segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Chegando e saindo...

Faz mais de um mês que não escrevo. Falta de tempo, falta de inspiração, outras prioridades? Não sei ao certo, mas, de qualquer modo, resolvi retomar meus posts.
Faz também mais de um mês que aquele avião finalmente me levava às minhas terras tropicais. Mais especificamente, a “Salvador da Bahia”, terra de todos os santos, encantos e axés. E, pela primeira vez em muito tempo, senti que havia chegado em casa.
Após a longa espera pelas bagagens, finalmente o reencontro. Em meio a lágrimas e flores, o antes abraço virtual tornou-se novamente real. A saudade rapidamente foi esquecida. O que contava mesmo era aproveitar ao máximo o tempo que agora teríamos juntos.
E assim, os dias se passaram. Enquanto isso, descobrindo e redescobrindo velhos e eternos amigos, conhecendo novos, curtindo a família, dormindo no meu cantinho, e até ficando entediada. Nesse vai-e-vem, percebia também que algumas coisas, por mais que mudassem, continuavam as mesmas. Eu era uma delas.
“Nossa, como você tá diferente!”… mais bonita, mais extrovertida, mais confiante? ok, com uns quilinhos a mais também. “Não, ainda tem o mesmo jeitinho de sempre”… fala pouco, lê muito, participa, divide-se entre todos. Bom, talvez seja assim mesmo.
Percebi que passar horas assistindo a filmes de cachorros com a minha mãe pode ser um programa ao mesmo tempo divertido e emocionante. Que, mesmo que continuasse morando com meus pais e gostando muito do ritmo da cidade grande, não toleraria estar a duas horas do meu destino por causa do trânsito. Que o inverno da minha cidade é o melhor do mundo. Que, mesmo não tendo nada pra fazer, consigo igualmente me distrair com um (ou uns) bom(ns) livro(s). Que passar sete horas na fila para a compra dos ingressos para um jogo da seleção brasileira de futebol pode passar da euforia ao esgotamento e, finalmente, à sensação de ter ganho o primeiro prêmio. Que ver a minha amiga de infância experimentar seu vestido de noiva será uma lembrança que ficará guardada em mim para sempre. Que a distância realmente nada significa para aqueles que se amam de verdade…
Mas o tempo passa rápido. Já era hora de voltar… Alguém me disse que a segunda despedida haveria de ser pior que a primeira. Na verdade, o sentimento era estranho. Como um “até mais, vou ali e volto já”, sem muita ansiedade, como de quem já sabe o que vai fazer. Acho que essa primeira semana aqui após o retorno foi muito pior do que na primeira vez, em que tudo era ainda novidade. Enquanto as aulas não começam, Coimbra é uma “cidade-fantasma”. Não tendo nenhum amigo na cidade no momento, a solução é também procurar pra onde ir. A ordem agora é evitar o tédio a qualquer custo. Sei que em breve o ritmo volta a esquentar (ao contrário do tempo que começa a esfriar), mas, enquanto isso, não pretendo deixar o saudosismo me dominar.
Quero apenas registrar o quanto esses 40 dias foram importantes para que eu pudesse recarregar as minhas energias, ao lado de cada uma das pessoas que mais amo: minha família e meus amigos. Obrigada pela comidinha caseira, pela feijoada, pela moqueca de camarão, pelo cozido, pelo carurú e pelo vatapá, pelas idas à praia, pelos acarajés, pelos sushis, pelos crepes, pela água de coco, pelos almoços, pelas lambretas, pelas horas na fila, pelos gritos de gol, pelas novidades, pelas surpresas, pelos sorrisos e abraços. Vocês são todos parte de mim.

Um comentário:

Juliana Seidl disse...

E não há nada nesse mundo mais gostoso que vivenciar esses pequenos imensos prazeres, como o cachorro-quente com a mamãe e ver a amiga vestida de noiva. Assim também como a não há curso que ensine a fazer os dias se tornarem bons mesmo numa cidade-fantasma. Só quem tem a coragem pra se jogar no mundo, conhece esses benditos prazeres.
Toda vez que vc escreve, eu me emociono!
Um beijo da sua eterna amiga Ju.