domingo, 14 de setembro de 2008

A primeira semana do outro lado do Atlântico...


“Pois bem, cheguei. Quero ficar bem à vontade. Na verdade eu sou assim… Descobridor dos sete mares, navegar eu quero!”
Não vim exatamente “navegando”, mas voando eu cheguei!!! Faz pouco mais que uma semana a despedida… Os olhares, os abraços, as lágrimas, os sorrisos e os desejos de boas descobertas, mesmo antes de chegar ao aeroporto. Apesar dos bons e muitos momentos de reencontros e saudades durante o preparo para este embarque, acabou sendo tudo bastante corrido no último momento! No aeroporto, às 16h do dia 03/09, a sensação era de que ainda era cedo …
Viagem longa, mas tranquila. Dificuldade de dormir no avião? Pode-se tentar um comprimidinho básico, um livro ou alguns filmes. Pode ser que funcione. No meu caso, aproveitei meus companheiros: uma passageira (terapeuta holística), sentada ao meu lado, que se encaminhava rumo à Atenas, na Grécia; o livro A Cidade do Sol, de Khaled Husseini; e dois filmes que eram transmitidos (O homem de ferro e Kung fu Panda – ótimo, nenhum dos dois tinha dado pra eu ver no cinema). Ou seja, nada de sono durante as nove horas de vôo Salvador-Lisboa. Até tentei o remedinho, mas nada. Chegando lá, eu encontraria a Ju (com quem eu dividiria o apartamento em Coimbra) e ainda teríamos um outro vôo para a cidade do Porto (prefiro não comentar o trabalho desnecessário que tivemos, já que poderíamos ter pego um trem direto de Lisboa para Coimbra! Mas faz parte da experiência…). Após três horas de espera pelo próximo vôo e pelo avião da Ju que vinha de Brasília e se atrasara (o detalhe era que só nos conhecíamos pela internet e o meu medo era não nos reconhecermos), já estava na fila do embarque quando ela chegou com a Vanessa (uma amiga dela que vai passar os próximos seis meses estudando Psicologia na Universidade do Porto). No fim das contas, ainda pegamos o trem de Porto à Coimbra e só conseguimos chegar por vollta das 15h do dia 04/09. A essa altura, eu só enxergava o chuveiro e a cama. Mas foi uma noite tranquila, ainda tivemos disposição de sair pra jantar.
Período de adaptação e encantamento. Reconhecimento dos lugares, pesquisa no mapa. Apresentação ao pessoal da faculdade, informações sobre os documentos que precisávamos providenciar. Pesquisa de preços, notebooks (portáteis, em português de Portugal), celulares (ou melhor, telemóveis), internet. Dias intensos, enfim.
Dois dias depois da chegada, nos instalamos definitivamente na nossa morada em Portugal: Quinta das Lágrimas, bairro Santa Clara. Um lugar lindo e, apesar de novo, cheio de histórias, assim como toda a cidade… Fiquei fascinada! Vista para o “Rrrrellllógio de Sollll” (com direito a sotaque porrrtuguês, hein?) e o Parque dos Pequenitos (Portugal em miniatura, com vários castelinhos e símbolos das conquistas portuguesas reconstituidos em miniatura, inclusive do Brasil; ainda não fui lá, mas não vai faltar oportunidade)… Com tudo arrumadinho, passamos o primeiro domingo em Coimbra curtindo as merecidas “férias” pré-aulas. Dia de turista total! Parque Verde do Mondego, passeio na barca serrana, arco da Almedina… À noite, contato com os amigos da Ju na cidade do Porto. Resultado: corremos para a estação de trem (pessoas espertas não deixam a oportunidade passar, certo?).
No dia seguinte, fomos ao centro, conhecemos a Universidade do Porto, a Av. dos Aliados, a Torre dos Clérigos (linda, mas não estava aberta para visitação naquele momento… ainda volto lá, a vista é garantidamente maravilhosa), a Igreja do Carmo e várias outras praças e monumentos… Como diz mamy, em cada nova igreja que entramos, devemos fazer um pedido e podem ter certeza de que eu vou fazer em todas, porque aqui tem váárias! Na igreja do Carmo as velas são elétricas e você pode acender a quantidade equivalente ao valor das moedas que depositar (como sou estudante e ainda não recebi a bolsa, acendi uma só por 0,10 cêntimos). E os azulejos tipicamente portugueses pudemos ver em todo lugar! À noite, passeio na Vila Nova de Gaia (que é onde realmente é produzido o vinho do Porto; na verdade, a cidade do Porto somente exporta os vinhos…) e na Ribeira (pois é, no Porto também tem uma), com direito a vinho e cachorro-quente sem molho (só no Brasil usamos molho de tomate no cachorro-quente, eles fazem um sanduiche com queijo, presunto, o que quer que seja, mais a salsicha…).
Como aqui estamos no finalzinho do verão, não podíamos deixar de ir à praia!!! Fomos primeiro ao Palácio de Cristal (não deu pra entrar, mas é um ginásio de esportes, onde acontecem eventos; a sensação é o jardim do Palácio e a vista linda para a cidade) e depois à praia de Matosinhos. Apesar de já conhecer esse mar (só que do outro lado), pude sentir muitas diferenças do que vivia na minha cidade: muitas gaivotas, sol até às 20h, água congelante. Não me perguntem como, mas eu consegui entrar no mar, por muito custo (apesar do pessoal de Brasília, amigos da Ju, e esta principalmente, não ter demonstrado nenhuma dificuldade). Chegamos à praia às 15:30h, de biquini. E saímos ás 18:30h, de casaco. Outra diferença: vento muito frio!!! Com essas mudanças bruscas de temperatura, claro, eu peguei logo um resfriado (mas já estou bem, viu?).
E o dia não acabou por aí. As pessoas inventaram de ir ao “Piolho”, um barzinho próximo à Universidade do Porto bastante frequentado pelos estudantes. Até aí tudo bem. Só que saímos de casa mais de 02h da manhã!!! E eu que sempre fui mais diurna que noturna, hein? Bom, dizem que isso é comum por aqui. Na verdade, enquanto me sinto de férias até vá lá, principalmente porque nos primeiros dias a maior dificuldade era desacostumar o relógio biológico do horário brasileiro. Consequentemente, dormíamos muito tarde e acordávamos mais tarde ainda, considerando o fuso horário de quatro horas que temos no momento. Chegamos umas 05h em casa. E dormimos e domirmos e dormimos até as 14h! Era o dia em que decidimos retornar à Coimbra, afinal, havia uma série de documentações para providenciar ainda… Mas preferimos ir novamente à Vila Nova de Gaia, fazer degustação de vinhos nas famosas caves. Falando desse jeito, parece que nos embriagamos! Só que chegamos num horário em que só deu tempo visitar uma (a Croft). É bem verdade que muitas outras eram pagas, então, perderam a prioridade. Vinho tinto, de sobremesa, doce, mais forte, e uma delícia! E pra completar, após dias de tantas caminhadas, alongamento às margens do Rio Douro (isso foi coisa nossa mesmo, não tinha nenhuma aula pública não). Voltamos à Coimbra com um gostinho de quero mais…
Esses últimos dias têm sido bastante burocráticos, procurando resolver tudo para a minha matrícula na faculdade. Afinal, não posso esquecer o queme trouxe aqui, né? Renovação de visto, conta bancária, nº de contribuinte, inscrição no sistema de saúde, inscrição no departamento de relações internacionais da universidade, matrícula no curso de idiomas (o francês precisa melhorar), supermercado, pesquisa de preços de computadores, internet e celular… Ufa! Bastante coisa em pouco tempo. Acredito que daqui pra frente será sempre assim… A expectativa agora é saber como são nossos colegas do mestrado, nossos professores, nossas aulas, as próximas cidades que irei visitar e onde irei estudar.
A cidade é linda e tranquila. Pra variar, há brasileiros por toda parte (parece que estou escutando meus amigos dizendo pra me afastar de brasileiros e conhecer pessoas de outras culturas, mas definitivamente isso é impossível aqui em Portugal). Muita coisa me faz lembrar de Salvador: a arquitetura, principalmente. Muitas subidas, escadas e ladeiras (aliás, eu e a Ju já percebemos que nossa primeira aula é de ginástica localizada, porque pra chegar à faculdade, mesmo que peguemos algum ônibus até metade do caminho, precisamos sempre subir uma ladeirinha básica)… A comida não é tão ruim, o tempero é agradável, então estamos nos adaptando bem, procurando o que mais nos agrada (ao paladar e ao bolso, é claro). Mas nunca vi um lugar onde se come tanta carne de porco! Até strogonoff de porco eu já comi aqui! É claro que busquei uma feijoada num restaurante brasileiro também, que ninguém é de ferro! Massas, saladas, peixe, de tudo um pouco. Não é tão difícil controlar a alimentação. O Pastel de Belém não podia faltar, né? Agora falta experimentar o de Santa Clara!
Em outro momento apresento a Ju de maneira adequada a vocês, mas já posso dizer (e vocês vão perceber), que estamos nos dando muito bem! Aprendendo semelhanças e diferenças, sobretudo, nos respeitando e dividindo momentos e dificuldades. A saudade aperta bastante de vez em quando, principalmente nas horas de maior quietude e reflexão. Lágrimas afloram no silêncio, numa música, numa cena de filme… Como diz meu pai, sinto falta de um pedaço de mim. Por isso, a tática é me manter sempre elétrica, atarefada e com os pensamentos em movimento. Apesar da distância, como bem disse minha mãe, posso sentir cada um de vocês aqui perto. Como diz minha tia, a melhor parte é termos tanta facilidade de comunicação: a internet é rápida e eficiente, os telefonemas são ótimos, então, a distância caba sendo interrompida em alguns momentos. E são esses momentos que me fortalecem. Afinal, como disse meu irmão, haverá sempre alguém torcendo e esperando por mim. E, como diz minha dindinha, dois anos passam muito rápido, o melhor é aproveitar!

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