Hoje é sábado. Amanheceu um dia bonito e ensolarado. Foi assim que acordei, com a luz entrando no meu quarto, sem despertador, depois de uma semana cansativa... Liguei o computador, mas resolvi primeiro arrumar a bagunça que estava o meu quarto, lavar as roupas e limpar a casa. Duas horas depois, cá estava eu, pronta pra começar a trabalhar um pouquinho antes do almoço. O tempo já não estava tão ensolarado. é assim aqui em Coimbra, as nuvens surgem do nada e o tempo fecha sem que a gente se dê conta. Abri os dois artigos que precisava analisar e, simultaneamente, como de praxe, resolvi checar os meus emails. Vários novos na caixa de entrada. Um do meu irmão, mesmo sem ter aberto, chamou minha atenção logo pelo título: "Notícias". nem precisei abrir pra imaginar o que era. No mesmo segundo do click do mouse já derramava as primeiras lágrimas. "Cary, não sei dar essas noticias, mas não queríamos que você soubesse pelo orkut..." Minha madrinha havia falecido. Na tarde de ontem. No Brasil. E eu aqui.
Mesmo já sendo algo "mais ou menos" esperado, mesmo já tendo me "despedido" dela quando saí de lá, mesmo já sabendo que a notícia viria a qualquer momento e que, de qualquer maneira, eu estaria longe, a dor não foi menor... As lágrimas não foram poucas... E as lembranças muito menos.
Já não enxergava os artigos na tela do computador. Tentava ligar deseperadamente pro Brasil e ninguém me atendia. Enquanto isso, o Paco aparece no skype "Oi, já estou de novo em Coimbra! Sabe onde tem cantinas abertas pro almoço?" Não, não sabia, nem lembrava. Mas era um alívio pensar que não estava completamente sozinha... Até que cinco minutos depois finalmente consegui falar com meus pais. Choro coletivo pelo telefone. Preocupação do lado de lá, vontade de atravessar o oceano, do lado de cá. Mas, é impressionante como a Fé acalma nossos ânimos. Eu sei que agora ela está bem. A minha dindinha.
Ah, sim. Era a minha dindinha. Nunca soube chamá-la de outra coisa. Era a irmã mais velha da minha mãe, quase minha avó (embora fosse mesmo minha tia), mas desde que aprendi a falar, era a minha dindinha. O tempo passou, eu cresci, virei a "doutora psicóloga" dela, mas ela continuava a ser sempre a minha dindinha. Não madrinha, nem dinda, nem tia Avany, mas dindinha.
Lembro quando eu saía direto da escola e o transporte escolar me deixava na casa dela. Passava a tarde inteira lá, até meus pais saírem do trabalho e irem me buscar. Era com ela que eu fazia o dever de casa, mas era ela também que me mandava ir brincar com as outras crianças quando terminava, porque isso também era saudável. E distribuía doces e geladinhos na hora da merenda. O tempo passou e, como eu cresci, ela também envelheceu. E já não precisava cuidar de mim, era muito mais o contrário agora. Podia ser "malcriada", "reclamona", e "teimosa" com algumas pessoas. Mas nunca comigo. Nosso olhar era cúmplice. A mim ela escutava. Comigo não tinha problema, fazia tudo certinho. A gente se entendia.
Agora chove aqui em Coimbra. A neblina já não me deixa enxergar a paisagem da minha janela. Como eu disse, o tempo vira mesmo de uma hora pra outra...
Fico feliz por termos tido a oportunidade de termos a nossa última conversa, mesmo que tenha sido há quase dois meses. Mas nossos pensamentos estavam interligados. Enquanto possível, trocávamos recadinhos por minha mãe ("Mande um beijo e um abraço pra Carine"). Agora ela está em paz, é isso o que importa. Fico triste por não estar lá, com a minha família, nesse momento... Sei que precisamos sempre uns dos outros nessas horas. E triste mesmo pela idéia de que, quando voltar, já não vou encontrá-la. Mas a tristeza, eu sei que passa com o tempo, o que fica mesmo é a saudade. Aos poucos acho que vou conseguindo lidar com ela...
Em meio às lágrimas e ao entorpecimento, a minha estratégia foi escrever. Agora, já mais calma, vou ver o mundo, vou respirar um pouco, vou rezar por ela, aquela que será para sempre a minha dindinha...
Sei que a chuva logo passa, daqui a pouco o sol pode abrir novamente.
Mesmo já sendo algo "mais ou menos" esperado, mesmo já tendo me "despedido" dela quando saí de lá, mesmo já sabendo que a notícia viria a qualquer momento e que, de qualquer maneira, eu estaria longe, a dor não foi menor... As lágrimas não foram poucas... E as lembranças muito menos.
Já não enxergava os artigos na tela do computador. Tentava ligar deseperadamente pro Brasil e ninguém me atendia. Enquanto isso, o Paco aparece no skype "Oi, já estou de novo em Coimbra! Sabe onde tem cantinas abertas pro almoço?" Não, não sabia, nem lembrava. Mas era um alívio pensar que não estava completamente sozinha... Até que cinco minutos depois finalmente consegui falar com meus pais. Choro coletivo pelo telefone. Preocupação do lado de lá, vontade de atravessar o oceano, do lado de cá. Mas, é impressionante como a Fé acalma nossos ânimos. Eu sei que agora ela está bem. A minha dindinha.
Ah, sim. Era a minha dindinha. Nunca soube chamá-la de outra coisa. Era a irmã mais velha da minha mãe, quase minha avó (embora fosse mesmo minha tia), mas desde que aprendi a falar, era a minha dindinha. O tempo passou, eu cresci, virei a "doutora psicóloga" dela, mas ela continuava a ser sempre a minha dindinha. Não madrinha, nem dinda, nem tia Avany, mas dindinha.
Lembro quando eu saía direto da escola e o transporte escolar me deixava na casa dela. Passava a tarde inteira lá, até meus pais saírem do trabalho e irem me buscar. Era com ela que eu fazia o dever de casa, mas era ela também que me mandava ir brincar com as outras crianças quando terminava, porque isso também era saudável. E distribuía doces e geladinhos na hora da merenda. O tempo passou e, como eu cresci, ela também envelheceu. E já não precisava cuidar de mim, era muito mais o contrário agora. Podia ser "malcriada", "reclamona", e "teimosa" com algumas pessoas. Mas nunca comigo. Nosso olhar era cúmplice. A mim ela escutava. Comigo não tinha problema, fazia tudo certinho. A gente se entendia.
Agora chove aqui em Coimbra. A neblina já não me deixa enxergar a paisagem da minha janela. Como eu disse, o tempo vira mesmo de uma hora pra outra...
Fico feliz por termos tido a oportunidade de termos a nossa última conversa, mesmo que tenha sido há quase dois meses. Mas nossos pensamentos estavam interligados. Enquanto possível, trocávamos recadinhos por minha mãe ("Mande um beijo e um abraço pra Carine"). Agora ela está em paz, é isso o que importa. Fico triste por não estar lá, com a minha família, nesse momento... Sei que precisamos sempre uns dos outros nessas horas. E triste mesmo pela idéia de que, quando voltar, já não vou encontrá-la. Mas a tristeza, eu sei que passa com o tempo, o que fica mesmo é a saudade. Aos poucos acho que vou conseguindo lidar com ela...
Em meio às lágrimas e ao entorpecimento, a minha estratégia foi escrever. Agora, já mais calma, vou ver o mundo, vou respirar um pouco, vou rezar por ela, aquela que será para sempre a minha dindinha...
Sei que a chuva logo passa, daqui a pouco o sol pode abrir novamente.
2 comentários:
Com certeza, amiga. A diferença é que ela, dessa vez, não estará em um só lugar. Mas em todos aqueles que vc olhar e se lembrar dela. Disso você pode ter certeza! ;)
Cary, suas palavras transmitem que você fez encheu de graça e alegria o coração da Dindinha e ela, o seu. E sempre que estavam juntas, estavam por inteiro uma pra outra. E essa troca - mesmo que apenas na memória - é que faz a vida valer a pena e que nos dá força pra seguir em frente...
Longe de vc, ela nunca estará.
Um abraço demorado e carinhoso, Ju.
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