sábado, 21 de março de 2009

Les Printemps à Paris!!!

É Primavera em Paris! Em meio à terra ainda desgastada pelo frio do inverno, eis que elas surgem. As flores. Pequeninas, coloridas e poderosas. Capaz de arrancar olhares e fotos dos observadores que passam.

Só hoje me dei conta que passarei meu primeiro aniversário na Primavera. Em Paris. Pela primeira vez também longe da família e de pessoas muito especiais. Mas, sem dúvida, com grandes Amigos, daqui, daí e de acolá. Não preciso nem dizer que comemorarei esse primeiro "quarto de século" de vida (vixe, tô ficando velha!) com estilo, não é?

Mas, enquanto esse dia não chega, vou aproveitando o surgimento de cada pétala, de cada florzinha, de cada colorido que de repente, como num passo de mágica, se pinta nas ruas e parques dessa cidade. Sei que vai durar pouco. Mas o importante é sabermos aproveitar!

Sûr ma vie parisienne, je peux dire qu'elle finalment commence a s'organiser. Je dejà sais qui serait mon Host Tutor (mon tutor de la thesis du Master à l'Université Paris-Descartes), et a partir de la semaine prochaine je ferais les cours de français tous les mercredis et jeudis (sans rien payer)! Cette mois, j'irais travailler beaucoup sûr la thesis pour profiter le maximum le mois d'Avril, parce qu'on a un recess du 09 Avril jusqu'au 27 Avril! La programmation, je la dirais après. Pour l'instant, la bonne nouvelle est que je vais recevoir mon cher ami Pedro avant de mon anniversaire! Et, quis dirait, je serais sa guide à Paris! Je voudrais que ma maman et mon papa pouvaient venir, mais ça ne serait pas cette fois... Un jour, maman, je te promis! Apprendez le français, d'accord? Cette année on n'est pas emsemble, mais j'ai dejà reçu toutes les fleurs que vous voudriez me donner!

Je vous donnes à cette fois une musique française que j'aime beaucoup, pour que vous êtiez de plus en plus habitués! Cette chanson, je dedique à mes amies bresiliènnes à Barcelona qui ont fait anniversaire cette mois (Sá et Ju), et à Cat, portugaise à l'Italie. À toute à l'heure, mes chèries!

Les mots, les gestes (Helène Segara)
Elle écrit son journal
Sur un cahier d'écolier
Elle écrit à la flamme
D'une bougie parfumée
Les secrets de son âme
Les sentiments qu'elle tient cachés
C'est son carnet de bal
Lorsque la vie la fait danser
Elle écrit ce qui lui fait mal
Dessine un cœur, des initiales
Dans son journal
Elle écrit tout ce qui la blesse
Ce qu'elle a pris pour pris pour des promesses
Les mots, les gestes

Elle écrit son journal
Le soir, c'est sa boîte à musique
Elle écrit et le sable
Qu'elle a dans les yeux la pique
Alors elle met les voiles
Et souvent, le jour la surprend
Endormie à sa table
Parmi ses rêves d'enfant
Elle écrit ce qui lui fait mal
Dessine un cœur, des initiales
Dans son journal
Elle écrit tout ce qui la blesse
Ce qu'elle a pris pour pris pour des promesses
Les mots, les gestes

Elle écrit son journal
Sur un cahier d'écolier
Elle écrit à la flamme
D'une bougie parfumée

Elle écrit ce qui lui fait mal
Dessine un cœur, des initiales
Dans son journal
Elle écrit tout ce qui la blesse
Ce qu'elle a pris pour des promesses
Les mots, les gestes
Les mots, les gestes.


terça-feira, 10 de março de 2009

Carrrine Frrrança: La première à Paris!


Salut, mes amis! Hoje à noite completa exatamente uma semana que cheguei nessa cidade, que vai me acolher pelos próximos cinco meses. Até o momento, posso dizer que não me decepcionei nem um pouquinho. Aliás, há alguém capaz de não gostar desse lugar?
Somente hoje tivemos o primeiro dia de aula, mas nem por isso a semana deixou de ser intensa. é uma nova fase de adaptação, descobertas, encontros, organização, enfim, tudo de novo. Mas, dessa vez, em P-A-R-I-S!
Quando chegamos, eu e o Paco, sentimo-nos imediatamente em Hogwarts (quem conhece Harry Potter, quando começar a ver as fotos da Cité Universitaire, vai entender do que estou falando). Não só pela arquitetura do lugar, como também pelos detalhes. Temos um "código secreto" para entrar na casa e em cada um dos nossos quartos (quer dizer, um cartão eletrônico); escadas e corredores por todo o lado, e que levamos alguns dias para saber onde iam dar; corvos enormes e um gato preto que desfila pelas ruas! Só faltou a coruja, as vassouras voadoras e o cão de três cabeças (ainda não descobrimos o que tem no sótão, de repente, é o tal!). Brincadeiras à parte, apesar do nosso quarto ser mesmo petit, só o fato de ser só nosso e confortável nos deixou muito felizes! Morar na cité Universitaire é mesmo uma maravilha! Onde mais iríamos encontrar theâtre, restaurant, café, bibliotèque, centre des langues, centre des sports e gente de tout le monde, no mesmo lugar?
Muitas vezes, durante esses dias, tive a oportunidade de estar em lugares em que só me via nos meus sonhos e pensar em pessoas que também gostariam de estar ali (Notre Damme, Sacré Coeur, Montmartre, Champs Elisées, Pantheon, Louvre)... Entretanto, foi ao me deparar frente a frente com a Torre Eiffel, que precisei de mais tempo. Em silêncio. Não contive uma lágrima teimosa que não saía do cantinho do meu olho. E pensei nas pessoas que eu representava ali. No significado que esse lugar e essa história representam para mim. E dediquei esse momento à minha família, sobretudo à minha mãe (Ah, oui, maman! Je t'aime beaucoup!).
Percebi o quanto esqueci do francês e o quanto preciso ainda aprender, mas que de fome eu não morro de jeito nenhum. Percebi ainda, quando fui encontrando nossos novos companheiros de caminhada, que somos capazes de nos entender independentemente da língua que estamos falando (até hoje não entendo como pode fluir uma conversa em que as pessoas falam, ao mesmo tempo, inglês, espanhol, francês, italiano e português, mas acreditem, isso acontece aqui, claro, com uma tradução básica para uns ou outros). Não sei se, ao fim desse semestre, vamos ter aprendido esses idiomas todos (pelo menos o francês, mon Dieu!) ou se vamos criar o nosso próprio. Possivelmente, daqui por diante, vocês também perceberão um pouco mais a presença do francês na minha vida (e mesmo do inglês, já que todas as aulas supostamente deverão acontecer nesse idioma). Preciso praticar de todas as formas, não posso evitar!
Aos poucos, nós vamos descobrindo a vida na França. Aqui, sou Mademoiselle Carrrine Frrrança (oui, papá, je suis mademoiselle França! Merci bein!), moro na Cité Internacional Universitaire de Paris, estudo na Université Paris V René-Descartes, na Faculté de Psychologie, que fica "somente" a 45 minutos e três mudanças de metrô da minha residência. Essa é a vida na cidade grande, não reclamo, muito pelo contrário! Je suis très contente parce que j'habite à P-A-R-I-S!
O único detalhe é que os professores estão em greve, em todo o país. Dessa forma, como não podemos ter aulas, nos "reunimos" com o respectivo professor em uma "salinha secreta", se é que me entendem. Afinal, somos Erasmus Mundus e, como disse um dos professores: "you are very special students and you deserve being treated like that" (ainda não sei se isso é bom ou ruim, mas tudo bem!). Ainda assim, fizemos um tour por toda a faculdade, (a biblioteca saiu dos meus sonhos, quem me conhece deve bem imaginar como ela é) e recebemos as chaves da NOSSA sala. Isso mesmo. Nós teremos uma sala exclusiva, que podemos deixar com a nossa cara, segundo nosso coordenador (aguardem cenas dos próximos capítulos).
Falando em "nós", não posso esquecer das apresentações: somos aqui dois brasileiros (eu e Davi), dois colombianos (Francisco e Jenny), uma argentina (Adriana), um espanhol (Jose) e duas italianas (Francesca e Ilaria). Aos poucos vocês vão conhecê-los melhor. Oficialmente, a foto a seguir é a primeira de muitas desse grupo (da esquerda para a direita: Paco, Jenny, Francesca, Cary, Davi, Jose, Ilaria, Adriana!
Por hora, tentamos voltar ao ritmo acelerado que tínhamos antes, concentrar-nos ainda mais na nossa tese de mestrado, conhecer os segredos de Paris, aprender cada dia uma coisa nova, aproveitar as novas amizades e adaptar-nos à nossa nova vida parisiense!
Allors, à bientôt, mes chères! Vous me manquez beaucoup!

Bises,

Mmlle. Carine Bastos DA FRANÇA

domingo, 1 de março de 2009

Cary Barcelona


Era uma vez... Uma "menina" de 24 anos (quase 25, hein?) que sonhava em conhecer o mundo (vou me permitir chamá-la de menina mesmo, porque é assim que muitas vezes ela ainda se sente). De repente, viu-se diante dele (do mundo). As pessoas costumam dizer que ela é corajosa e determinada, algumas vezes ela acredita, outras duvida veementemente ou ainda finge que concorda. Acontece é que ela se viu não só diante do mundo, mas também diante da necessidade de enfrentar muitos dos seus medos.
Um mês atrás sequer conseguia decidir por onde começar, até que Barcelona foi mesmo escolhida como o próximo lugar dessa jornada iniciada seis meses atrás. Afinal, como ela seria capaz de viajar sozinha, para um lugar estranho, sem falar o idioma nativo (diga-se de passagem, catalão não é espanhol!)? Mas lá ela reencontraria amigos (a Sá e o Paco, mais especificamente, que já lá estavam). E o que se faz nessa vida sem eles, não é verdade? Ela então, criou coragem (um bocadinho daquela que as pessoas diziam que ela possuía de sobra).
E, assim, a menina chegou à Barcelona, falando inglês e tentando "portunhol-catalão" de vez em raramente. Sentiu logo a vida e as luzes da cidade, e, mais ainda, sentiu-se feliz por estar ali. Ao longo de uma semana, viu bastante do que tinha para ser visto, apaixonou-se por Gaudí reconheceu Picasso, encantou-se com Miró, apresentou-se a Joaquim Mir.
Deu-se conta de que, sim, era capaz de andar sozinha por uma cidade em que não falava o idioma e assim o fez. Com a companhia do seu mapa e, é claro, da câmera fotográfica "ultra-compacta", que não sai da sua mochila, ela passeava pelas ruas da cidade... E passou pelas Ramblas, pela Laietana, pelos Parques (o dos Labirintos, o Güell - que é Gaudí, o da Ciutadella), Monumentos (Colombo, Arc de Triomph), Praças (da Catalunya, d'Espanya), Igrejas (Catedral, Sagrada Família, Santa Maria Del Mar) e Museus (Fundação Miró, Caixa Fórum, Picasso, Casa-Museu Gaudí, Casa Battló, La Pedrera), pelo Estádio Olímpico, pelo Castelo de Montjuic, pelo Palácio da Música Catalana, enfim, pelos lugares e pelas pessoas. Pessoas de todos os lugares, falando em todos os idiomas: portugueses, brasileiros, americanos, espanhóis, britânicos, alemães e, principalmente, franceses e japoneses.
Mas também estava entre amigos. E, cada um deles, apresentou à menina uma visão diferente da cidade. Com a Sabrina, a menina Cary conheceu o Mar Mediterrâneo pela primeira vez (embora o tempo não lhe permitisse entrar na água ainda), o Ovelha Negra (bar tradicional de Barcelona), o Bosque das Fadas (também é um bar muito característico, a menina teve vontade de vestir-se de fada quando entrou lá), o carnaval em Sitges (cidadezinha próxima, em que todos foram vestidos à fantasia; cada um tinha um palpite sobre a que a menina vestia - até hoje não sabem ao certo o que era), a Champanheria (nesse lugar, para beber "cava" - digamos que seja o "champagne"deles, você precisa comer qualquer coisa), representantes do Brasil, da França, da Espanha, da Colômbia e até da Índia, residentes, trabalhadores e estudantes em Barcelona. Para ela, toda aquela mistura era, ao mesmo tempo, fascinante e assustadora. Viu-se, de repente, alguns dias à frente, já na nova realidade que a aguarda, com pessoas de várias nacionalidades tentando se comunicar (e conseguindo). Continuou tentando lutar conta o medo e, por causa desse desgaste, "quedou-se" por alguns minutos muda, como se nem português soubesse falar (mas a Sá estava lá e resgatou-a desse "transe" repentino).
Com o Paco, a menina comeu paella pela primeira vez em Espanha (quer dizer, Catalunya), percorreu os Labirintos do Parque, deu-lhe um abraço de aniversário à meia-noite (não é qualquer um que completa 35 anos dentro de um trem a caminho para Sitges), foi à MontSerrat. Foi neste último lugar, entretanto, que a menina viu-se diante de um outro medo: altura. Sim, porque era preciso subir três funiculares para alcançar o ponto mais alto da montanha e, entre um e outro, eles faziam longas caminhadas, paravam pra respirar e admirar a beleza do que se erguia à sua volta. A menina seria um tanto leviana se dissesse que não sentiu nem um friozinho na barriga, ou melhor, que não sentiu medo mesmo. Mas, segundo confessou-me, depois de subir sozinha até o alto da Sagrada Família, posar pra foto na sacada e ainda descer tudo de escadas, começou a acreditar que tinha mesmo um bocadinho daquela coragem que as pessoas falavam. Então, com muita cautela e contando com o apoio psicológico (literalmente) do amigo Paco, a menina subiu e subiu e subiu... E sentiu-se, mais uma vez, muito feliz por estar lá. Passaram tanto tempo admirando tudo aquilo que quase perderam o último trem que ia direto pra Barcelona. Quer dizer, haviam informado que ele saía às 18h e, a essa altura, ainda estavam na fila para pegar o funicular pra estação. Mas, ainda bem, havia outros trens, que faziam algumas paradas ao longo do caminho e que eles conseguiram pegar por volta das 18:30h. Cansada, mas feliz, foi como a menina dormiu nesse dia.
O momento da volta era também um momento de despedidas. Barcelona agora já faz parte do coração dela, e será a casa de quatro dos seus colegas nos próximos meses (Sá, Ju, Edu e Ana). Mesmo tendo visto muito do que tinha para ser visto, acredita que cada dia nessa cidade deve proporcionar uma nova descoberta. A menina só desejava que todos sejam tão felizes quanto aquela cidade puder fazê-los e mais ainda do que eles possam imaginar. Com esse sentimento, embarcou de volta para a cidade que tão bem a acolhera seis meses atrás, para novamente preparar as malas, despedir-se de mais alguns amigos e partir rumo a mais um "pedacinho" do mundo.
Estranhamente, a menina acredita que tem conseguido enfrentar mais um de seus medos: a despedida. Daquela turma dos onze, somente o Paco a acompanha nos próximos meses. Mas, ela tem a certeza de que, seja no francês, nos estudos, conversas e passeios "terapêuticos", já tem um grande amigo ao seu lado. Separar-se de alguns, entretanto, é mais difícil. A menina ainda chegou a tempo de dizer "até mais ver" ao Léo, ao Pedro e à Tânia. Registra os lugares da cidade por onde passava todos os dias, os olhares e sorrisos das pessoas que quer levar consigo. Ela e a "irmã postiça" que lhe arranjaram são as últimas a se despedirem. Prometem-se o reencontro, em qualquer lugar do mundo, durante esses próximos meses, brindam à vida que tiveram até aqui e à que as aguarda lá "fora", choram lágrimas de saudades, riem dos momentos "sem graça", fotografam cada passo (não só nas câmeras, mas em suas memórias).
A partir de agora, a menina Cary promete a si mesma que não vai mais deixar seus medos tornarem-na muda, paralisarem suas pernas, impedirem-na de subir mais alto. Ela quer descobrir, viver, crescer, encontrar, reencontrar, aprender, desaprender, chegar e partir. Para isso, vai mesmo ter que acreditar no que as pessoas lhe dizem... Se ainda não tiveres, busca cada dia um pouquinho mais de coragem, Cary.

P.S.: Imagem 01 - Jovem em frente ao espelho (Picasso)
Imagem 02 - Detalhe do teto no Parc Güell (Gaudí)
Imagem 03 - Vista do alto em MontSerrat