terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Era uma vez uma baiana no gelo...

Esse ano eu tinha me prometido: ia conhecer a neve de qualquer jeito! Afinal, mamys sempre me ensinou a nunca deixar pra amanhã o que se pode fazer hoje (e, como nada se sabe sobre o futuro, resolvi cumprir a minha promessa). Assim, escolhemos eu e a Tânia o destino do Reveillon, sendo que o meu único requisito, além dos menores preços das passagens, era que fosse um lugar novo e que tivesse neve. No final, fomos pra Alemanha.
No entanto, a preocupação nos dias anteriores à viagem já era o contrário: como chegaríamos lá com tantas nevascas e tantos aeroportos fechados, como diziam os noticiários?? Mas São Pedro nos deu uma trégua! Chegamos em Dusseldorf com frio e chuva, mas nada de neve... Passeamos pela cidade e o meu único pedido era que um pinguinho mais branquinho caísse do céu. Seguimos no dia 30 para Colônia, onde ficamos até o Reveillon, e encontramos mais chuva. Nada parecida com o que temos no Brasil. Chuvinha fraca, de leve, mas chaaaata, gelaaaada...
Mas, como todo brasileiro, eu não desisto nunca! E o meu primeiro presente de 2010 foi uns "salpicos" de neve exatamente à meia-noite do dia 1º de janeiro ;-) Descemos todos para comemorar a virada do ano com champagne e fogos de artifício (estávamos na casa de uma amiga da Erika, alemã amiga da Tânia, que fizeram uma festa nesse dia) e, de repente, eis que eu sinto uns floquinhos mais espessos caindo no meu rosto. Ninguém deu muita importância. Até a criatura aqui gritar: "Tânia, tá nevando?! It is snowing!!! Mãe, tá nevando!". E todas as pessoas me olharem divertidas porque eu ficava tão feliz com tão pouca neve. A partir dali acho que todos começaram também a desejar que nevasse "de verdade" antes de eu voltar pra Portugal. Só com aqueles floquinhos tímidos eu já tinha ficado tão feliz, imaginem se fosse neve "de verdade"!
Bom, no dia seguinte, eu e a Tânia nos separamos: ela seguiu para Bielefeld com a amiga alemã Kika e eu segui para Frankfurt, pretendendo encontrar o meu amigo brasileiro Jonas e sua noiva "húngara/alemã/quase baiana" Anna. Cheguei em Frankfurt por volta das 17h, com tudo já escuro e muito frio. Cadê o ânimo pra ir conhecer a cidade? Fiquei mesmo no hotel, passando o tempo na internet e falando com a família. No dia seguinte, saí resignada (nada de neve) e fui passear pela cidade, conhecer os pontos principais, até Jonas chegar. Finalmente, o reencontro após dois anos foi ótimo! Engraçado foi encontrar um amigo depois de uns dois anos, que morava na mesma cidade que eu, a menos de 30 minutos de carro da minha casa, depois de atravessarmos um oceano e metade de um continente... Mas, como nunca se sabe do dia de amanhã, não podíamos deixar a oportunidade passar. Conheci a sua futura esposa, passeamos um pouco mais, almoçamos juntos e colocamos o papo em dia (detalhe: a Anna falava português quase tão bem quanto eu, com gírias baianas e tudo!). À noite, voltei para o hotel. Faltava só um dia antes de eu ir embora da Alemanha, e nada de neve...
Passei a noite entre as minhas leituras e o trabalho de decifrar as imagens dos noticiários alemães (como se eu conseguisse entender uma palavra sequer desse idioma). Acabei adormecendo, claro. Acordei por volta das 09:30h no domingo, dia 03 de janeiro, e como sempre, fui abrir as cortinas. Vocês não podem imaginar a minha cara de susto. Estava tudo branquinho!!!! Nem lavei o rosto e corri pra buscar a câmera (até cair em mim que eu queria mesmo era estar lá embaixo). Vesti todas as roupas possíveis (literalmente! acho que nesse dia estava com 4 calças e 4 blusas além das luvas, do gorro, das botinhas impermeáveis e do casaco super-hiper-mega quente que peguei emprestado com a Ana Teresa - minha salvação!), comi qualquer coisa e desci correndo pra não perder nenhum segundo do espetáculo.
Caminhei parecendo uma boba pelas ruas de Frankfurt, refazendo o caminho do dia anterior, dessa vez, totalmente coberto de neve. Tirei "milhares" de fotos, fiz alguns videos, mas o mais marcante e inesquecível é mesmo a sensação de ter vivido essa experiência. Acho que sou mais intensa do que imaginava. Não efusiva ou "escandalosa", mas intensa no sentido de dar uma grande importância às mínimas coisas da vida, muitas das quais passariam despercebidas, seriam consideradas "normais" ou, ainda, como "mais um" bom momento, pela maioria das pessoas. Encontrei grupos de todas as idades nas ruas, divertindo-se, tirando fotos, fazendo brincadeiras. Andei o dia inteiro, fascinada (bom, as lojas estavam todas fechadas, mesmo achar um lugar pra comer foi difícil, mas ainda assim valeu à pena).
Um amigo comentava ainda há pouco se tinham se formado as estrelinhas ou asteriscos de neve, que ele pensava serem só de desenho animado, e também se deslumbrou quando viu pela primeira vez. Não só se formaram como euzinha aqui tentei fotografar com a minha "supercâmera", sem muito sucesso, claro... Definitivamente, a natureza é tão perfeita que dá vontade de chorar! Em cada momento eu conseguia imaginar uma comparação diferente: algodão doce, glacê de bolo, claras "em neve", mousse para os cabelos, espuma de barbear... Podia parecer qalquer uma dessas coisas, mas sinceramente não dá mesmo pra comparar. Das próximas vezes, tenho que, pelo menos, fazer um boneco de neve, já que fazer guerra de neve sozinha não ia ter graça nenhuma! De todo modo, observar as famílias se reunirem para aproveitar o dia branquinho, as crianças se divertirem escorregando em seus trenós, foi mesmo uma experiência nova pra mim. Sem dúvida, mais um dia inesquecível para o meu livro de memórias... A melhor parte é que nem estava "tão frio" assim (em torno dos -2º, considerando os -20º da semana anterior, estava óóótimo) e, com tanta roupa que eu vestia, não senti mesmo em nenhum momento.
Ao fim da tarde, já começava a derreter (sem contar com os carrinhos que passavam retirando a neve do caminho). Mas eu já não me importava: tinha cumprido a minha primeira resolução para 2010! O dia seguinte seria todo destinado à viagem de volta. Troquei umas 3 vezes de trem (Frankfurt-Koblenz, Koblenz-Dusseldorf, Dusseldorf-Weeze) e peguei um ônibus até o aeroporto de Weeze. Durante um percurso, não houve uma paisagem sequer que não estivesse branquinha, coberta de neve. Lindo!!! Já no Porto, o metrô até a estação, o trem até Coimbra e o taxi até em casa completaram cerca de 13 horas de viagem. Acreditem ou não, li umas 200 páginas do livro de Ágatha Christie (O corpo na biblioteca) que comprei para esse propósito, ainda na Alemanha (graças a Deus!).
Apesar de ter passado umas semanas de tédio em Coimbra no mês passado, era realmente bom estar em casa de novo. Falar à vontade com a minha família, tomar uma ducha bem quentinha, e dormir na minha caminha! Agora, de volta à realidade. O ano realmente começou! Mãos-à-obra, temos muito trabalho a fazer! Afinal, todo dia é dia de realizar proezas, conhecer pessoas e lugares novos, sonhar e alcançar objetivos. Então, que 2010 seja um ano de muito boas realizações para todos nós!

2 comentários:

Jonas disse...

Hey cary!! Fiquei feliz de voce ter visto neve... Realmente, é muito lindo. Da uma sensação de paz... Eu nem te dei o endereço do meu blog: jonaszen.blogspot.com estava esperando passar as fotos daquele dia pra botar la, mas ja tem umas coisinhas por la :) beijo e boa sorte!

Juliana Seidl disse...

Caryyy, é muito gostoso ver neve mesmo! Eu me lembro direitinho qndo vi pela primeira vez, em Montréal, qndo não esperava (pq a neve tinha chegado antes da hora). Mas, neve é bom assim: de vez em qndo ainda no início só por um tempinho como vc fez! ;) Morar num lugar que neva por três meses eu não quero mais..

Amiga, feliz 2010! Que vc continue alcançando um montão de sonhos com garra e esse sorriso lindo no rosto! Beijo da sua amiga desde a década passada para todo o sempre... =)