Já em Setembro me dei conta. Era a minha segunda primavera do ano. Com um gostinho diferente, é claro, mas com a mesma sensação de um mundo mais quentinho e colorido. Tudo bem que, por essas bandas de cá, o mundo é sempre mais quentinho. E as cores são mesmo diferentes, nem melhores nem piores, apenas diferentes... Mas nós já falamos sobre isso anteriormente, não quero me tornar repetitiva.
Esse é um período bem típico para reflexões e retrospectivas. Embora pra mim, não haja um período específico, vocês todos são testemunhas disso. Basta uma sementinha ser plantada, ou mesmo esquecida ao relento, e assim surgem as minhas reflexões. Às vezes geram bons frutos, mudanças e novas atitudes, outras vezes, trazem angústia e ansiedade. Depende das circunstâncias do ambiente, da forma de cultivo e do cuidado que receberam. Florescem, adormecem e voltam a florescer, assim como acontece na Primavera. Depois de ultrapassar as intempéries do inverno, o frio, o vento, a chuva (até a neve), eis que despertam novamente as sementinhas.
Esse ano não tive Outono, por exemplo. Embora tenha nascido nessa época do ano, este ano fui presenteada duas vezes com a minha estação preferida. E não tenho do que reclamar. Afinal, mesmo ela se despedindo essa semana, começo a viver o meu segundo verão do ano também.
Sei que essa conversa parece até meio esquisita (ultimamente a confusão é um sentimento que tem aparecido de vez em quando). Mas, na verdade, tudo isso é porque percebi que neste ano, apesar de ter vivido grandes mudanças na minha vida, não quis mesmo viver o “Outono”. Quis, pela primeira vez, em muito tempo (tanto que já nem me lembro), fazer as coisas acontecerem e ver logo os resultados, por mais sofrido que possa ter sido em alguns momentos. É claro que nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente imagina, deseja ou planeja, mas posso dizer que em alguns aspectos consegui. Este ano, mais uma vez, tive algumas surpresas muito boas, outras nem tanto, conheci lugares, encontrei e reencontrei pessoas, morei e trabalhei onde e com quem queria, reuni amigos, planejei e concretizei sonhos meus e de outros, apresentei alguns dos meus lugares preferidos a pessoas queridas, vivi e revivi momentos, me despedi de amigos e irmãos, voltei a ver alguns deles, me apaixonei pelo mundo, pela vida e pelas pessoas, olhei pra mim mesma, olhei para o outro, me decepcionei (e possivelmente, fiz o mesmo a alguém), me reergui (coisa que tenho feito dia-a-dia, realmente), voltei um pouco atrás para mais adiante conseguir avançar com mais força e coragem. Simplesmente, me permiti, vivi, amei, chorei, sorri, fui fiel à mim mesma e à tudo em que acredito. E nem por isso deixei de me arrepender também, pelo dito e pelo não dito, pelo feito e pelo não feito, pelo criado e pelo imaginado. Isso tudo faz parte. Dizem que é melhor se arrepender do que se fez do que daquilo que não se fez. Eu acho, sinceramente, que ambas as coisas podem trazer arrependimento. O importante é aprender algo com elas.
Mas, ao contrário do que alguns poderiam pensar, mesmo não tendo desejado viver o “Outono” (embora ele faça parte das nossas vidas, querendo ou não), não deixo de pensar na sua importância. Todos nós precisamos de um momento de “pausa” para balanço, para repensar, para se reestruturar e se preparar antes de seguir adiante. O perigo é viver eternamente nessa zona e correr o risco, seja lá por que motivo for (medo, insegurança, descrença, resistência), de deixar as oportunidades de sermos felizes passarem. Pode ser que coincida ou não com a época do ano, que venhamos de outros fusos horários, que vivamos um ano menos “certinho”, mas a verdade é que todos nós passamos por todas as estações, todos os anos (e, acredito, não necessariamente na ordem natural em que as conhecemos).
Eu, por exemplo, acredito que o meu “Outono” tenha acontecido rapidamente entre a Primavera e o Verão esse ano. Na verdade, acho que ele ainda está se despedindo, para dar lugar ao Sol forte e poderoso que há-de continuar a brilhar na minha vida. E é isso que tento alimentar em mim... Fico feliz pelo inverno ter durado “pouco”, sobretudo no início do ano, com direito a neve e tudo, bem como por eu ter conseguido passar por ele e sair inteira. Pois é, as estações da nossa vida, ainda que tendam a acompanhar, não necessariamente seguem o ritmo e o padrão da natureza.
Agora me preparo para revivê-las a todas, sempre tentando alimentar, mesmo nos momentos mais difíceis, em que as lentes negativas tendem a nos dominar, a esperança e expectativa de bons ventos, luz suficiente, terra fértil e água na medida certa, para que as sementinhas plantadas cresçam firmes, fortes e que continuem trazendo momentos de alegria para os que estão à sua volta, mas sobretudo para mim mesma, mais do que nunca a personagem principal da minha vida. Não é fácil, mas é uma questão de escolha...
Desejo a todos que cada “estação” seja muito bem vivida e refletida. Que este Natal seja muito feliz, em volta das pessoas que amamos e que verdadeiramente nos amam e se importam conosco, e que a chegada de 2011 seja mesmo um anúncio de boas novas! Até a próxima!
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