Desde o início deste mês, além de tentar colocar tudo em dia para a viagem, tenho tido a oportunidade de rever pessoas muito importantes pra mim. Continuo pensando que despedidas não são o meu forte, mas esses reencontros têm sido fortalecedores! Aproveito, então, para expressar o meu agradecimento a esses personagens, amigos de uma vida ou mesmo de alguns dias, mas que se tornaram em mim peças insubstituíveis.
Cerca de quinze ou dezesseis anos atrás, conheci uma turminha que me acompanhou em momentos incríveis, confusões, descobertas, lágrimas, sorrisos, vitórias, "derrotas", cansaço, euforia, surpresas, tristezas, alegrias, abraços, companheirismo, AMIZADE...
Tive o prazer de viver diariamente com essas pessoas durante seis anos, compartilhando infância e adolescência, fases únicas das nossas vidas. Lembro das tardes e noites que passávamos, fosse na escola ou nas casas uns dos outros, ensaiando coreografias (fossem pros festivais de dança, para as feiras das nações, para as apresentações das Spice Girls Cover, ou simplesmente porque amávamos inventar uma desculpa pra fazer isso!), "estudando", assistindo a filmes de terror (e morrendo de medo pelo resto da semana), sonhando com o dia em que encontraríamos com nosso Backstreet Boy favorito (e sendo infernizadas pelos meninos por causa disso), tomando sorvete antes das aulas de daança (e pra variar, o sorvete derreria e eu chegava toda "suja" na aula), preparando festas surpresa, inventando artes e brincadeiras. Éramos colegas, amigos, vizinhos... Juntos, éramos imbatíveis: Gisa, Tamy, Pri, Lua, Day, Nara, Géo, Liu, Mila, Lucas D., Lucas A. Rafa, Dan, Neto, Israel, Davi, Igor, etc (perdoem-me se faltou algum nome, afinal, éramos uma turma grande...). Muitos de nossos pais eram também amigos!
O tempo foi passando, a gente foi crescendo, e chegou o momento de nos separarmos... Na verdade, lembro-me de ter sido uma das primeiras a ser "obrigada" a fazer isso. Dias de "luto", em que jurava que não faria nenhum amigo na nova escola nem no novo bairro em que iria morar, e que chorava todos os dias por ter que me separar dos amigos que estiveram ao meu lado por tanto tempo (principalmente quando ouvia "Goodbye" das Spice Girls). Ficava imaginando tudo o que eu deixaria de viver com eles nos próximos anos do ensino médio. Mas, no fundo, eu sabia que a gente encontraria um jeito pra tudo isso.
Realmente precisei mudar de escola e essa não foi uma experiência agradável: eu estava resolvida a odiar a tudo e a todos (como se isso fosse mesmo possível pra mim). Embora eu mantivesse essa postura introspectiva por um tempo, logo me aproximei de algumas pessoas e juntas assumimos responsabilidades e construimos um relacionamento que me ajudou a "sobreviver" naquele ano. Continuei a frequentar os eventos e a marcar encontros com a minha turminha do antigo colégio, a fim de não perdermos o contato e de que eu pudesse me sentir mais próxima da rotina deles. Mas a essa altura, eu já tinha me rendido um pouco: encontrei mais uma alma parecida com a minha (Allie). Compartilhávamos os mesmos gostos, as mesmas dificuldades, os mesmos objetivos e a mesma raiva de estarmos longe dos nossos amigos. Assim, nos tornamos as únicas amigas verdadeiras, uma para a outra, naquele lugar. Tanto fizemos que conseguimos mudar de escola novamente (infelizmente, não conseguimos ir para a mesma, mas saímos de um lugar que chamávamos carinhosamente de "inferno"). Coisas de adolescentes...
Mais uma vez, eu me via tendo que recomeçar... Nova escola, novos colegas, novos amigos. Tudo novo, de novo. Só que o gelo havia se derretido um pouco, não havia mais a resistência de antes, pois eu tinha certeza de que nada era capaz de apagar tudo o que eu e meus amigos tínhamos vivido, muito menos o que a nossa amizade representava para cada um de nós. Assim, continuávamos mantendo contato sempre que possível (inclusive com Allie, aquela da alma parecida com a minha, que havia me ajudado a sobreviver no ano anterior e, mais ainda, se tornado amiga das minhas amigas de infância!). Foi mais um ano importante para mim, em que encontrei pessoas legais mas, por causa de problemáticas entre a escola e os professores que culminou numa demissão em massa após uma greve, optei por uma nova mudança. Foi nessa época que conheci Mi, ainda que seja difícil acreditar, no curso de inglês. Há alguém que tem um(a) grande amigo(a), que conheceu num curso de idiomas? Junte-se a nós! A identificação foi imediata e passamaos a partilhar nossos sonhos de conhecer o mundo, tardes e noites de planejamentos, pesquisas e conversa fiada... E, da mesma forma, ela foi aos poucos se tornando amiga dos meus amigos.
Bom, voltando à mudança, milhares de questões passavam na minha cabeça naquele momento: "pra onde eu vou? o que faço agora? estou perto do vestibular, vou acaber perdendo conteúdos de algumas disciplinas!". Só que eu já estava ficando boa nessa coisa de mudanças (mas, como também não sou boba, dei um jeito de ir pro mesmo colégio em que Allie já estudava; assim, facilitaria e muito a minha adaptação no último ano de escola. E eu não estava enganada: ela me ajudou a conhecer as pessoas, a pegar as matérias que ficaram atrasadas por causa da diferença de programas de uma escola pra outra, a passar as horas de tédio, e a relaxar nas horas de estresse pré-vestibular (e a enfrentar momentos difíceis também, como o final de semana em que os Bacstreet Boys vieram ao Brasil e não pudemos ir ao show! ficamos de luto na escola, lamentando, ouvindo as músicas).
Encontrei, assim, mais algumas almas parecidas com a minha... Amigos com quem, por incrível que pareça, apesar de termos dividido apenas um ano de escola, convivo até hoje, alguns deles, como irmãos. O ano passou, o vestibular também (infelizmente nem todos conseguiram atingir o objetivo na primeira tentativa, mas hoje estão todos muito bem encaminhados), mas nós ficamos. E formamos o BBF (uma sigla para Best Best Friend, o nome do nosso grupo - eu adoro essas coisas!): Zeca, Yoichi, Pri, Pedro (habbibi), Allie (habbiba, minha madrinha e afilhada na dança do ventre) e eu. Claro que os namorados(as) foram "agregados" e se tornaram parte de nós, principalmente Deia e Gigio, que participam sempre dos nossos momentos. Amigos que hoje me acompanham nas baladas, nas noites de filmes com pipoca e brigadeiro, no consolo em momentos de tristeza, na recuperação quando a saúde está abalada, nos cinemas, nos teatros, nos barzinhos, nos shows, nos sorvetes, nos sushis, undokais e bon odoris, nos aniversários, nas formaturas, nas confidências, nos conselhos, nas dúvidas, nas discussões, nas horas de nada pra fazer...
O tempo continuou passando, entramos pra faculdade, um novo mundo. Conheci mais gente, procurei entendê-las, procurei me entender (ainda estou tentando fazer isso), e nesse caminho encontrei amigas: Rol, Greice, Gisa Lopes, Lili. Essa parte do entender foi meio que sublimada (confesso ter sido um enigma por muito tempo), mas encontramos um ponto em comum, em que o sentimento falava mais do que as palavras. Vivemos dificuldades, aprendizados, conhecimentos, vitórias. Sempre na torcida pelo sucesso uma da outra e, mais do que isso, participantes ativas dessa jornada, somos hoje psicólogas (ou quase, né, Greice?). Não podia esquecer também dos bons companheiros, colegas e professores, que descobri durante o curso e que tornaram cada experiência mais importante para a minha construção enquanto profissional e ser humano (Jon, Ivã, Ingrid, Lai)...
Até que chegou o momento de enfrentar a vida de gente grande, encarar o mercado de trabalho. Ainda na faculdade, tive o prazer de conviver com pessoas maravilhosas, com quem aprendi muito sobre o que eu queria e o que não queria pra minha vida profissional. Algumas delas permaneceram presentes e hoje podemos nos considerar amigos: Tai, Regi, Gabi, Quel, Allison... Depois da graduação, a caminhada se tornou mais árdua e ainda mais indispensável. Porém, sempre encontrei alguém para caminhar aomeu lado e dessa vez não foi diferente. Amigos que levarei para a vida inteira: Isa, Dai, Gueu, Paty, Liu O., Liu A., Léo, Nara, Nora, Marquinhos, Tathi, Line, Sid, Déa... Tanta gente (ainda bem!).
É, o tempo não pára... Pensando nos personagens dessa retrospectiva, cada um seguiu o seu caminho. Uns se formaram, outros ainda estão na faculdade; uns viajaram, outros se estabeleceram; uns estão trabalhando, outros resolveram avançar nos estudos; uns casaram e tiveram filhos, outros compraram carro e apartamento; uns aparecem de vez em quando, outros aparecem todos os dias. Mas, no fim das contas, todos se encontram em algum momento, ainda que nas lembranças. Nas doces lembranças de um tempo que, apesar de não voltar, está sempre presente em cada um de nós.
E, em tempos de reencontros, voltei a ver aquela turminha. A mesma de quinze ou dezesseis anos atrás (uns a mais, uns a menos, mas todos unidos pelo mesmo sentimento). É bem verdade que Tamy e Gisa permaneceram no meu dia-a-dia (a primeira se tornou afilhada da minha mãe; da segunda, serei madrinha de casamento!), seja nos telefonemas, nos emails, nas visitas, nos cinemas (cada uma do seu jeito). Passamos uma noite inteira relembrando momentos... Desde puxões de cabelo, apelidos, armações e micos, a festas, roupas esquisitas, ídolos, prêmios, histórias dignas de qualquer seriado adolescente. Uma noite recheada não somente de lembranças, mas de emoções (pelo menos pra mim, que fui o motivo do tal reencontro surpresa), gargalhadas, abobrinhas, estrelinhas azuis e prateadas, e, acima de tudo, felicidade. Percebi, ao final daquela noite, que, apesar do tempo e do contato pessoal ter-se tornado mais raro entre alguns ultimamente, algumas coisas nunca mudam. Percebi que crescemos, aprendemos a enfrentar a vida, começamos a construir a nossa história, conhecemos novos amigos, mas que também somos os mesmos de antes, com as mesmas brincadeiras, os mesmos abraços, os mesmos olhares. E me senti feliz, por vê-los, por tê-los, por sê-los! Sim, porque somos um pouquinho de cada um dos que amamos e, por isso, vou levá-los aonde quer quer eu vá. Levarei vocês todos comigo: meus amigos, meus BBFs, habbibi e habbiba, os que estiveram, os que estão e os que estarão na minha vida para sempre. Amo todos vocês!
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