Estive pensando esses últimos dias… Será que está na hora de mudar o nome do blog? Afinal, dois anos atrás, quando escrevi o primeiro post, não parecia existir nome mais apropriado do que Route de l’inconnu (Rota do Desconhecido). Mas, e agora? Será que ainda faz sentido?
Bom, se tem uma coisa para a qual tenho tido tempo ultimamente é de pensar. Se vivi a fase do “Se”, do “Quando”, agora vivo a fase do “Enquanto”. Enquanto me readapto, enquanto me reoriento, enquanto vejo e revejo as pessoas, enquanto busco novas formas de vida, enquanto reconheço os lugares, enquanto…
Enquanto, conjunção subordinativa temporal, significa “durante o tempo em que”, “ao mesmo tempo que”. E, enquanto a mudança é elaborada (porque já dizia nosso amigo Heráclito, essa é mesmo uma das únicas constantes em nossa vida), o mundo continua a girar, a vida continua a acontecer. Isso porque não se pode mais perder tempo pensando no “Quando” ou no “Se”. Independente de como as coisas aconteçam, inesperadas ou não, desejadas ou não, planejadas ou não, é no famoso “aqui e agora” que precisamos estar presentes.
Mais do que imaginar como será a vida daqui a um mês, três meses, ou um ano, onde vou estar ou com quem vou estar, tenho tentado vivê-la a cada dia, aproveitar os que estão perto (pessoal ou virtualmente), e assumir a responsabilidade pelas minhas escolhas. E, por mais cliché que possa parecer, é mesmo quando assumimos as consequências de tudo o que decidimos (ou mesmo daquilo que optamos por não decidir) que passamos a lidar melhor com o mundo à nossa volta. Aliás, esse tem sido um tema recorrente em conversas inicialmente descomprometidas e despretensiosas, mas que, surpreendentemente, se tornaram parte essencial dos meus últimos dias.
Como costumo dizer de uns tempos para cá, e por experiência própria, a vida pode ter várias cores, pode ter uma só, ser cinzenta ou em preto e branco, tudo depende do nosso ponto de vista. E da forma como decidimos enxergá-la. Como boa psicóloga que sou (e, mais uma vez, por experiência própria), é claro que reconheço que nem sempre é fácil enxergar o mundo colorido, ou ver oportunidades onde a maioria das pessoas tende a ver problemas. Muitas vezes precisamos de uma “ajudinha”. Por vezes, através de um acontecimento, uma situação qualquer, de um amigo(a), um companheiro(a), um colega de trabalho, ou mesmo de um profissional. Mas, a verdade é que ela pode surgir de onde a gente menos espera (basta estarmos abertos para sabermos aproveitá-la).
E, no momento em que conseguimos ver a realidade de maneira mais leve, conseguimos também transformá-la. Só não podemos ficar à espera de algo ou alguém para que isso aconteça. Vivemos e (re)descobrimos as cores da vida enquanto transformamos a nossa realidade e construímos a nossa experiência enquanto vivemos.
Passada (ou iniciada) a divagação filosófica, voltemos ao motivo deste tópico. Chegamos a uma grande interrogação nesse momento (é claro que enquanto isso, vou resolvendo uma série de outras coisas)… Será que o nome do blog ainda corresponde à realidade?
De certo modo, posso dizer que sim. Por mais que conheçamos o destino da nossa viagem, a estrada sempre nos apresentará algo inesperado, com o qual nunca lidamos antes, enfim, o desconhecido. E, por mais que voltemos ao “ponto de partida”, já não somos os mesmos. Já conhecemos outras cores, já vemos o mundo de outra forma. Hoje, procuro escolher as cores com que quero ver o mundo (embora, como tudo na vida, elas vão mudando e se acrescentando à medida que conheço novas), tendo sempre em mente que dessa escolha dependerá o resto do meu dia. Se vou lidar com problemas, oportunidades e/ou soluções, é mesmo uma escolha minha e só minha.
Por outro lado, se já não sou a mesma, o blog provavelmente também não é, nem voltará a ser. Possivelmente, as temáticas também mudarão (se já não mudaram), os personagens e companheiros de estrada vão se alterando, a trilha sonora evoluindo. Já não somos os mesmos (o blog e eu), mas isso não significa que deixemos de ser quem somos. Um instrumento de “partilha”, uma “menina” crescida, um espaço de “catarse”, uma mulher em “desenvolvimento”. Assim, se ainda sou eu, mesmo diferente, também ele será ele, mas igualmente diferente.
3 comentários:
Muda, xuxu, muda.
Bjs,
Mas então, amiga, se nós, se os outros, nossos amigos e amores, as cidades onde crescemos, tudo tudo pode ser redescoberto, qual o problema do nome do blog? Acho que mudar é sempre bom e se quiser mudar, eu apóio. Mas tb acho que Rota do Desconhecido é o nome ideal para o blog de uma mulher que quer ver a vida com novas cores o tempo todo.
Conviver com vc me fez ver tons sur tons que eu nunca imaginei que pudessem existir...
ps.: Adorei o texto e a trilha sonora está fenomenal. ;)
Pois é, amigos.. Digamos que essa mudança está em fase de amadurecimento... Concordo com a Ju que, por enquanto, o nome faz juz à realidade. Mas,tudo a seu tempo. Por enquanto, ele está elaborando a si mesmo ;-) Ju, amiga, os tons, os matizes, todas as cores que aprendemos juntas e que vc me ensinou fizeram meu arco-íris cotidiano ainda mais bonito!!!
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