Um fim de semana com tanta mistura de emoções... Neste dia 07, dois amigos muito queridos (Giselle e Marcel), de tantos anos, concretizaram uma união linda e iniciam uma nova família. Foram 10 anos entre namoro e noivado. E agora eles concretizam seus planos e sonhos. Mais uma vez, era pra eu estar lá... A primeira das madrinhas, convidada antes mesmo de existir um casamento... Demos um jeito, claro, pra que eu pudesse participar de algum modo. E o que eles fizeram para conseguirem transmitir via internet esse momento pra mim, eu não vou esquecer nunca...
Bom, na verdade, a história que eu aqui vou contar não começou somente há 10 anos… Afinal, eu e Gisa fomos nomeadas madrinhas dos nossos respectivos casamentos ainda crianças. E foi em 1993 que nos encontramos pela primeira vez, eu e ela. Tornamo-nos dia após dia, amigas da escola, das brincadeiras, dos ensaios de dança nos quintais das nossas casas, dos quartos das nossas mães (experimentando roupas e bijuterias), das confusões, armações, decepções e vitórias. Mais do que amigas, entramos na família uma da outra, passamos a irmãs e cúmplices.
Quando queríamos, éramos a Vicky e a Mel B. das Spice Girls, a tímida e a extrovertida, a razão e a emoção, a organizadora e a relações públicas das festas, mas sempre e em qualquer lugar, o riso solto e as gargalhadas, o olhar cúmplice e confiante, as idéias mirabolantes, os sonhos possíveis e impossíveis.
Lembro quando dancei valsa nos seus 15 anos. Parece que foi ontem que estávamos dentro daquela van, as 15 meninas vestidas de princesas…
Mesmo com a vida nos levando por caminhos diferentes, ou melhor, a escolas diferentes, nossos corações nunca se separaram. Hoje, mais do que nunca, podemos sentir isso.
E foi nesse período que eles se conheceram. 1999. Lembro como se fosse hoje o fim-de-semana prolongado em que estávamos só as meninas na casa de praia de Tâmara, e aquele celular enorme e jurássico de Giselle não parava de tocar! Tínhamos, então, entre 15 e 16 anos. E não só o celular era insistente, como minha amiga ficava toda derretida ao atendê-lo (dengosa sempre foi, né? Ainda mais com o “love” do outro lado da linha!). Naquela época, ninguém, nenhuma de nós, acho que nem mesmo eles, podia imaginar ou prever exatamente onde essa história chegaria (ainda que no auge do romance todo casalzinho se encha de planos de casarem e terem filhos um dia, não é?). Havia apenas dois adolescentes se conhecendo, se apaixonando, se descobrindo...
Mas com eles foi diferente. Os sonhos e planos de “casalzinho adolescente” cresceram e amadureceram junto com eles. A verdade é que essa data (07 de Novembro de 2009) estava sonhada e planejada desde sempre... Poucas pessoas sabem ou se lembram, porém, de que as dificuldades também não foram poucas. Marcel e Gisa, por algum tempo, precisaram realmente lutar e enfrentar a resistência de quem mais amavam para ficarem juntos. E não foi à toa que ambos, não somente mudaram a opinião dos que não viam sua relação com os melhores olhos, como também construíram em volta deles uma rede de laços familiares e de amizade que os apoiavam e, sem dúvida, estão aqui presentes essa noite (pelo menos em sua maioria).
Faz tempo vejo cada um deles aceitos e reconhecidos como verdadeiros membros de cada uma das respectivas famílias, que se tornam agora uma só, unidas pela confiança e pelo amor que eles sempre expressaram um pelo outro.
Como amiga, vi idas e vindas, consolei, animei, aconselhei, mas vi acima de tudo que um amor adolescente pode crescer, amadurecer, mudar, aprender, defender-se, enfrentar os obstáculos da vida e tornar-se ainda mais forte.
Eles não podem imaginar a honra e o orgulho de ter sido, de certa forma, testemunha de tudo isso. Menos ainda podem imaginar o quanto me custa não conseguir estar ao seu lado para testemunhar a concretização daquilo que muitos acreditaram ser devaneio de criança, arrumar o véu antes da minha afilhada entrar na igreja, dar um abraço confiante no meu afilhado, como sempre fantasiamos e planejamos por tanto tempo… Não pensem que não passei todo o último ano pesquisando formas de fazê-lo, nem que fosse no último momento, de surpresa. Mas a vida prega algumas peças na gente... Muitas vezes, precisamos abrir mão de coisas realmente importantes, pra realizar um sonho... Ossos do ofício, como costumam dizer por aí.
Se existe uma coisa que eu não gostaria de perder nessa vida, sem dúvida, é o olhar da minha grande e eterna amiga/irmã ao subir naquele altar. A imagem da menina falante de óculos coloridos cruzando o olhar da menina atrevida de cabelos bem presos, o olhar confiante e o sorriso encorajador, se misturando à imagem das duas belas e fortes mulheres que nos tornamos. O olhar da mulher linda e vestida de branco atravessando o corredor florido cruzando com o olhar do homem orgulhoso e
radiante, que sempre esteve à sua espera.
Gisa e Cel, meus afilhados que eu tanto amo, o meu convite para sua madrinha foi-me designado desde sempre. E, mesmo deixando essas imagens na minha fantasia, assim eu sempre vou me considerar. Quero que saibam que, embora triste pela minha ausência, sinto-me radiante pela felicidade que sei que vocês estão vivendo. Desejo que ela se torne cada dia mais parte da sua vida e que, mesmo diante de quaisquer obstáculos e dificuldades, vocês tenham sempre, em primeiro lugar, amor e sabedoria para saberem lidar e aprender com eles. Que a nova família que vocês começam a construir a partir de hoje seja sempre abençoada por Deus e caminhe rumo à felicidade. Espero poder ser testemunha de mais, muitos e muitos anos dessa união!
Da sua madrinha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário