quinta-feira, 5 de agosto de 2010

De volta à São Salvador da Bahia...

Parece que se passaram semanas, mas faz apenas 2 dias que cheguei. Na verdade, antes mesmo de eu chegar, a Bahia foi até mim. Especificamente no dia 11 de julho, quando minha mãe e minha tia desembarcaram no aeroporto de Lisboa. Ali começava uma grande aventura, em inúmeros sentidos, para todas nós. Um misto de sentimentos e emoções: o reencontro depois de quase um ano, a expectativa pela primeira vez na Europa, o sonho de estarmos juntas naqueles lugares lindos.
Mas, antes disso, é preciso voltar um pouco mais no tempo... Primeira semana de julho, em meio aos poucos jogos em que o Brasil participou na Copa do Mundo, uma aula prática e intensiva de jogos em equipe durante 3 dias, a consequente despedida dos amigos de uma vida em dois anos, realização e entrega de trabalhos e relatórios finais, últimas providências burocráticss, arrumação de malas, tudo ao mesmo tempo.
Nunca fui boa mesmo em despedidas e está aí uma coisa que não consigo desenvolver com a experiência. Não pretendo me acostumar com elas. De todo modo, muitas vezes, não podemos evitá-las. E assim foi. Na despedida do grupo, não me lembro de alguem ter chorado mais que eu naquela noite em que até o poema "É tempo de partir", de um ex-estudante de Coimbra, a Filipa resolveu ler pra me fazer derramar ainda mais lágrimas(Francisco e a camisa dele que o digam). Depois, a Sabrina. Vê-la partir no táxi, voltar pra casa e não encontrar ninguém me deixou completamente arrasada (a essa altura, eu tinha dúvidas se ainda teria lágrimas depois disso tudo). Mas, graças a Deus, eu tinha o apoio de pessoas "fofas" em Lisboa! Fomos eu, o Gerardo e a Su assistir a Shrek 3D no cinema, somente porque eu precisava sair de casa e ver uma comédia que fosse.
No fim de semana, ainda fomos para Peniche, e passamos um dia maravilhoso na casa da Pipa, com a sua família, comemos churrasco, bebemos vinho, fomos à praia, conhecemos e reconhecemos a área. E foi no dia seguinte que chegaram minha mãe e minha tia lá em casa. O roteiro já estava pronto e era mais do que intenso. Mas, antes de começarmos a pô-lo em prática, ainda havia pessoas que elas precisavam conhecer. No primeiro almoço em Portugal, portanto, contaram com a presença da ala masculina do mestrado (Léo, Paco, Edu e Pedro), mais o Gerardo, nosso amigo de Lisboa. Em seguida, ainda encontramos a Tânia pra um café e um pastel de belém, para equilibrar um pouquinho ;-) Mais duas despedidas das mais difíceis se seguiriam: a do Paco e a do Léo. A essa altura eu percebi que ainda tinha bastantes lágrimas. Felizmente, eu estava acompanhada em casa e o Paco teve a oportunidade de conhecer a D. Carmem Lúcia da Bahia (como ele também já foi ao Parthenon na Grécia, só faltam agora as Pirâmides do Egito, né Paco?)! O Paco a essa altura já está instalado e se readaptando em Bogotá/Colômbia, do mesmo modo que o Léo e a Sá em São Paulo.
A partir daí, seguimos nossa viagem, começando por Coimbra (onde ainda encontramos a Pipa), Fátima e Porto (onde encontramos a Cat), em Portugal; Paris; Veneza, Verona e Roma, na Itália; e Londres (onde a Ju nos aguardava). Essa foi outra despedida que me deixou arrasada, mas com a sensação de que não duraria muito. Afinal, irmãs não conseguem ficar longe uma da outra por muito tempo, né, Ju?
De volta à Lisboa, mais uma vez, encontramos uma criatura mais do que fofinha para nos acompanhar pela cidade, nos levar pra passear, e nos equilibrar após 20 dias compartilhados 24 horas. Foi assim que em 3 dias o Gerardo (ou Geraldo, ou Gerardi, como minha mamys sempre se atrapalhava) marcou ainda mais a sua "alcunha" (e o seu espaço entre nós, só pra dificultar ainda mais a minha despedida)... Com direito à boa comida portuguesa, fado e a um show gratuito de Lauryn Hill na Praça do Comércio, despedimo-nos de Lisboa. No dia seguinte, ainda fomos à Sintra, enfrentando a neblina e o vento gelado em pleno verão e as reclamações das baianas cheias de roupa sobre o tempo esquisito para a suposta época do ano. Último dia na cidade, entretanto, era destinado a arrumação de malas. E disso realmente a gente não escaparia, porque agora era mesmo de vez. Não tinha como deixar algo pra levar depois. E assim, tínhamos ao fim do dia seis malas grandes e três bagagens de mão prontas para serem embarcadas para Salvador. Ainda passeamos um pouquinho pela cidade, e ainda arranjei um tempinho pra encontrar mais uma vez, antes de partir rumo a Salvador, o o grupo mais fantástico de Lisboa, ainda que cada dia mais desfalcado: "Gerardo e suas fofinhas", representado pelo próprio, a Su e a Lídia (além de mim, é claro).
Foram uns três dias de ansiedade "inexplicável", crises de tensão baixa, dor de barriga, insônia, taquicardia, perda de apetite, falta de ar... Tudo isso pelo luto de estar deixando Lisboa. Apesar da saudade inquestionável das pessoas, não somente a cidade iria fazer falta, mas toda a vida e da independência que eu havia construído por lá e cada uma das pessoas que, a seu modo especial me conquistaram e também se tornaram partes essenciais da minha vida. Era uma medo esquisito de voltar. E daquilo que eu iria encontrar. Mas temos que seguir sempre em frente, prosseguir sem desanimar, e assim tenho feito.
Parecem mesmo semanas, mas faz só dois dias que cheguei no lugar onde tem minha terra, meu céu, meu sol, meu mar (mesmo que não tenha visto nenhum deles propriamente ainda). Faz mesmo dois dias que tenho tentado colocar ordem em tudo, ter a sensação de que já estou num espaço meu e organizado. Estou quase acabando, mas tenho certeza de que essa fase ainda vai durar um tempinho. O estranhamento não é pouco, as incertezas também não. Assim como a saudade (agora de lá e das pessoas que ficaram e que eu ainda sinto por perto). Mas ainda alimento a esperança de que tudo não passará de uma fase, de que brevemente terei meus planos em andamento, de que voltarei logo logo a ver algumas dessas pessoas que se tornaram parte de mim. Agora é tempo de descanso, de férias, de viver um dia de cada vez. De descobrir e redescobrir as delícias de ser baiana, soteropolitana, de rever as pessoas e os lugares, de conhecer novos, e, assim, de se preparar para um novo e total RECOMEÇO.

Um comentário:

Unknown disse...

Hey Cary...

Engracado, nem conheco Lisboa... nao fui te visitar la (nao deu, $$, foi mal, hehe) Mas lendo o seu post praticamente consegui sentir o que vc sentiu. Nao sei se porque ja tive experiencia semelhante, quando voltei da alemanha, ou se realmente tenho essa hablidade de sentir o que os outros sentem (thaks to psychology :)) Whatever...
O que importa eh que desejo tudo de bom no seu novo momento e que continue tendo sorte no seu caminho. Tenho certeza que o melhor esta reservado pra voce! Um grande beijo e um grande abraco, do seu amigo "distante",

Jonas