Mais de um mês desde o último post. Não pensem que estou extremamente atarefada com o fim do semestre na faculdade. É verdade que amanhã entregamos nossa primeira versão da tese, na próxima semana apresentamos o nosso projeto e ainda temos uma disciplina para finalizar. Mas faz tempo eu decidi que minha vida não seria somente estudar/trabalhar, ainda mais quando se está morando em Paris! Desculpem aos meus caros amigos/leitores por não ter dado notícias no blog durante esse tempo, mas realmente ele tem passado tão rápido que eu nem percebi. Há sempre tanto o que ver e
fazer por aqui! E em todo o tempo livre que temos, queremos correr da frente do computador.
São somente duas semanas até que todos nós, amigos do mestrado WOP-P, tenhamos deixado essa cidade e parece que foi ontem que chegamos… Mas não posso deixar de registrar esse último mês por aqui. Apesar do calor insuportável dentro do meu quarto essa tarde, decidi-me a sair, com computador e tudo, para qualquer lugar mais “fresquinho” e escrever o merecido post de Junho. Acabei vindo parar nos jardins da Cité Universitaire mesmo, com direito a vista para a minha janela iluminada pelo sol, pássaros à minha volta, ensaio de coral, crianças brincando com os pais, pessoas fazendo jogging, e, como não podia deixar de ser, alguns insetinhos e ainda um bastante calor.
Entre o dia em que chegamos e hoje há grandes diferenças, porém. Passamos do frio e dos agasalhos às roupas de praia e às legítimas havaianas brasileiras (nem todos, é claro ;-). O sol brilha em Paris e em toda a França. Finalmente, o calor, as core
s, os sons do verão! E aqui ele é comemorado com estilo, como um momento dos mais aguardados durante todo o ano. 21 de Junho, Fête de la Musique. Em cada cantinho da cidade, músicos da França e do mundo celebram a chegada do verão. De orquestras a bandas populares. Do rock pesado à música clássica. Nas ruas, nas igrejas, nas esquinas, nos bares. E, se você entra de propósito, ou mesmo por descuido, em alguma portinha, acaba se deparando no Conservatório de Música de Paris, por exemplo, e se demora a admirar o talento dos jovens pianistas, saxofonistas, cantores líricos. Caminha um pouco mais e cai no samba, ou na batucada africana. Atravessa a cidade e “encontra” os famosos, em um grande palco, em um dos shows transmitidos pela televisão francesa para o mundo. A minha jornada inteira nesse dia durou 15 horas, de um cantinho para outro, de um ritmo para outro, e ainda ficaria mais se o corpo não pedisse descanso.
Ao fim da semana, mais propria
mente na sexta-feira (26), saímos no “Grupo de los tres” (eu, Adri e José) em passeio pelas regiões da Normandia e da Bretanha, no norte da França. O lugar não importava tanto: queríamos praia, sol e relax. Então, alugamos um carro, e fomos acampar pelo fim-de-semana (primeira vez que faço acampamento, hein? Não sabia que armar uma barraca era tão fácil!). Trilha sonora: Michael Jackson. Como em todo o mundo, todas as rádios francesas também tocavam as músicas do rei do Pop. Inegável o quanto cada uma delas traz mil lembranças da minha infância… Seguimos, então, nossa viagem, ao som de Thriller, Billie Jean, Don’t Stop till you get enough, Black or White, Beat it, dentre muitas outras (mas não deixamos de ouvir música francesa também, para variar, né?).
Primeira parada: Merveille-Franceville Plage. A visão do Atlântico norte e o pôr-do-sol às 23h. Água fria, temperatura agradável. Passamos uma noite e uma manhã nesse lugar, curtindo o sol na pele, caminhando na beira da praia. Saudades dessa sensação das on
das batendo nos pés, da areia entre os dedos, de catar conchinhas, e de me olhar no espelho e ver uma cor “saudável”!
Seguimos viagem até Saint-Martin de Brehal: mais praia. Champagne sob as estrelas (desculpem, essa é uma bebida barata e comum por aqui ;-), caminhada ao amanhecer, almoço no gramado (desolée, maman, não deixamos de ficar bem alimentados, mas comida de camping é sanduíche, frutas e petiscos mesmo!). Passeio rápido em Brehal e Granville, cidadezinhas muito bonitas.
Seguimos viagem no domingo para o lugar mais esperado (pelo menos por mim): Le Mont Saint-Michel. Mais de uma pessoa havia me indicado, ou melhor, intimado a ir a esse lugar (“parece saído de um conto de fadas, você tem que ir lá!”). E não era exagero, muito menos mentira. Ao longe, ainda na estrada, quando o avistamos, tivemos que parar o carro. A foto valia à pena. No meio do mar, eis que se erguia o monte, ao mesmo tempo, imponente e sóbrio.
Na verdade, a história do Mont Saint-Michel remonta a 708, quando Aubert, o bispo de Avranches, mandou edificar sobre o Mont Tombe um santuário em honra do Arcanjo São Miguel (essa é a tradução de Saint Michel). O local logo se tornou um importante destino de peregrinos. No século X, os beneditinos instalaram-se na abadia, tendo-se desenvolvido uma aldeia no sopé, que foi se estendendo até a base do rochedo durante o século XIV. Ao longo da Guerra dos Cem anos, entre França e Inglaterra, o Mont Saint-Michel foi também um exemlo de arquitetura militar (suas muralhas e fortificações resistiram à todas as investidas inglesas e fizeram do monte um lugar simbólico da identidade francesa). Após a dissolução da comunidade religiosa durante a Revolução Francesa, o monte foi objeto de grandes restaurações. Desde 1979, encontra-se inscrito na lista do património mundial da Unesco. Passamos algumas horas a percorrer o mosteiro e a admirar a vista lindíssima que podíamos ter do alto
da abadia.
A próxima parada, entretanto, ainda era em La Mele-sur-Sarthe. Embora a média de idade do nosso camping parecesse ser de uns setenta anos (porque baixamos um pouquinho), a região era cercada por um lago muito bonito. Passeamos pelo povoado (e eu louca para encontrar um lugar onde pudesse assistir à final da Copa das Confederações) e paramos em um bar para nos refrescar do calor de 32ºC às 21h, algo nada comum até o momento (infelizmente, nada do jogo do Brasil). A última noite de acampamento foi tranquila, e o amanhecer nos trouxe de volta à realidade. Voltamos à Paris na segunda-feira (29) e nos demos conta que, dali a duas semanas estaríamos saindo de verdade. De qualquer modo, acho que foi nesse fim-de-semana em que mais falei francês com franceses, e pude ver um pouquinho da vida que eles levam (e sabem aproveitar muito bem), diferente de Paris em que vemos muito mais estrangeiros do que parisienses e ouvimos muitos mais idiomas do que o francês propriamente dito. Mas, dizem que o que é bom dura pouco…
Agora estamos nos preparativos finais para o que ainda nos aguarda. Quase tudo em relação à faculdade está pronto. Começo, então, uma outra contagem regressiva: a da volta para casa. Por mais que seja por apenas poucas semanas, não consigo deixar de sentir um friozinho na barriga quando penso nos abraços de que tanto sinto falta. Por mais que tenha medo de uma segunda despedida, acredito que será uma renovação de forças para enfrentar o próximo ano que virá pela frente. Mais um ano de aprendizados, desafios e crescimento. Mas essa história vai ficar para a próxima (prometo que ainda antes de chegar ao Brasil). Por enquanto, prometo a mim mesma curtir o último mês em Paris, os novos amigos que fiz e os meus lugares preferidos dessa cidade. A partir de 15 de Julho, próximas paradas: Bélgica, Holanda, sul da França, Barcelona, Porto, Salvador. Aguardem cenas dos próximos capítulos! E dessa vez, eu prometo: até breve!
Entre o dia em que chegamos e hoje há grandes diferenças, porém. Passamos do frio e dos agasalhos às roupas de praia e às legítimas havaianas brasileiras (nem todos, é claro ;-). O sol brilha em Paris e em toda a França. Finalmente, o calor, as core
Ao fim da semana, mais propria
Primeira parada: Merveille-Franceville Plage. A visão do Atlântico norte e o pôr-do-sol às 23h. Água fria, temperatura agradável. Passamos uma noite e uma manhã nesse lugar, curtindo o sol na pele, caminhando na beira da praia. Saudades dessa sensação das on
Seguimos viagem até Saint-Martin de Brehal: mais praia. Champagne sob as estrelas (desculpem, essa é uma bebida barata e comum por aqui ;-), caminhada ao amanhecer, almoço no gramado (desolée, maman, não deixamos de ficar bem alimentados, mas comida de camping é sanduíche, frutas e petiscos mesmo!). Passeio rápido em Brehal e Granville, cidadezinhas muito bonitas.
Seguimos viagem no domingo para o lugar mais esperado (pelo menos por mim): Le Mont Saint-Michel. Mais de uma pessoa havia me indicado, ou melhor, intimado a ir a esse lugar (“parece saído de um conto de fadas, você tem que ir lá!”). E não era exagero, muito menos mentira. Ao longe, ainda na estrada, quando o avistamos, tivemos que parar o carro. A foto valia à pena. No meio do mar, eis que se erguia o monte, ao mesmo tempo, imponente e sóbrio.
Na verdade, a história do Mont Saint-Michel remonta a 708, quando Aubert, o bispo de Avranches, mandou edificar sobre o Mont Tombe um santuário em honra do Arcanjo São Miguel (essa é a tradução de Saint Michel). O local logo se tornou um importante destino de peregrinos. No século X, os beneditinos instalaram-se na abadia, tendo-se desenvolvido uma aldeia no sopé, que foi se estendendo até a base do rochedo durante o século XIV. Ao longo da Guerra dos Cem anos, entre França e Inglaterra, o Mont Saint-Michel foi também um exemlo de arquitetura militar (suas muralhas e fortificações resistiram à todas as investidas inglesas e fizeram do monte um lugar simbólico da identidade francesa). Após a dissolução da comunidade religiosa durante a Revolução Francesa, o monte foi objeto de grandes restaurações. Desde 1979, encontra-se inscrito na lista do património mundial da Unesco. Passamos algumas horas a percorrer o mosteiro e a admirar a vista lindíssima que podíamos ter do alto
A próxima parada, entretanto, ainda era em La Mele-sur-Sarthe. Embora a média de idade do nosso camping parecesse ser de uns setenta anos (porque baixamos um pouquinho), a região era cercada por um lago muito bonito. Passeamos pelo povoado (e eu louca para encontrar um lugar onde pudesse assistir à final da Copa das Confederações) e paramos em um bar para nos refrescar do calor de 32ºC às 21h, algo nada comum até o momento (infelizmente, nada do jogo do Brasil). A última noite de acampamento foi tranquila, e o amanhecer nos trouxe de volta à realidade. Voltamos à Paris na segunda-feira (29) e nos demos conta que, dali a duas semanas estaríamos saindo de verdade. De qualquer modo, acho que foi nesse fim-de-semana em que mais falei francês com franceses, e pude ver um pouquinho da vida que eles levam (e sabem aproveitar muito bem), diferente de Paris em que vemos muito mais estrangeiros do que parisienses e ouvimos muitos mais idiomas do que o francês propriamente dito. Mas, dizem que o que é bom dura pouco…
Agora estamos nos preparativos finais para o que ainda nos aguarda. Quase tudo em relação à faculdade está pronto. Começo, então, uma outra contagem regressiva: a da volta para casa. Por mais que seja por apenas poucas semanas, não consigo deixar de sentir um friozinho na barriga quando penso nos abraços de que tanto sinto falta. Por mais que tenha medo de uma segunda despedida, acredito que será uma renovação de forças para enfrentar o próximo ano que virá pela frente. Mais um ano de aprendizados, desafios e crescimento. Mas essa história vai ficar para a próxima (prometo que ainda antes de chegar ao Brasil). Por enquanto, prometo a mim mesma curtir o último mês em Paris, os novos amigos que fiz e os meus lugares preferidos dessa cidade. A partir de 15 de Julho, próximas paradas: Bélgica, Holanda, sul da França, Barcelona, Porto, Salvador. Aguardem cenas dos próximos capítulos! E dessa vez, eu prometo: até breve!
Um comentário:
Caryyyy!! Não acredito!! Foste ao Mont S Michel!!:) Eu estou doida para ir ver essa maravilha!! O norte de França é maravilhoso não é? Um dia quero fazer uma viagem só por aí..:)
Voltamos de Genova e Cinque Terre este fim de semana..maravilhoso, mesmo! Se soubesse a maravilha que as Cinque Terre são, tinha-vos recomendado quando aqui estavam!!:)
Amiga, beijo enorme cheio de saudade..:*) as despedidas já começam por aqui, mas nós ainda temos muito para viver juntas!;)
Beijo a ti e ao Paco:)
Tania
Postar um comentário