sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O melhor disfarce...

Está chegando o dia dos pais... Aproveito a ocasião para render uma homenagem justíssima ao meu, principalmente neste momento tão importante da minha vida, em que me verei diante do "tudo ou nada" (a famosa hora do "vamos ver!") e todo o aprendizado que acumulei até aqui será indispensável. Peço, então, licença especial ao dia dos pais (ao meu pai, mais exatamente), para dedicar esse post não somente a ele mas à toda a minha família, às pessoas efetivamente responsáveis pelo que sou.
Engraçado que quando somos crianças costumamos pensar que nosso pai é um super-herói, o maior e mais forte de todos, aquele que enfrenta o mundo pra nos proteger. E mais engraçado ainda é crescermos e percebermos o quanto isso era verdade! Da mesma forma, gostávamos de pensar em nossa mãe como super-poderosa, aquela que tudo sabe, tudo vê, tudo adivinha e, principalmente, tudo resolve. Mais uma vez, alguém nega que era verdade?
Foram sempre eles quem estiveram ao meu lado em todos os momentos. O primeiro sorriso, a primeira palavra, o primeiro passo, o primeiro banho de mar, o primeiro dia na escola, a primeira leitura, a primeira bicicleta... Lembro que a simples presença deles transmitia uma segurança indescritível! Mas eles não se conformavam com isso, participavam mesmo (sorte a minha)!
Lembro do meu pai segurando no banco da minha bicicleta rosa e branca, com cestinha na frente, é claro, no momento em que decidimos que eu estava pronta para retirarmos as rodinhas. Decidimos, não! Ele decidiu! Mas eu acreditei nele, porque nele eu confiava até de olhos fechados. E sabia que ele não me deixaria cair, mas se eu caísse, ele estaria lá para me ajudar. O mesmo aconteceu quando resolveu me ensinar a nadar (quantas foram as vezes em que me jogava na piscina de adultos para que eu voltasse nadando em sua direção?). O pai mais "coruja" quando lhe dizem "ela é a cara do pai". Como é possível sermos tão diferentes e tão parecidos?
Lembro da minha mãe, acompanhando todos os exercícios da escola, orgulhosa porque sua filha gostava tanto de ler que aprendera aos quatro anos de idade... E a filha que foi crescendo e se orgulhava de ter a mãe mais participativa da escola (mesmo enquanto trabalhava, ela assumia o clássico papel da mulher moderna que se desdobra em várias para atender a tudo e a todos)! Em todas as reuniões, todos os eventos, concursos e festivais, lá estava ela: era torcedora, espectadora, maquiadora, cabelereira, figurinista, simplesmente, mãe (a mais falante e a mais conhecida entre os professores)!
E não éramos somente três na história. Somos quatro, na verdade. Lembro do quanto pedia à minha mãe um irmãozinho. E ele veio (incrível, mas já faz 20 anos!). Parece que desde criança eu assumi o papel de irmã mais velha de forma veemente, como se tivesse nascido para isso. Queria cuidar dele o tempo inteiro, quando bebê. Depois, queria fazer com que ele simplesmente me obedecesse, fizesse tudo certinho... Não foi fácil, mas finalmente, me dei conta de que sou sua irmã (e não sua mãe!), que somos diferentes (graças a Deus!) e que todo o meu cuidado e preocupação eram símbolos do meu grande amor por ele. O simples desejo de que ele fosse feliz. Tá certo que, quando crianças, brigávamos feito cão e gato, mas também sabíamos brincar, imaginar e criar novos mundos juntos. Ai de alguém que se aproximasse dele com más intenções: precisava encarar a irmã mais velha primeiro! Hoje, nós crescemos e sabemos o quanto somos importantes na vida um do outro (assim espero, irmão!). Só que agora ele não precisa mais da minha defesa (também pudera, com a altura que Deus lhe deu! hehehe)
Considerando o espírito familiar desta data, aproveito o momento para agradecer sinceramente à minha família. Por me amarem, ensinarem, educarem, respeitarem, reclamarem, brigarem, por todos os momentos cuja importância só percebemos ao nos depararmos com situações que nos fazem lembrá-los. Obrigada por estarem sempre ao meu lado, por me fazerem compreender o que é Amor e Respeito, por cuidarem de mim quando não estou bem, por rirem comigo num momento de felicidade, pelos conselhos e pelas cobranças.
Sigo em frente, na certeza de que, independente do caminho, vocês estarão comigo. Seja através dos ensinamentos e valores que me transmitiram, seja através do amor e do mistério que nos une. O mistério que nos fez uns dos outros, mas não uns para os outros... Hoje, preparo-me para ir em busca dos meus sonhos, sabendo que vocês estarão aqui prontos para me amparar. Mas hoje quero caminhar com minhas próprias pernas, para aprender a tropeçar e levantar, chorar e sorrir, errar e acertar, sentir frio e sentir calor, rodar o mundo e voltar ao ponto de partida.
E volto, agora, ao ponto de partida: será mesmo que vocês (com licença, irmãozinho, refiro-me a nossos pais, ok? ;-) não são mesmo super-heróis? Aquele homem, tão alto, tão forte, para quem a gente sempre perguntava todos os porquês, que consertava todas as coisas que apareciam quebradas, que espantava todos os bichos dos quais tínhamos medo, que nos levava e pegava na escola todos os dias, que nos ensinava a mexer com argila... Aquela mulher de olhar tão carinhoso e exigente, que aparecia em todos os lugares, fazia milhares de coisas ao mesmo tempo, que sabia exatamente como e o momento de fazer a coisa certa, que nos ensinou a olhar, prestar atenção, a pensar, a questionar, a explorar...
E, de repente, como mágica, vocês se transformaram, ao nosso ver, em pessoas comuns, que cuidam de afazeres domésticos, trabalham, vão à igreja, assistem tv e tiram um cochilo depois do almoço, riem com o filme mais repetido do mundo... Continuam cuidadosos, amorosos, exigentes e preocupados, podendo às vezes até passarem por um tanto “exagerados” e “antiquados”. Entretanto, já crescidos, podemos ver, finalmente, que vocês eram e continuam sendo realmente super-heróis, mas que, no momento de permitirem que seus filhos aprendam a encarar a vida de frente, preferiram assumir seus respectivos disfarces, permanecendo sempre prontos para agir a qualquer momento... Obrigada, meus heróis. Amo vocês!

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