas são maravilhosos! Digo isso pela grata surpresa que tive ao descobrir o quão receptivos e atenciosos eles têm sido conosco. Apresentam-nos às pessoas, à faculdade, aos trâmites da biblioteca e setor de informática, aos lugares, costumes, gírias, tradições, músicas e festas locais… Desde o primeiro momento, sentimos que será um grupo muito bom de se conviver, com quem iremos construir um relacionamento muito importante ao longo desses dois anos e, quem sabe, para a vida inteira… Não percebemos barreiras, apesar das diferenças de idade, de culturas, de pensamentos.
Quanto à idade, deixem-me explicar: após o Tratado de Bolonha, os países da União Européia tiveram seus cursos de nível superior também unificados. Dessa forma, os cursos agora têm duração de três anos, que seriam equivalentes à licenciatura, e por mais dois anos eles continuam diretamente no mestrado. Segundo os nossos colegas, eles não têm muita opção, pois, pelo menos enquanto psicólogos, não podem fazer muita coisa só com a licenciatura. Pelo menos foi o que eu entendi. Algumas consequências disso é que eles têm o diploma reconhecido em qualquer país membro da União Européia e também entram mais jovens no mestrado (os mais novos têm 21 anos, o mais velho deles tem 24). Dentre os brasileiros, que estudaram cinco anos de graduação antes de chegar aqui, porém, temos pessoas com alguma experiência no mercado de trabalho, especialização na área e um pouco mais de idade também (28, 30, 33 anos) – eu a Ju somos as brasileiras mais novas…
Mas foi realmente incrível a dedicação de alguns colegas em nos fazer sentir à vontade. A empatia e a identificação ao saberem que estávamos tão longe de casa e que iríamos ficar por mais um ano inteiro: “Vocês não vão para casa no Natal?” “Não, não vamos poder ir… Só no meio do próximo ano”. Foi algo que me marcou, justamente pela importância que dou a esses momentos, de reuniões familiares e, por já ter pensado nisso, me pegar chorando. Mas sabemos todos que estamos aqui por um objetivo e que, no fim das contas, tudo valerá à pena. Aliás, já está valendo! Vamos viver um dia de cada vez… Mas aproveito, desde já, para agradecer aos nossos novos amigos Erasmus Mundus (Filipa, Pedro, Tânia, Teresa, Catarina, Eduardo)!
Ah, não pensem que somos só onze na sala. Na verdade, temos algumas aulas, a maioria delas, juntamente com as pessoas do mestrado português, que não é Erasmus Mundus como o nosso, mas que pegam as mesmas matérias em Coimbra. Dessa forma, geralmente, somos uns 30 ou mais na sala…
Foi ainda no início da semana que fomos “intimados” a comparecer ao “jantar dos caloiros”, que seria na quinta à noite. Como ainda estamos sem aula na sexta, topamos imediatamente. Afinal, trata-se de um fenômeno cultural, antes de mais nada! Vocês verão nas fotos que os estudantes veteranos aqui utilizam uma veste específica (eles compram, bordam os símbolos e não é nada barato, em torno dos 200 euros). Cada caloiro (ou calouro, como nós chamamos) tem um padrinho ou madrinha veterano e passam por alguns mal bocados, como vocês devem imaginar. Já vi gente subindo e descendo as monumentais (uma escadaria maravilhosa, vocês vão ver nas fotos), correndo na praça, cantando e gritando pela rua, de mãos dadas, em fileira indiana, imitando animais. O jantar a que comparecemos foi uma experiência muito interessante. Além do jantar propriamente dito (carne de porco, só pra variar um pouquinho do que é servido todos os dias nas cantinas: porco ou peixe ;-) , vinhos, cervejas e refrigerantes, a Tuna da faculdade de apresentou (é uma banda formada por alunos da faculdade, que se apresenta com os trajes tradicionais, músicas e danças típicas). Foi muito legal mesmo!
Ontem, sexta-feira, recebi um telefonema muito bom de uma amiga de Salvador(BA)... Só que era pra marcarmos um encontro! Saímos, então, para jantar e depois tomar um café, com seu noivo e alguns amigos. é incrível como ver rostos conhecidos se torna tão importante! Amei te ver, Isa! Logo mais sou eu quem te visito em Setúbal!
Excepcionalmente, estou colocando dois posts num só dia, mas só porque eu já vinha escrevendo ao longo da semana. Eu pude perceber que não conseguirei manter a mesma frequência, simplesmente porque o tempo é curto para a quantidade de coisas que temos para fazer. Os professores realmente não estavam mentindo, mas tenho certeza de que, com a devida organização e obstinação, tudo vai sair às mil maravilhas.
Excepcionalmente, estou colocando dois posts num só dia, mas só porque eu já vinha escrevendo ao longo da semana. Eu pude perceber que não conseguirei manter a mesma frequência, simplesmente porque o tempo é curto para a quantidade de coisas que temos para fazer. Os professores realmente não estavam mentindo, mas tenho certeza de que, com a devida organização e obstinação, tudo vai sair às mil maravilhas.
Todos vocês, ou pelo menos os que têm paciência para ler meus posts até o final, já devem ter percebido que gosto de escrever, que chego a ser prolixa, detalhista e tudo o mais, mas esse é um espaço que considero o meu diário de viagem. Quero poder acessá-lo daqui a alguns anos e relembrar desses momentos que estou vivendo e dos que ainda estão por vir. E quero poder compartilhar com vocês todas essas descobertas e sensações, mesmo que à distância… Passaremos a tarde de domingo com o Pedro e a Filipa, que gentilmente se ofereceram para nos mostrar alguns lugares da cidade que ainda não conhecemos. Relaxar e recuperar o fôlego para começar mais uma semana! Para aqueles que ainda mantém o velho estereótipo do português mal-humorado e carrancudo, podem ter certeza: salvo algumas exceções (daquelas pessoas que podemos ver em qualquer lugar), encontramos exemplares bem diferentes deste! E é a eles que dedico o post de hoje.