Tá bem que fevereiro é o mês mais curto do ano, mas dessa vez passou tão rápido, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo (Graças a Deus!!!), que eu nem acredito que já estamos em meados de março! Primeiro, a preparação para a Winter School (ou melhor, Curso de Inverno), mais do que intensivo. Duas semanas com os melhores professores da Psicologia Organizacional da Europa, aulas, trabalhos, trabalhos e maaais trabalhos. A melhor parte: todos os alunos do Master, das cinco universidades conveniadas (Coimbra, Paris, Barcelona, Valência, Bologna), mais alguns da San Jose State University dos Estados Unidos, juntos aqui em Coimbra, cidade-sede do evento.
Nem preciso dizer a loucura que foram essas duas semanas. Começando pelo próprio tempo. De repente, o inverno chegou chegando em Coimbra, com muito frio, vento e chuva, pra dificultar nossa vida (como se isso fosse algum impedimento pra gente). Só não teve neve :-( Já na primeira semana, reconhecimento da área e dos nossos colegas dos grupos virtuais, reencontro entre amigos que se viram durante o período de mobilidade (como o meu foi em Paris, vocês todos sabem, reencontrei Adri, José, Ilaria, Davi, Jenny, todos que estavam lá comigo e que também haviam voltado pras suas universidades de origem), apresentações de trabalho, aulas, almoços coletivos nas cantinas, coffee-breaks intermináveis e super-calóricos (claro, estamos em Portugal, minha gente!), noitadas de trabalho no saguão do hotel onde os alunos e professores de fora estavam hospedados, e, como não podia deixar de ser, festinhas e passeios pelas redondezas.
Bom, até que gostaríamos de ter feito mais, mas o cansaço era tamanho que a festinha só rolou mesmo na sexta-feira, e boa parte não aguentou ficar até mais do que a 01h da manhã. No domingo, apesar da previsão meteorológica não ser muito animadora, resolvemos acompanhar o grupo de estrangeiros (nessa eu nem me incluo, porque já sou da casa) até o Porto, pois eles não iriam se conformar em ir embora sem conhecer a cidade e experimentar o tradicional vinho da região. E lá fomos nós, todos equipados com casacos e guarda-chuvas. Nem nos enxergávamos direito na estação de trem, mesmo sendo 20, no total (os outros 20 não tiveram a mesma coragem, ou melhor, foram mais sábios). Já chegamos lá completamente molhados, é claro. Tentávamos andar pela cidade, lutando contra o vento, rezando pra encontrar logo um restaurante bem quentinho pra almoçarmos, "esperando a chuva passar".
Nessa espera, passamos umas duas horas e ainda tivemos a oportunidade de ouvir no noticiário o Alerta Vermelho para o tempo no Porto. O Rio Douro já estava muito cheio e havia possibilidade de enchentes, inclusive nas caves (onde são armazenados os vinhos). Detalhe: estávamos a poucos metros do rio, quando ouvimos as notícias. Ponderamos sobre atravessarmos a ponte (calma, a ponte era resistente!!) com as pessoas e arriscarmos fazer a degustação de algum vinho. Demoramos uma meia hora quase só pra decidir, mas no final fomos. Saímos de lá diretinho pra Estação de trem (nunca quis tanto voltar pra Coimbra!), enfrentando o frio e a chuva mais uma vez. Claro que paramos pra tomar um café antes disso ;-) Viemos num trem tão cheio, que até respirar era complicado (claro, todos os estudantes já se preparavam pra voltar pra cidade, já que teriam aulas na segunda-feira).
No dia seguinte, de volta ao trabalho. Afinal, era pra isso que estávamos reunidos, não é? ;-) E haaaaja trabalho! Mas, mesmo aprecendo zumbis, não perdiamos nunca a animação! Nesse meio tempo, comemoramos uns quatro aniversários (isso foi durante o dia mesmo, nos intervalos, porque as noites estavam reservadas para trabalhar!). Com aulas das 09h às 19h, não nos sobravam muitas opções, a não ser comermos qualquer coisa e seguir noite adentro. Na terceira noite, até resolvi levar uma mudinha de roupa pra tomar banho no quarto das meninas no hotel, só pra acordar um pouquinho e recomeçar. A verdade é que o meu grupo não era muito "noturno", então raramente eu ia dormir depois 00:30h. E quando eu saía pra vir pra casa, sempre deixava o saguão do hotel lotado com os outros grupos trabalhando enlouquecidamente.
Apenas no penúltimo dia, véspera de entrega do trabalho final (detalhe que era uma competição pelo melhor projeto apresentado), segui até às 04h da manhã, embora muitos amigos dos outros grupos tenham seguido até o amanhecer, decidindo apenas tomar um banho, comer algo e ir direto pra faculdade. A parte "engraçada" era ver a cara dos funcionários do hotel, assustados com tantos estudantes trabalhando que nem desvairados noite adentro, espalhados pelo chão, pelos sofás, onde fosse possível e desse pra ligar os computadores. E ainda por cima, vendo os professores chegarem dos seus jantares, circularem admirados entre nós, sorrirem e subirem para as suas caminhas quentinhas. Acho que o que mais esses funcionários se perguntavam devia ser: "Meu Deus, o que será que esses professores fazem com esses alunos pra que eles fiquem até essa hora trabalhando, e depois vão dormir tranquilos???" No caso da minha turma, o projeto era desenvolver um sistema de avaliação de desempenho, de maneira criativa, em menos de duas semanas, a ser aplicado às enfermeiras de um hospital. Fora isso, "otras cositas más".
O último dia passamos todinho assistindo às apresentações dos projetos desenvolvidos pelos oito grupos (quatro que deveriam reorganizar a estrutura de trabalho das enfermeiras e quatro que deveriam propor o sistema de avaliação de desempenho). Mais um pequeno detalhe: o meu grupo era o último. Mas o último meeeeeesmo, lá pras 18h!!! Bom, teríamos que colocar energia nessa apresentação, do contrário, todos aqueles zumbis que passaram a noite em claro, não iam resistir. E fazer isso em inglês é ainda "melhor" ;-)
Mas, realmente, aqueles coffee-breaks faziam milagres. As pessoas estavam mesmo bem acordadas a essa altura! Depois disso, seguimos esperando a decisão final dos nossos avaliadores acerca dos grupos vencedores (um de cada turma). E, diante de tantos trabalhos de alta qualidade (aé porque em cada um dos grupos havia amigos meus cujo trabalho eu conheço bem e pessoalmente), eis que o do meu grupo foi o escolhido com o melhor projeto de avaliação de desempenho, representante da turma de Recursos Humanos!!! Isso vindo dos "gurus" da Psicologia Organizacional e do Trabalho européia não deve ser "pouca coisa", né? ;-)
Seguimos a noite de encerramentos e premiações com a entrega do "Woppy Awards 2010". Categorias: Mr ou Miss Zen, Sleepy (dorminhoco/a), "Cookie-Monster" (comilão/comilona), Flighty ("viajante"), Hilarious (engraçado/a), Brainstorming (criativo/a), Connections (o "relações públicas"), Shop-aholic (viciados em compras), Work-aholic (tem no trabalho uma religião). Começo por dizer que dentre todas as categorias, 4 ganhadores eram de Coimbra. Alguém arrisca adivinhar em qual foi a que eu ganhei? Até concordo em certo ponto, mas juro que não fui a que fiquei mais tempo trabalhando durante essas duas semanas ;-) Sorry, guys!
Anyway, "Miss Work-aholic" ou não, acredito que consegui um bom equilíbrio entre trabalho, festas, passeios, comprinhas no shopping e boas noites de sono, durante todos esses dias! ;-) E estou bem feliz com o resultado!
O mais importante de todos os aprendizados, entretanto, não esteve somente relacionado ao conteúdo de todas as disciplinas interessantes e de todos os professores renomados que tivemos a oportunidade de encontrar, conversar e aprender com (Robert A. Roe, Neil Anderson, Erik Andriessen, David Guest, Dirk Steiner, além dos coordenadores do mestrado de cada universidade, Peiró, Duarte Gomes, Zapallá, Rogard), mas também com a convivência diária com pessoas dos mais diversos lugares do mundo.
Confesso que passei um tempo contando de quantos países nós éramos. Perdi as contas algumas vezes, mas cheguei sempre perto dos 20 países, da Europa, da África, da América Latina, da América do Norte, do Oriente Médio, da Ásia. Quem me conhece bem sabe o quanto eu sou adepta à diversidade (não é à toa que a minha tese de mestrado é sobre isso ;-) e o quanto me fascinam as diferenças. Não tinha coisa mais divertida pra mim do que ouvir de um lado um grupo conversando em português, do outro lado outro grupo conversando em francês, outro em espanhol, outro ainda em italiano e, claro em inglês, que era supostamente o idioma oficial do mestrado.
O exercício de respeito e tolerância era contínuo entre todos nós. Mas não me pareceu nenhum sacrifício (bom, considerando o caos em que estão algumas regiões do mundo atualmente, talvez sejamos mesmo exceções). Argumentar, negociar, ceder, reivindicar, em outro idioma que não o nosso pode se mostrar realmente complicado em alguns momentos. Mas foi também um desafio e um aprendizado únicos que ficarão para sempre em nossas vidas. Terminamos a noite dançando muito, para liberar todo o stress acumulado e comemorar o fato de estarmos todos juntos. As primeiras despedidas não foram fáceis, lágrimas inevitáveis haveriam de rolar...
Mas pra mim, as mais difíceis ainda estariam por vir. Afinal, o fim de semana só estava começando e nesse último domingo, dia 07 de março, ainda teríamos (alguns de Coimbra e os amigos dela de Valência) o casamento da Lorena (mexicana) com o Francisco (não o colombiano Paco, mas o português que não é do mestrado!). E nos fez realmente bem, pelo menos às meninas, depois de toda aquela loucura, passarmos umas horinhas cuidando de nós e ficando lindas para uma festa tão bonita! E quem me conhece, também sabe que eu adoro essa movimentação de salão de beleza, unhas, cabelo, maquiagem, etc. (bom, por pouco os meus dedos não foram arrancados pela manicure-açougueira que eu encontrei, mas tudo bem).
Passamos um domingo descontraído, nos divertimos muito e tivemos a oportunidade de conhecer mais uma tradição portuguesa (nunca vi taaaaaanta comida num casamento, minha gente! pelamordedeus!!!). É claro também que o momento da despedida foi cruel pra mim. Já têm sido tantas nesses ultimos dois anos, mas não consigo me acostumar com elas. Com o fim do mestrado em julho, é fato que cada um de nós deve seguir o seu caminho. As amizades foram construídas e muitas permanecerão (agora que todos os meus amigos querem ir à Bahia, vocês tratem de se preparar para serem ainda melhores anfitriões do que sempre fomos!). Mas a sensação de que não sabemos quando voltamos a nos encontrar é muito difícil (refiro-me especificamente aos amigos que voltam às suas universidades de origem). Despedir-me da minha companheira de grupo da Winter School e meu equilíbrio nos momentos de stress Níbia (uruguaia), da noiva mais tranquila do mundo no meio daquela loucura Lore (mexicana), do meu querido casalzinho de afilhados que se tornaram meus grandes amigos ainda em Paris, Adri (argentina) e Jose (espanhol), foi especialmente doloroso. Óbvio que voltei pra casa com a maquiagem cuidadosamente elaborada totalmente destruída, de tanto que chorei.
A partir de agora, a sensação começa a ficar esquisita: ao mesmo tempo em que se aproxima o momento de voltar pra casa, também se aproxima o momento de me separar da família que construí aqui. Amanhã temos finalmente nossa primeira reunião para decidir onde serão os estágios e, possivelmente, não ficaremos todos na mesma cidade (só espero não ir pra nenhum lugar isolado!). Ainda essa semana recomeçamos as aulas, até o fim do mês pretendemos finalizar nossas teses, e ainda procurar onde morar e fazer a mudança (para aqueles que não ficarem em empresas de Coimbra). Assim, o mês de março promete realmente ser bastante movimentado também!
Enquanto isso, nós vamos aproveitando todo e cada segundo, como tenho feito (ou tentado fazer) desde que cheguei aqui. Hoje é níver da Sabrina (sim, Sá e Jú voltaram finalmente pra Coimbra!! Tenho minhas amigas brasileirinhas de volta, perto de mim!!) e vamos todos daqui a pouco sambar na casa dela! ;-) Amanhã é outro dia... "Logo se vê", como dizem os portugueses.
Nem preciso dizer a loucura que foram essas duas semanas. Começando pelo próprio tempo. De repente, o inverno chegou chegando em Coimbra, com muito frio, vento e chuva, pra dificultar nossa vida (como se isso fosse algum impedimento pra gente). Só não teve neve :-( Já na primeira semana, reconhecimento da área e dos nossos colegas dos grupos virtuais, reencontro entre amigos que se viram durante o período de mobilidade (como o meu foi em Paris, vocês todos sabem, reencontrei Adri, José, Ilaria, Davi, Jenny, todos que estavam lá comigo e que também haviam voltado pras suas universidades de origem), apresentações de trabalho, aulas, almoços coletivos nas cantinas, coffee-breaks intermináveis e super-calóricos (claro, estamos em Portugal, minha gente!), noitadas de trabalho no saguão do hotel onde os alunos e professores de fora estavam hospedados, e, como não podia deixar de ser, festinhas e passeios pelas redondezas.
Bom, até que gostaríamos de ter feito mais, mas o cansaço era tamanho que a festinha só rolou mesmo na sexta-feira, e boa parte não aguentou ficar até mais do que a 01h da manhã. No domingo, apesar da previsão meteorológica não ser muito animadora, resolvemos acompanhar o grupo de estrangeiros (nessa eu nem me incluo, porque já sou da casa) até o Porto, pois eles não iriam se conformar em ir embora sem conhecer a cidade e experimentar o tradicional vinho da região. E lá fomos nós, todos equipados com casacos e guarda-chuvas. Nem nos enxergávamos direito na estação de trem, mesmo sendo 20, no total (os outros 20 não tiveram a mesma coragem, ou melhor, foram mais sábios). Já chegamos lá completamente molhados, é claro. Tentávamos andar pela cidade, lutando contra o vento, rezando pra encontrar logo um restaurante bem quentinho pra almoçarmos, "esperando a chuva passar".
Nessa espera, passamos umas duas horas e ainda tivemos a oportunidade de ouvir no noticiário o Alerta Vermelho para o tempo no Porto. O Rio Douro já estava muito cheio e havia possibilidade de enchentes, inclusive nas caves (onde são armazenados os vinhos). Detalhe: estávamos a poucos metros do rio, quando ouvimos as notícias. Ponderamos sobre atravessarmos a ponte (calma, a ponte era resistente!!) com as pessoas e arriscarmos fazer a degustação de algum vinho. Demoramos uma meia hora quase só pra decidir, mas no final fomos. Saímos de lá diretinho pra Estação de trem (nunca quis tanto voltar pra Coimbra!), enfrentando o frio e a chuva mais uma vez. Claro que paramos pra tomar um café antes disso ;-) Viemos num trem tão cheio, que até respirar era complicado (claro, todos os estudantes já se preparavam pra voltar pra cidade, já que teriam aulas na segunda-feira).
No dia seguinte, de volta ao trabalho. Afinal, era pra isso que estávamos reunidos, não é? ;-) E haaaaja trabalho! Mas, mesmo aprecendo zumbis, não perdiamos nunca a animação! Nesse meio tempo, comemoramos uns quatro aniversários (isso foi durante o dia mesmo, nos intervalos, porque as noites estavam reservadas para trabalhar!). Com aulas das 09h às 19h, não nos sobravam muitas opções, a não ser comermos qualquer coisa e seguir noite adentro. Na terceira noite, até resolvi levar uma mudinha de roupa pra tomar banho no quarto das meninas no hotel, só pra acordar um pouquinho e recomeçar. A verdade é que o meu grupo não era muito "noturno", então raramente eu ia dormir depois 00:30h. E quando eu saía pra vir pra casa, sempre deixava o saguão do hotel lotado com os outros grupos trabalhando enlouquecidamente.
Apenas no penúltimo dia, véspera de entrega do trabalho final (detalhe que era uma competição pelo melhor projeto apresentado), segui até às 04h da manhã, embora muitos amigos dos outros grupos tenham seguido até o amanhecer, decidindo apenas tomar um banho, comer algo e ir direto pra faculdade. A parte "engraçada" era ver a cara dos funcionários do hotel, assustados com tantos estudantes trabalhando que nem desvairados noite adentro, espalhados pelo chão, pelos sofás, onde fosse possível e desse pra ligar os computadores. E ainda por cima, vendo os professores chegarem dos seus jantares, circularem admirados entre nós, sorrirem e subirem para as suas caminhas quentinhas. Acho que o que mais esses funcionários se perguntavam devia ser: "Meu Deus, o que será que esses professores fazem com esses alunos pra que eles fiquem até essa hora trabalhando, e depois vão dormir tranquilos???" No caso da minha turma, o projeto era desenvolver um sistema de avaliação de desempenho, de maneira criativa, em menos de duas semanas, a ser aplicado às enfermeiras de um hospital. Fora isso, "otras cositas más".
O último dia passamos todinho assistindo às apresentações dos projetos desenvolvidos pelos oito grupos (quatro que deveriam reorganizar a estrutura de trabalho das enfermeiras e quatro que deveriam propor o sistema de avaliação de desempenho). Mais um pequeno detalhe: o meu grupo era o último. Mas o último meeeeeesmo, lá pras 18h!!! Bom, teríamos que colocar energia nessa apresentação, do contrário, todos aqueles zumbis que passaram a noite em claro, não iam resistir. E fazer isso em inglês é ainda "melhor" ;-)
Mas, realmente, aqueles coffee-breaks faziam milagres. As pessoas estavam mesmo bem acordadas a essa altura! Depois disso, seguimos esperando a decisão final dos nossos avaliadores acerca dos grupos vencedores (um de cada turma). E, diante de tantos trabalhos de alta qualidade (aé porque em cada um dos grupos havia amigos meus cujo trabalho eu conheço bem e pessoalmente), eis que o do meu grupo foi o escolhido com o melhor projeto de avaliação de desempenho, representante da turma de Recursos Humanos!!! Isso vindo dos "gurus" da Psicologia Organizacional e do Trabalho européia não deve ser "pouca coisa", né? ;-)
Seguimos a noite de encerramentos e premiações com a entrega do "Woppy Awards 2010". Categorias: Mr ou Miss Zen, Sleepy (dorminhoco/a), "Cookie-Monster" (comilão/comilona), Flighty ("viajante"), Hilarious (engraçado/a), Brainstorming (criativo/a), Connections (o "relações públicas"), Shop-aholic (viciados em compras), Work-aholic (tem no trabalho uma religião). Começo por dizer que dentre todas as categorias, 4 ganhadores eram de Coimbra. Alguém arrisca adivinhar em qual foi a que eu ganhei? Até concordo em certo ponto, mas juro que não fui a que fiquei mais tempo trabalhando durante essas duas semanas ;-) Sorry, guys!
Anyway, "Miss Work-aholic" ou não, acredito que consegui um bom equilíbrio entre trabalho, festas, passeios, comprinhas no shopping e boas noites de sono, durante todos esses dias! ;-) E estou bem feliz com o resultado!
O mais importante de todos os aprendizados, entretanto, não esteve somente relacionado ao conteúdo de todas as disciplinas interessantes e de todos os professores renomados que tivemos a oportunidade de encontrar, conversar e aprender com (Robert A. Roe, Neil Anderson, Erik Andriessen, David Guest, Dirk Steiner, além dos coordenadores do mestrado de cada universidade, Peiró, Duarte Gomes, Zapallá, Rogard), mas também com a convivência diária com pessoas dos mais diversos lugares do mundo.
Confesso que passei um tempo contando de quantos países nós éramos. Perdi as contas algumas vezes, mas cheguei sempre perto dos 20 países, da Europa, da África, da América Latina, da América do Norte, do Oriente Médio, da Ásia. Quem me conhece bem sabe o quanto eu sou adepta à diversidade (não é à toa que a minha tese de mestrado é sobre isso ;-) e o quanto me fascinam as diferenças. Não tinha coisa mais divertida pra mim do que ouvir de um lado um grupo conversando em português, do outro lado outro grupo conversando em francês, outro em espanhol, outro ainda em italiano e, claro em inglês, que era supostamente o idioma oficial do mestrado.
O exercício de respeito e tolerância era contínuo entre todos nós. Mas não me pareceu nenhum sacrifício (bom, considerando o caos em que estão algumas regiões do mundo atualmente, talvez sejamos mesmo exceções). Argumentar, negociar, ceder, reivindicar, em outro idioma que não o nosso pode se mostrar realmente complicado em alguns momentos. Mas foi também um desafio e um aprendizado únicos que ficarão para sempre em nossas vidas. Terminamos a noite dançando muito, para liberar todo o stress acumulado e comemorar o fato de estarmos todos juntos. As primeiras despedidas não foram fáceis, lágrimas inevitáveis haveriam de rolar...
Mas pra mim, as mais difíceis ainda estariam por vir. Afinal, o fim de semana só estava começando e nesse último domingo, dia 07 de março, ainda teríamos (alguns de Coimbra e os amigos dela de Valência) o casamento da Lorena (mexicana) com o Francisco (não o colombiano Paco, mas o português que não é do mestrado!). E nos fez realmente bem, pelo menos às meninas, depois de toda aquela loucura, passarmos umas horinhas cuidando de nós e ficando lindas para uma festa tão bonita! E quem me conhece, também sabe que eu adoro essa movimentação de salão de beleza, unhas, cabelo, maquiagem, etc. (bom, por pouco os meus dedos não foram arrancados pela manicure-açougueira que eu encontrei, mas tudo bem).
Passamos um domingo descontraído, nos divertimos muito e tivemos a oportunidade de conhecer mais uma tradição portuguesa (nunca vi taaaaaanta comida num casamento, minha gente! pelamordedeus!!!). É claro também que o momento da despedida foi cruel pra mim. Já têm sido tantas nesses ultimos dois anos, mas não consigo me acostumar com elas. Com o fim do mestrado em julho, é fato que cada um de nós deve seguir o seu caminho. As amizades foram construídas e muitas permanecerão (agora que todos os meus amigos querem ir à Bahia, vocês tratem de se preparar para serem ainda melhores anfitriões do que sempre fomos!). Mas a sensação de que não sabemos quando voltamos a nos encontrar é muito difícil (refiro-me especificamente aos amigos que voltam às suas universidades de origem). Despedir-me da minha companheira de grupo da Winter School e meu equilíbrio nos momentos de stress Níbia (uruguaia), da noiva mais tranquila do mundo no meio daquela loucura Lore (mexicana), do meu querido casalzinho de afilhados que se tornaram meus grandes amigos ainda em Paris, Adri (argentina) e Jose (espanhol), foi especialmente doloroso. Óbvio que voltei pra casa com a maquiagem cuidadosamente elaborada totalmente destruída, de tanto que chorei.
A partir de agora, a sensação começa a ficar esquisita: ao mesmo tempo em que se aproxima o momento de voltar pra casa, também se aproxima o momento de me separar da família que construí aqui. Amanhã temos finalmente nossa primeira reunião para decidir onde serão os estágios e, possivelmente, não ficaremos todos na mesma cidade (só espero não ir pra nenhum lugar isolado!). Ainda essa semana recomeçamos as aulas, até o fim do mês pretendemos finalizar nossas teses, e ainda procurar onde morar e fazer a mudança (para aqueles que não ficarem em empresas de Coimbra). Assim, o mês de março promete realmente ser bastante movimentado também!
Enquanto isso, nós vamos aproveitando todo e cada segundo, como tenho feito (ou tentado fazer) desde que cheguei aqui. Hoje é níver da Sabrina (sim, Sá e Jú voltaram finalmente pra Coimbra!! Tenho minhas amigas brasileirinhas de volta, perto de mim!!) e vamos todos daqui a pouco sambar na casa dela! ;-) Amanhã é outro dia... "Logo se vê", como dizem os portugueses.
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