terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Reflexões de fim de ano...

Esse período do ano é mesmo uma época de esperança. E de renovação. É um momento em que todos fazemos o nosso "balanço" e estabelecemos planos para o ano que se aproxima. Estar longe do meu país e do meu lar também me faz repensar sobre aquilo que quero daqui para a frente. É bem verdade que chegamos a um ponto em que temos a certeza de que a melhor alternativa é estar preparado para tudo. É o que tenho procurado fazer.
E sendo uma época de esperança, não posso mesmo deixar de pensar no meu país. A verdade é que, pelo que tenho lido ultimamente, parece que nunca antes houve tanto otimismo em relação ao país verde e amarelo, do futebol e do carnaval, das belas praias e mulheres "exóticas". Dessa vez o Brasil parece estar sendo visto, pelo menos aqui fora, com olhos diferentes. Apesar de todas as críticas quando foi indicado uns anos atrás junto com a Rússia, a Índia e a China como os países que viriam a "ditar as regras" da economia mundial nas próximas décadas, hoje o Brasil é respeitado internacionalmente como o país que foi o último a entrar e o primeiro a sair da crise. Passei os últimos dois meses trabalhando sobre a América Latina e os desafios para os Recursos Humanos nessa região, com o Brasil sempre aparecendo como o "novo grande líder" local. Cada vez mais investidores animados são atraídos pelo crescimento econômico e pelo controle da inflação, assim como pela estabilidade política e democrática , tudo isso também fortalecendo e impulsionando empresas nossas, como a Petrobrás, a Vale e a Embraer, a cada vez mais arriscarem-se fora de casa. Dizem que, desde que os portugueses desembarcaram em terras tropicais em 1500, o Brasil não havia conhecido momento tão positivo, estando prestes a se tornar na próxima década a 5ª maior economia mundial, ultrapassando o Reino Unido e a França (ainda mais agora, após a descoberta e exploração do petróleo no pré-sal). Sabemos que tais mudanças não aconteceram da noite para o dia, mas sim que vêm ocorrendo desde o inicio dos anos 90, ainda no governo FHC. Ainda que Lula esteja vivendo o seu mandato no acreditado melhor momento da nação, verdade seja dita, que ele também soube aproveitar dessa boa imagem para conquistar a todos os grandes e pequenos líderes do mundo (embora isso também tenha sido motivo de alguns deslizes da sua parte). Mas, hoje ele não só é escutado, como também admirado, respeitado e apontado como provavelmente o homem mais importante da década.
Engraçado que o marco simbólico de tudo isso foi quando o Brasil ganhou de Madrid as Olimpíadas de 2016. Considerando que em 2014 ainda temos a Copa do mundo de Futebol, maior visibilidade impossível. E, é claro, isso é uma faca de dois gumes. Muito investimento envolvido, muitas mudanças a serem executadas em curto prazo (mesmo se elas foram planejadas com mais de uma década de antecedência e nunca tornaram-se realidade, como o metrô de Salvador, por exemplo), mas também muitas cobranças e riscos de todas as partes.
Não tenho certeza do impacto dessas análises sobre a economia brasileira dentro do próprio país, mas ler essas notícias aqui de fora gera uma mistura de pensamentos e sentimentos: ao mesmo tempo que dá um grande orgulho (vocês imaginem como é para uma pessoa saudavelmente "nacionalista" como eu ver reportagens de várias páginas em revistas importantes e de circulação mundial, com a capa "O Brasil decola"), dá também uma certa desconfiança (será que é assim mesmo? Será que os brasileiros estão percebendo o mesmo?) e uma pontinha de esperança (mesmo que não seja tudo exatamente tão otimista assim, a fé que eu tenho no meu povo e no meu país realmente acabam por me dominar).
É essa esperança que me faz acreditar no bom senso dos grandes líderes mundiais para chegarem a um acordo sobre o controle das alterações climáticas (uma grande chance já foi desperdiçada, com o insucesso da Cúpula de Copenhagen; agora o próximo encontro só em 2010 no México), na escolha de um representante que mantenha o Brasil andando pra frente nas próximas eleições presidenciais, numa vida mais justa e sem fome para as nossas crianças, no direito à saúde, educação e segurança para todos. Apesar de todo esse entusiasmo, sabemos que nossos problemas ainda não são nada pequenos… os índices de pobreza e desigualdade podem até estar diminuindo (bem gradativamente, creio eu), e a classe média aumentando, mas questões como a educação, saúde e segurança ainda são básicas para acreditarmos que o desenvolvimento do nosso país está realmente atingindo a todas as pessoas.
Mas, a verdade é que, sendo "o país do futuro", o Brasil está no foco dos holofotes internacionais e o sucessor de Lula, seja quem for, terá pela frente um grande desafio.
Enquanto isso, cá estou eu com todos os meus botões, fazendo as típicas reflexões de fim de ano (bom, se você está em Coimbra, ao mesmo tempo em que isso é inevitável, pode ser também extremamente melancólico), e penso em tudo o que aconteceu pra mim em 2009. Em todas as expectativas que criei e que foram criadas sobre mim, nas realizações que alcancei, na independência e auto-confiança que conquistei, e nas conclusões a que cheguei... Descobri outros mares, outras praias, outros sabores, outros lugares. Aprendi a conviver e compreender pessoas das mais diversas, a andar pelo mundo sozinha, a reconhecer os meus limites. E confirmei a certeza de que o bom mesmo, embora nem sempre seja possível, é compartilhar: coisas, momentos, viagens, experiências, seja o que for. Voltando ao princípio, começo novamente a me perguntar onde será o melhor lugar para estar daqui pra frente. Confesso que ainda tenho bastante sede do mundo, que encontrei uma capacidade de adaptação antes desconhecida, mas realmente começo a pensar que condições me levariam a escolher outros lugares em detrimento daquele que sinto, penso e considero como meu.
O ano de 2010 promete, mais uma vez, grandes mudanças e estas podem levar a todos nós para muitos lados diferentes. No meu caso, aproxima-se o último semestre do mestrado, a época do estágio profissional, a defesa da dissertação, a despedida daqueles que me acompanharam ao longo desses anos, a busca pelo incerto quando tudo isso "acabar". O desafio, de todas as formas, será manter o padrão de sucessos e buscar ainda melhores alternativas e resultados. Isso vale pro Brasil, pra mim, pra todos nós. Seja lá onde estiver, tenho uma crescente certeza do que quero alcançar e de quem quero levar comigo. É o que também espero testemunhar em relação àquele que tenho certeza de que, independente do que aconteça e de onde eu esteja, nunca deixará de ser o meu lugar.
Desejo a todos um Natal repleto de amor, sorrisos e abraços quentinhos, e um 2010 cheio de surpresas felizes e muita esperança!

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